Promotor sugere que jornalista identifique fontes ouvidas em série de matérias
Promotor sugere que jornalista identifique fontes ouvidas em série de matérias
No último dia 14 de maio, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo realizou audiência pública para discutir denúncias expostas pelo jornalista Renato Santana, do jornal A Tribuna de Santos , em uma série de reportagens a respeito da suposta atuação de autoridades em grupos de extermínio na Baixada Santista. Na ocasião, um promotor declarou que o jornalista teria forjado depoimentos.
As matérias de Santana, publicadas este ano, entre os dias 25 e 29 de abril, denunciaram a atuação de policiais em operações em represália aos ataques promovidos pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), em maio de 2006, no litoral sul do estado de São Paulo.
Participaram do encontro - ocorrido no auditório da Associação Comercial de Santos - a Defensoria Pública, o Judiciário, membros do Ministério Público, do Poder Legislativo, representantes da Ouvidoria Nacional da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e polícias Civil e Militar, segundo relato de Santana, que compareceu para cobertura, mas foi citado na ocasião pelo promotor de Justiça Octávio Borba, que criticou seu trabalho e o acusou de ter inventado os depoimentos de fontes.
Ao Portal IMPRENSA, o repórter contou que o promotor questionou o depoimento de dois policiais e o instou a revelar a identidade das fontes. Caso contrário, Santana estaria "compactuando com ações criminosas".
"Ele atacou os preceitos básicos do Jornalismo. Ele questionou se eu, de fato entrevistei. Eu não estou compactuando com nenhuma atuação criminosa.E as declarações publicadas comprovam a participação [dos policiais]. Agora, eu sei que cumpri meu papel de jornalista", explicou.
Na concepção do repórter, a demanda do promotor para que revelasse os nomes de seus entrevistados é descabida, uma vez que o Jornalismo se serve do sigilo de fonte para expor determinados fatos. "Eu não sou policial, eu tenho um compromisso ético com a fonte, de não revelar absolutamente nada", disse.
Santana revela que, por ora, não sofreu ameaças, tampouco sentiu-se intimidado pelos questionamentos do promotor, mas a ocasião e o modo como o promotor fez referência às reportagens acabou por gerar uma "situação constrangedora".
Para o grupo Mães de Maio da Baixada Santista, cujos filhos foram vítimas das supostas operações de extermínio por parte de agentes do Estado, as reportagens de Santana, além de retomar a temática dos massacres, contribuíram "de forma direta para a interrupção das execuções sumárias em massa que voltaram a atingir toda a região", no começo desse ano, segundo nota publicada no site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP).
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