Profissionais de "Estadão" e ESPN debatem jornalismo investigativo no esporte

Nesta segunda-feira (7/10), na 2ª edição do seminário internacional mídia.JOR, promovido por IMPRENSA, o jornalista Marcelo Gomes, produtor e editor dos canais ESPN, subiu ao palco do Teatro Aliança Francesa para debater jornalismo investigativo e os bastidores do esporte.

Atualizado em 07/10/2013 às 18:10, por Edson Caldas*.


Crédito:Alf Ribeiro Jornalismo esportivo foi tema da primeira grande entrevista do mídia.JOR
Em entrevista ao diretor-geral de esportes do jornal O Estado de S. Paulo , Luiz Antônio Prósperi, Marcelo destacou que jornalismo esportivo não pode ser tratado como entretenimento. “Acho que o esporte tem que ter coisa para cima, não pode ser só denúncia. Então, tentamos equilibrar”, explica. “Agora, brincadeira não é jornalismo", garante.
Para o profissional, que está há 14 anos na ESPN, existem outras formas de atrair o público. “É melhor deixar a matéria inteligente do que fazer palhaçada”. Marcelo diz que, fazendo brincadeiras, o jornalismo perde um tempo que poderia ser dedicado a abordar questões relevantes.
Bem-humorado, o jornalista relatou histórias dos bastidores de suas matérias. “Quero morrer fazendo reportagem”, frisa. “Não me considero jornalista esportivo e nem jornalista investigativo. Jornalismo é jornalismo. E é jornalismo o que eu faço.”
Investigação no esporte
O jornalismo esportivo investigativo necessita de dois fatores para ser executado, segundo Marcelo. “O espaço [empresa jornalística que investe nas pautas] e abnegação do profissional que escolheu aquilo, e não está nem aí para o que vai acontecer com ele.”
“Sofremos um preconceito triplo: por ser jornalista, por ser pobre e por ser esportivo”, brincou o profissional ao relatar o episódio em que uma fonte hesitou ao lhe passar informação.
Papel do jornalista
Marcelo destacou a credibilidade e a relação com o público construída em anos da ESPN. “Éramos a única emissora que podia ir com cubo nas manifestações [de junho].”
No programa “Brasil Olímpico”, o jornalista diz buscar histórias atletas que estão longe dos holofotes. “Damos espaço para quem não tem espaço.”
O profissional frisou que a produção de matérias deve ser levadas a sério, visando atingir o telespectador. “Reportagem exige dedicação. Tem que ir atrás.”
Sobre a isenção do jornalista, ressaltou que muitas vezes é necessário intervir na história. “Temos de intervir, sim. Quando você tem a oportunidade de mudar alguma coisa, acho que tem que ajudar.”
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.