Opinião
Que a pane do Facebook de 4 de outubro último sirva de alerta à sociedade, de um modo geral, e especificamente aos veículos de comunicação – em especial, aos de mídia independente.
O problema, desde muito antevisto, não é a dependência de rede social. O problema é a dependência de uma só rede.
Empreendimentos de várias atividades econômicas foram prejudicados porque passaram um dia inteiro sem conseguir manter relacionamento com seu público. Porque se acostumaram a centrar suas estratégias de comunicação, marketing e mesmo de vendas em plataformas distintas, porém todas elas sob o guarda-chuva do conglomerado Facebook.
Grandes empresas sentiram menos, ou talvez nada, afinal dispõem de estruturas e recursos outros. Pequenos e micros, e até médios, contudo, ficaram à deriva.
A advertência se aplica também ao jornalismo. Aos veículos de mídia independente, sobretudo. A massificação do Instagram, do WhatsApp e do próprio Facebook dá a sensação de que manter a veiculação por essas redes basta para obter audiência.
Muitos meios independentes, alternativos ou comunitários (incluindo, por exemplo, jornais locais ou de bairro, e ainda veículos segmentados) têm aberto mão de investir em sites ou portais na atualização de seu conteúdo, satisfeitos pelo engajamento mais imediato e mensuráveis dessas redes sociais.
Crédito:divulgação Facebook
O dono do Facebook, Mark Zuckerberg Não é bem assim. Aliás, não é nada assim.
or sua vez, nos deixa reféns das decisões dessa corporação, conforme experimentamos dias atrás.
E se, de uma hora para outra, Mark Zuckerberg se cansar do negócio e resolver cerras as portas? Tranca tudo o que postamos, tranca todos os nossos contatos – isso se não resolver excluir de vez. Pior de tudo: sem que tenhamos o que fazer, afinal, a desregulação isenta essas corporações de maiores compromissos sociais.
Assim, urge a regulação do mercado. Enquanto não construímos esse marco, nas nossas ações devemos trilhar caminhos que mitiguem os danos. Por exemplo, diversificando a atuação nas redes sociais, de modo a escapar das mãos de único conglomerado. Para isso, importante identificar quem é dono do que.
Mais ainda: redes sociais são isso, redes sociais. Ou seja, ambientes onde mantemos importantes interrelações. Não são – ou não devem ser – o nosso ponto central, nossa localização principal no ciberespaço. É indispensável que essa centralidade seja mantida em um site, portal, repositório ou mesmo blog. Fundamental um endereço com domínio nosso, e não dependente de uma e outra rede.
Por fim, ressalte-se a importância de investirmos em software livre. Precisamos retomar esse caminho, pelo qual avançamos bem em meados da década de 2000, mas que foi atingido pela onda de retrocessos a que enfrentamos nos últimos anos. Com as tecnologias abertas, nos apropriamos das ferramentas. Democratiza o acesso aos meios de produção e difusão de conteúdos. Democratiza, pois, a comunicação.
Crédito:Arquivo Pessoal
* é doutorando em Comunicação (UFPR), jornalista e professor da rede estadual de educação profissional do Paraná. Mantém um veículo de mídia alternativa (www.redemacuco.com.br), ministra cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e realiza projetos culturais.
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