Presidente do Sindicato do Município do RJ quer trabalho pelo coletivo

Presidente do Sindicato do Município do RJ quer trabalho pelo coletivo

Atualizado em 31/10/2007 às 17:10, por Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.

"Precisamos de mais dignidade no exercício da nossa profissão", a declaração é de Suzana Blass, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, em entrevista ao Portal IMPRENSA, nesta quarta-feira (31/10). A jornalista questionou, ainda, a precariedade nas condições de trabalho e a falta de conscientização política e de informação dos profissionais."Ao receber um benefício, eles acreditam que a iniciativa tenha vindo da empresa. Não se dão conta de que houve uma pressão por parte do Sindicato e de que eles são parte dessa pressão. Assim, não acham que vale a pena se sindicalizar", declara.

Suzana está no movimento sindical desde 2004 e confessa ter relutado em aceitar concorrer à Presidência da entidade. "Achei que eu deveria fazer algo pela profissão. Estamos cada vez mais individualistas e é importante trabalhar voltada para o coletivo". Formada pela PUC-Rio, já trabalhou no Jornal do Brasil , no Sistema de Rádio JB e, atualmente, é editora da Pesquisa do jornal O Dia .

O município do Rio de Janeiro conta com cerca de 2,8 mil jornalistas que trabalham formalmente em empresas de comunicação na cidade. "Certamente existem muito mais em assessorias de imprensa, terceirizados e os que trabalham como pessoas jurídicas, além dos que estão no mercado informal e os desempregados", afirma Suzana.

O Sindicato do Rio optou, em Assembléia, por não formalizar um piso salarial para os jornalistas profissionais da cidade, mas sim um "salário-referência", de R$ 3.497. "Esse é o salário que as empresas, de um modo geral, pagam por serviços prestados por jornalistas contratados ou temporários. Se nós tivéssemos um piso, ou seja, o mínimo, as empresas iriam pagar apenas esse mínimo", diz Suzana.

Os maiores desafios da categoria, para Suzana, são as lutas pelos melhores salários, pelo respeito à jornada de trabalho, pela segurança do jornalista que cobre área de risco e denuncia irregularidades, além da luta pela manutenção da obrigatoriedade do diploma na regulamentação da profissão "Um outro desafio é mobilizar a categoria, fazer com ela perceba que o sindicato tem força para negociar com as empresas quando tem o apoio e a participação da categoria. Se a categoria fica apática, a representatividade fica fraca. Nós vamos investir nessa mobilização".

Suzana Blass afirma que a maior demanda é por melhores salários e pela maior participação da categoria no movimento, reivindicando reposição das perdas salariais, além do reajuste, comissões de segurança nas redações, aumento de benefícios, entre outros. "A tarefa principal do sindicato é fazer uma boa negociação salarial, e, hoje, com uma inflação baixa, é muito importante conquistar benefícios para a categoria, além do índice de reajuste salarial. Temos conseguido nos últimos anos um índice um pouco maior que a inflação, mas queremos reposição de perdas passadas", finaliza.