Presidente do Sindicato do Município do RJ quer trabalho pelo coletivo
Presidente do Sindicato do Município do RJ quer trabalho pelo coletivo
"Precisamos de mais dignidade no exercício da nossa profissão", a declaração é de Suzana Blass, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, em entrevista ao Portal IMPRENSA, nesta quarta-feira (31/10). A jornalista questionou, ainda, a precariedade nas condições de trabalho e a falta de conscientização política e de informação dos profissionais."Ao receber um benefício, eles acreditam que a iniciativa tenha vindo da empresa. Não se dão conta de que houve uma pressão por parte do Sindicato e de que eles são parte dessa pressão. Assim, não acham que vale a pena se sindicalizar", declara.
Suzana está no movimento sindical desde 2004 e confessa ter relutado em aceitar concorrer à Presidência da entidade. "Achei que eu deveria fazer algo pela profissão. Estamos cada vez mais individualistas e é importante trabalhar voltada para o coletivo". Formada pela PUC-Rio, já trabalhou no Jornal do Brasil , no Sistema de Rádio JB e, atualmente, é editora da Pesquisa do jornal O Dia .
O município do Rio de Janeiro conta com cerca de 2,8 mil jornalistas que trabalham formalmente em empresas de comunicação na cidade. "Certamente existem muito mais em assessorias de imprensa, terceirizados e os que trabalham como pessoas jurídicas, além dos que estão no mercado informal e os desempregados", afirma Suzana.
O Sindicato do Rio optou, em Assembléia, por não formalizar um piso salarial para os jornalistas profissionais da cidade, mas sim um "salário-referência", de R$ 3.497. "Esse é o salário que as empresas, de um modo geral, pagam por serviços prestados por jornalistas contratados ou temporários. Se nós tivéssemos um piso, ou seja, o mínimo, as empresas iriam pagar apenas esse mínimo", diz Suzana.
Os maiores desafios da categoria, para Suzana, são as lutas pelos melhores salários, pelo respeito à jornada de trabalho, pela segurança do jornalista que cobre área de risco e denuncia irregularidades, além da luta pela manutenção da obrigatoriedade do diploma na regulamentação da profissão "Um outro desafio é mobilizar a categoria, fazer com ela perceba que o sindicato tem força para negociar com as empresas quando tem o apoio e a participação da categoria. Se a categoria fica apática, a representatividade fica fraca. Nós vamos investir nessa mobilização".
Suzana Blass afirma que a maior demanda é por melhores salários e pela maior participação da categoria no movimento, reivindicando reposição das perdas salariais, além do reajuste, comissões de segurança nas redações, aumento de benefícios, entre outros. "A tarefa principal do sindicato é fazer uma boa negociação salarial, e, hoje, com uma inflação baixa, é muito importante conquistar benefícios para a categoria, além do índice de reajuste salarial. Temos conseguido nos últimos anos um índice um pouco maior que a inflação, mas queremos reposição de perdas passadas", finaliza.






