Por uma imprensa mais informativa

Por uma imprensa mais informativa

Atualizado em 28/01/2009 às 18:01, por Thaís Naldoni.

Durante todo o mês de janeiro, leitores, internautas, ouvintes e telespectadores de todo o Brasil acompanharam o drama da modelo capixaba Mariana Bridi, de 20 anos, que morreu no último sábado (24), após um choque séptico causado por bactérias provenientes de uma infecção urinária. A jovem teve as mãos e os pés amputados, passou por uma cirurgia no intestino e, devido à falência dos rins, passou por sessões de hemodiálise.

Dessa vez, não se pode chamar a cobertura da imprensa de sensacionalista, já que não flagramos jornalistas acampados na porta da casa da modelo ou de prontidão no Hospital Dório Silva, em Serra (ES). E, de fato, acredito que poucas pessoas fora da área de saúde, tenham informações sobre a evolução rápida e devastadora dessa infecção.

Segundo informou a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, o choque séptico sofrido por Mariana foi causado por bactérias Pseudomonas aeruginosa . "A paciente teve o quadro agravado com insuficiência renal aguda, com compressão dos vasos sanguíneos periféricos e com necrose das mãos e pés, causados pelo quadro de septicemia (infecção generalizada)."

Divulgado o caso de Mariana Bridi, apareceram alguns outros semelhantes, também noticiados, mas com menos destaque. O fato de Mariana ter sido finalista do Miss Mundo Brasil por duas vezes e ter representado o país em concursos internacionais ajudou o caso a vir à público, mas a pergunta que faço é: antes de Mariana adoecer, quase não se sabia sobre as graves conseqüências que uma infecção aparentemente simples pode trazer. E agora, sabe-se mais?

Mais uma vez, faltou à imprensa a sensibilidade de aproveitar o momento em que um assunto novo e sério veio à tona, para educar e informar a população. Mais que mostrar o estado de saúde de Mariana Bridi - com matérias rasas em informação e carregadas na emoção - a mídia poderia ter aproveitado o espaço para esclarecer os sintomas, os perigos, a necessidade de se buscar por atendimento médico, ainda que na rede pública de saúde, quando se está acometido por infecção. Existiram, é claro, mas poucas foram as matérias que esclareceram do que se trata e se há algo que se possa fazer para combater a sepse. Como leitores, vamos cobrar que a imprensa brasileira seja menos factual e mais informativa.

PS : Sepse ou septicemia é uma reação inflamatória do organismo e tem mais frequentemente como causas as pneumonias, as feridas operatórias e as infecções urinárias.

O Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas) informa que ela é considerada rara, mas, no último levantamento da entidade, realizado em 2004, constatou-se que 400 mil pacientes foram atingidos pela sepse e, dentre elas, 230 mil morreram. Nos Estados Unidos, são dignosticados cerca de 750 mil casos por ano.

A septicemia foi apontada como a causa da morte do presidente Tancredo Neves, em 1985.