"Por que a Globo não pode ter jogo de segunda?”, questiona goleiro do São Paulo

Na última quarta-feira (13/11), após a 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, que contou com protestos do “Bom Senso F.C.” - grupo de atletas unidos por mudanças no calendário esportivo, o goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, criticou a Rede Globo, emissora que detém os direitos de transmissão dos principais torneios do país, pela não realização de partidas em dias e horários diferentes.

Atualizado em 14/11/2013 às 16:11, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Divulgação Goleiro questionou a emissora sobre mudança no calendário do futebol nacional
"Por que a Globo não pode ter jogo de segunda-feira? Futebol para o país dá audiência todo dia. Os atletas se predispõem a ajudar, a jogar. Só não pode jogar quarta, domingo, quarta, domingo. Podemos desmembrar uma rodada no fim de semana. Campeonato Paulista não pode ter 23 rodadas. Isso não é encrenca, chama-se bom senso, que dá nome ao movimento. E não é nada político. Se tiver algo político nesse movimento um dia, eu sou o primeiro a ir embora", falou Ceni, após a partida contra o Flamengo, em Itu (SP).
De acordo com o UOL Esportes, o diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto, rebateu as declarações do goleiro, dizendo que elas são "estranhas. “Não faz sentido [a declaração de Ceni]. Mas a Central Globo de Comunicações é quem pode dar um comunicado sobre esse assunto", afirmou.
O jogo entre São Paulo e Flamengo foi marcado pela ameaça do árbitro Alício Pena Júnior de distribuir cartões amarelos a todos os 22 jogadores se eles parassem a partida por um minuto como forma de protesto. Ceni organizou os atletas para que tocassem a bola durante o primeiro minuto sem competir. Só após este período os atletas iniciaram o confronto.

"Mais importante é que isso aqui tem uma conotação muito maior do que imaginam. Significado é muito grande. Acho que o que a gente defende é algo muito importante para todo mundo. É para vocês [jornalistas], para mídia, imprensa, Rede Globo de televisão, que paga os direitos", afirmou o goleiro.
Ceni ainda suplicou à imprensa e à Globo para que os apelos do Bom Senso F.C. sejam atendidos. "Nós queremos ser atendidos, pelo amor de Deus. Por que vamos deixar chegar a esse ponto? O Brasil para pelo futebol. Não é possível que vocês vão comprar uma briga que não se faz necessária. Não há necessidade desse conflito", disse.
"Se tiver mais jogos de times menores, que ficam parados durante sete meses, vai ter mais jogadores, mais arbitragem. O que a gente defende é mais partidas, mais mão de obra para todos, para vocês da imprensa também. A gente não está aqui para brigar. Não queremos chegar ao ponto de fazer greve", concluiu.

Confusão

Durante os protestos, narradores de diferentes emissoras reagiram à cena inusitada da paralisação do confronto por um minuto.

Na Globo, os narradores Luiz Carlos Júnior, de São Paulo e Flamengo, e Luiz Roberto, de Coritiba e Corinthians, explicaram o movimento Bom Senso F. C. e disseram que os atletas estão fazendo essa exigência junto à CBF.
A ESPN Brasil, durante o programa "Bate Bola", resolveu se juntar aos jogadores. Os apresentadores Rodrigo Rodrigues, Gustavo Hofman, Alexandre Oliveira e Paulo Calçade cruzaram os braços no encerramento da atração. Para finalizar o "Sportcenter", a ESPN voltou a apoiar o movimento com um texto narrado por Paulo Soares.
Já narrador da Band, Luciano do Valle, que transmitia o jogo entre Coritiba e Corinthians, ficou perdido com o que viu. “Normalmente, o árbitro dá um minuto de silêncio antes da partida. Agora, o árbitro está apitando. O jogo está valendo ou não? Porque os jogadores cruzaram os braços, cruzaram os braços, não é minuto de silêncio não. E ele está contando esse tempo”, disse o locutor.