Por aclamação, mas com ressalvas, delegados aprovam novo código de ética do Jornalismo, em congresso da FENAJ
Por aclamação, mas com ressalvas, delegados aprovam novo código de ética do Jornalismo, em congresso da FENAJ
Por aclamação, os cerca de 150 delegados presentes ao Congresso Nacional Extraordinário da FENAJ, que aconteceu entre os dias 2 e 5 de agosto, em Vitória (ES), aprovaram várias mudanças no Código de Ética da categoria. A antiga versão, em vigor desde de 1987, não contemplava temas como manipulação de imagens digitais, câmera oculta e assédio sexual e moral nas redações.
Pelas novas regras, fica proibido divulgar informações com uso de identidade falsa e câmeras escondidas. "As exceções só valem em casos de interesse público e quando se esgotarem todas as formas de apuração tradicionais", explica Aziz Filho, delegado eleito pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro. O código também sugere que se evite a edição de imagem digital através de Photoshop. Se isso ocorrer, pede-se que a imagem venha acompanhada de um selo, ou crédito, que informe ao leitor que a imagem foi manipulada.
Outra novidade, proposta pelo Sindicato do Rio de Janeiro, foi a condenação a "deturpação de informações ou declarações das fontes". "É o famoso 'ajeitar as aspas'", explica Aziz Filho que, além de sindicalista, é repórter da sucursal da revista IstoÉ no Rio de Janeiro.
Para divulgar o renovado código de ética do Jornalismo, a FENAJ fará uma peregrinação por redações de todo país. Sergio Murillo, presidente da entidade, conta que conseguiu um patrocínio da Volvo para transformar o código em pôsteres, que serão distribuídos pelas redações.
Ao contrário da medicina e do direito, no jornalismo o código não tem poder para caçar diplomas. A sanção máxima, que raras vezes chegou a ser aplicada, é a expulsão do jornalista dos quadros do sindicato e a divulgação da pena em veículos de grande circulação.
Não houve alterações do que concerne à conduta dos assessores de imprensa, que continuam podendo trabalhar simultaneamente em redação e prestando serviços como assessor, desde que as atividades sejam diferentes. Por exemplo: o profissional não pode cobrir esporte e ser assessor do Palmeiras. Mas pode ser assessor da Petrobras e cobrir cultura.
Críticas
A presença do grupo que faz oposição à Direção da FENAJ no Congresso Extraordinário de Vitória foi pequena, mas a entidade não escapou das críticas. Na abertura do evento, o jornalista Armando Rollemberg, presidente da FENAJ nos anos 80 e que tomou posse no Conselho de Ética, colocou o dedo na ferida: "Essa é uma boa oportunidade para uma reflexão. Não seria melhor se nossos adversários estivessem aqui, brigando? Essa divisão na categoria, especialmente no Distrito Federal, é devastadora. Estamos passando por um período de crise de representatividade. Esse não é um fenômeno só do jornalismo, mas está afetando dramaticamente a categoria".
No Congresso da FENAJ realizado ano passado em Ouro Preto (MG), os delegados rejeitaram, em plenária, a idéia de uma Direção colegiada, formada a partir dos votos de cada chapa, o que permitiria que a oposição fizesse parte da Direção. "A proporcionalidade só prolonga a disputa eleitoral. O Armando fez um discurso passional, que remete a outra geração, da década de 80, quando ele era presidente", disse Sérgio Murillo, presidente da entidade.
Sobre o resultado das últimas eleições, Sergio afirma que "a oposição encolheu por que fez a aposta errada e partidarizou a disputa". O presidente da FENAJ diz, ainda, que a Federação não é formada majoritariamente por assessores de imprensa, como dizem os grandes jornais. "A FENAJ tem cerca de 40 mil filiados. Apenas 1/3 deles são assessores de imprensa".
Suzana Tatagiba, presidente do Sindicato dos Jornalistas de Vitória e anfitriã do evento, fez um desabafo em seu discurso de abertura: "As pessoas não querem discutir ética. As grandes empresas se recusaram a patrocinar o nosso Congresso. Se fosse uma grande festa para categoria, não faltariam patrocinadores". O Congresso também fez uma homenagem ao jornalista pernambucano José Hypólito, que faleceu neste ano.
A íntegra do novo Código de Ética e a "Carta de Vitória" estarão disponíveis ainda nesta segunda no .






