População se torna parceira da polícia
População se torna parceira da polícia
Serviço telefônico que recebe denúncias anônimas chega ao quarto ano de funcionamento tendo colaborado para a solução de mais de 6 mil crimes.
Nos primeiros meses de 2004, de todos os crimes resolvidos por dia pelas polícias civil e militar do Estado de São Paulo, 20 são fruto de denúncias anônimas. Em 2001, ano em que o Disque-Denúncia começou a contabilizar seus resultados, o serviço auxiliava na solução de dois casos por dia. É um aumento de mil por cento em apenas três anos. De acordo com o presidente do ISPCV (Instituto São Paulo Contra a Violência), Eduardo Capobianco, este aumento no número de denúncias e de casos solucionados "tem relação com o fato de o serviço funcionar de forma independente, o que proporciona às pessoas maior tranqüilidade quanto ao sigilo das informações e ao anonimato do denunciante."
O superintendente do Instituto, Ronildo Machado, explica que os atendentes do Disque são pessoas comuns, profissionais de telemarketing treinados para este serviço. Segundo ele, "mesmo que o denunciante se identifique proposital ou involuntariamente, o atendente o orienta a não fazê-lo. Nada do que possa identificá-lo – coisas do tipo ‘meu vizinho’, ou ‘meu cunhado’ – é anotado na denúncia", explica.
A estudante Evelyne Lorenzetti da Cunha comprova o que Machado diz. "Se eu percebesse qualquer movimentação estranha em volta dos lugares que freqüento, denunciaria sem o menor receio, tanto do telefone da minha casa quanto do celular." É o mesmo que pensa a copeira Maria Lindinei Santos. "Se eu fico sabendo de alguma coisa errada, ligo mesmo. Ligaria do orelhão, mas não teria medo de denunciar."
E os dados colhidos pelo serviço confirmam o que dizem Evelyne e Lindinei, comprovando que a sociedade confia na garantia de anonimato. Somente no mês de fevereiro deste ano, o Disque-Denúncia recebeu mais de 9 mil telefonemas, sendo 3 mil deles sobre tráfico de entorpecentes.
O CAMINHO DA DENÚNCIA
O superintendente Ronildo Machado conta que após recebida, a informação é encaminhada online para os grupos policiais que trabalham junto ao Disque-Denúncia. Eles analisam os dados e os confrontam com o banco de dados da Secretaria de Segurança Pública. "Em seguida, a denúncia é encaminhada para a unidade policial que se encarregará da ação, atuação ou investigação." Ele explica que é o tipo de evento que determina qual das polícias será acionada. "Em se tratando de um caso que requeira ação imediata, a denúncia fica a cargo da Polícia Militar. Se for necessária investigação por se tratar de um crime já cometido, é a Polícia Civil quem cuida do caso", finaliza.
BENEFÍCIOS À SOCIEDADE
O presidente da ONG, Eduardo Capobianco, afirma que a parceria da sociedade com a polícia acarreta benefícios a todos.
Segundo ele, além de ser vantajoso para a sociedade, os órgãos públicos de segurança ganham um serviço de apoio e informações, sem nenhum custo direto, já que a atividade – incluindo a central de atendimento telefônico e a infra-estrutura para a central de acompanhamento das denúncias – é inteiramente financiada pela ONG e seus colaboradores.
Capobianco explica que o trabalho é feito de forma conjunta. "Mantemos reuniões permanentes com a polícia para apresentar sugestões e acompanhar a resolução dos problemas encaminhados ao Disque-Denúncia." Segundo ele, o serviço aumenta a eficácia e a eficiência da ação no Estado de São Paulo.
SERVIÇO
O Disque-Denúncia atende pelos telefones
0800-15-63-15 (Grande São Paulo e Jacareí)
ou (0XX11) 3272-7373 (demais regiões)






