Políticos do MT são denunciados por sequestro de jornalistas e ambientalistas
Políticos do MT são denunciados por sequestro de jornalistas e ambientalistas
| Divulgação |
| Francisco de A. Pedroso |
O Ministério Público Federal (MPF) do estado do Mato Grosso denunciou um grupo formado por políticos e empresários do município de Juína - 740 km de Cuiabá - sob acusação de sequestro, constrangimento, e cárcere privado de jornalistas ambientalistas que tentavam produzir um documentário sobre os índios enawene e nawe.
O ex-prefeito Hilton Campos (PR), o ex-presidente da Câmara Municipal, Francisco de Assis Pedroso (DEM), e o ex-presidente do Conselho de Segurança Municipal, Natalino Lopes dos Santos, estão entre os denunciados pelo Ministério.
O incidente ocorreu no município entre os dias 20 e 21 de agosto de 2007 e envolveu um fotógrafo brasileiro, dois jornalistas franceses e membros das ONGs Greenpeace e Operação Amazônia Nativa (Opan).
O grupo estava hospedado em um hotel da cidade e se preparava para seguir à Terra Indígena Enawene Nawe, quando foi surpreendido por uma manifestação que cercou o local.
"Os fazendeiros, empresários e autoridades da cidade cercaram o hotel onde estavam hospedados os repórteres e ambientalistas e exigiram que eles se retirassem do município, disse, em nota, o MPF, segundo informa o jornalista Rodrigo Vargas, da Folha.com.
O grupo foi então encaminhado a dar satisfações sobre sua presença na cidade na Câmara Municipal e, ao final do interrogatório, remetidos de volta ao hotel. No outro dia, foram escoltados até o aeroporto de Juína e tiveram de partir.
À Folha, o ex-prefeito Hilton Campos declarou que responderá com "traquilidade" às acusações. "Não houve nenhum agressão ou cárcere privado. Agora, nunca vou deixar de defender um povo que abriu isso aqui há trinta anos e que pode perder tudo por causa de 370 índios que já têm 740 mil hectares", afirmou.
O vereador Francisco de Assis Pedroso admitiu à reportagem que participou do episódio, mas na condição de mediador. "Era o presidente da Câmara e foi apenas nesta condição que atuei. Tanto é que ofereci o plenário da Câmara para um debate pacífico", afirmou.
Para ele, os ambientalistas "são muito folgados". "Eles tinham de se apresentar à cidade, explicar o que vieram fazer. Esse povo daqui já sofreu demais. Se você se colocar no lugar deles, vai entender a reação".
Leia mais






