JT - Portal Imprensa "> JT - Portal Imprensa ">

"Política só aborrece as pessoas, e a charge é a melhor maneira de digerir os fatos", afirma Diogo Salles, do JT

"Política só aborrece as pessoas, e a charge é a melhor maneira de digerir os fatos", afirma Diogo Salles, do JT

Atualizado em 03/07/2009 às 16:07, por Thiago Rosa/Redação Portal IMPRENSA.

"Política só aborrece as pessoas, e a charge é a melhor maneira de digerir os fatos", afirma Diogo Salles, do JT

Por

"Para quem desenha desde sempre, é a profissão que nos escolhe", afirma o cartunista Diogo Salles, do Jornal da Tarde . Formado em Publicidade, ele já fazia caricaturas de colegas e professores desde o colegial, mas precisava de um emprego remunerado. "Não há faculdade de humor ou caricatura. Durante anos trabalhei em outras áreas para pagar as contas, mas meu objetivo sempre foi ser chargista", diz.

Diogo Salles

Salles trabalhou em uma agência multimídia por quatro anos, até que em 2006 resolveu investir no livro"CorruPTos", em que discorria sobre os acontecimentos e as polêmicas nos últimos anos do governo. Foi após uma conversa com o editor de arte do jornal O Estado de S. Paulo - onde mostrou esse livro - que começou sua trajetória profissional como caricaturista.

"Acredito que isso foi um grande cartão de visitas, pois mostrava meu trabalho em várias frentes: roteiro, caricatura, charge, quadrinhos e edição. Como eu sempre trabalhei para público diversificados, depois que entrei no jornal passei por um período de adaptação, pois comecei a fazer uma charge e um quadrinho por dia, com temas mais locais, mais paulistanos".

Diogo Salles
Gilmar Mendes

Segundo Salles, "CorruPTos" causou alguma celeuma na época; ele considera que a obra pode contribuir para a mobilização social em torno dos crimes e desordens cometidas pelo poder público, já que isso é importante para manter o espírito crítico nas pessoas. "Acho que aqui no Brasil ainda se acredita muito em salvadores da pátria, maniqueísmos e ideologias fossilizadas", disse.

O reconhecimento do trabalho de Diogo Salles no JT veio com o projeto Urbanoide, personagem que, nas palavras dele, "é bastante contraditório e politicamente incorreto". "Em tempos de patrulha e correção política, acho que foi por isso que ele se tornou popular, pois ele traz todos os defeitos do ser humano e questiona alguns valores da sociedade", afirmou.

Diogo Salles
Urbanoide

Apesar de ter suas charges vistas como uma forma de denunciar a corrupção, ele considera que a charge não tem nenhuma função de fazer denúncia. "Ela apenas repercute o noticiário de uma forma bem humorada. A charge também não tem a pretensão de convencer as pessoas nem fazê-las mudar de opinião. Aliás, muito ao contrário - ela questiona as verdades absolutas e as unanimidades burras do nosso cotidiano".

Segundo Salles, "ao trazer o leitor para essa reflexão, mostramos uma visão diferente, sarcástica, irônica do fato político. Aí cada um interpreta como quer e faz o seu próprio julgamento. Humor é isso: é a busca pelo contraditório. E como política em si é um assunto que só aborrece as pessoas, a charge é a maneira mais palatável de digerir os fatos políticos". Visão de quem foi "escolhido pela profissão" e que, com criatividade e uma pitada crítica, aprendeu a expor as mazelas atemporais do país.

Diogo Salles
Geraldo Alckmin