Pitta tenta impedir na Justiça que imprensa receba informações da Satiagraha
Pitta tenta impedir na Justiça que imprensa receba informações da Satiagraha
Celso Pitta, ex-prefeito de São Paulo, protocolou um pedido de tutela antecipada na Justiça Federal do Distrito Federal para proibir que informações sobre a Operação Satiagraha sejam repassadas à imprensa.
| Agência Brasil |
| Celso Pitta |
Ação por danos morais com pedido de tutela antecipada
O texto diz que desde o "surto" das grandes operações, em 2003, o Brasil passou a assistir "o uso de evidente parafernália bélica pela Polícia Federal com evidente caráter cinematográfico, no cumprimento de mandados de prisão de indivíduos que nenhuma resistência demonstraram ao cumprimento das ordens judiciais".
"Os agentes da PF alertavam previamente os grandes veículos de comunicação social para que enviassem jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas ao local onde eram cumpridas as diligências", afirma o documento.
Segundo o texto, na Operação Satiagraha a polícia "optou por informar a maior das redes de televisão do país para acompanhar a prisão e a devassa precedida na residência do ex-prefeito de São Paulo", o que se explicaria pelo" fascínio por aqueles quinze minutos de fama", lembrando que o Ministério de Estado da Justiça orienta que as operações sejam feitas de forma discreta, sem a presença de pessoas alheias a elas.
A ação pede a proibição de informações que "denigram, exponham (prévia e covardemente) a imagem do autor frente à opinião pública". Caso algum vazamento venha a ocorrer, a União seria obrigada a pagar multa de R$ 50 mil.
Imprensa tem código de ética próprio
Na deflagração da Operação Satiagraha, no dia 9 de julho, Pitta foi preso pela Polícia Federal em sua casa por volta das 5h. De pijamas e algemado, ele foi filmado por uma equipe da TV Globo - o que gerou a abertura de uma investigação da Polícia Federal por suposto vazamento de informações. O ex-prefeito pede à União indenização de R$ 830 mil por danos morais.
À reportagem de Portal IMPRENSA, o ex-prefeito Celso Pitta alegou que o vazamento de informações iniciou uma série de acontecimentos que levaram, justamente, ao episódio que causou-lhe constrangimento. "Eu vi a TV na porta da minha casa. Eu fui algemado sem ter oferecido nenhuma resistência, eu estava de pijamas, e essa exposição acarretou um sério dano a minha imagem, um dano moral pela forma como foi conduzida essa operação Satiagraha.
Quando indagado se essa ação poderá prejudicar a imprensa de alguma forma, Celso Pitta argumenta não ter nada contra o livre exercício do jornalismo e que de nenhuma maneira seu pedido de tutela visa trazer prejuízos a esta atividade. "Longe disso. A imprensa já tem o seu código de ética, de conduta. Ela trata de seu auto-regular. Quero deixar claro que nada tenho contra os jornalistas. Eles estão fazendo o trabalho deles. Quem vai ter uma informação na mão e não vai dar? Se eu não der a notícia o meu colega dará". Pitta salienta que a ação questiona o vazamento de informações; não a cobertura jornalística.
De acordo com o ex-prefeito, que declarou ser "um legítimo defensor da imprensa livre", o fato de não poder celebrar sua cerimônia de formatura durante o regime militar o fez ser absolutamente contrário a qualquer tipo de restrição ou de regime autoritário que impeça a livre expressão de idéias. "Eu não pude nem tomar um chope com os meus amigos na minha formatura. Por este episódio sou contra autoritarismo ou coisa que o valha".
Pitta acredita que sua ação obterá sucesso graças a repercussão da própria operação Satiagraha. "O alarde foi muito grande. Até o presidente Lula declarou que estava indignado", lembra o ex-prefeito.
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