Pesquisa revela que 70% das jornalistas já receberam cantadas no trabalho
A Gênero e Número (GN) em parceria com a Abraji revelou, essa semana, os dados da pesquisa inédita “Mulheres no Jornalismo Brasileiro”. Os indicadores apontam que 70% das jornalistas brasileiras já receberam cantadas no ambiente de trabalho ou foram assediadas de alguma forma.
Atualizado em 07/12/2017 às 11:12, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Reprodução GN O levantamento foi realizado com mais de 500 jornalistas e mapeou de que forma o machismo afeta essas profissionais em seu ambiente de trabalho. “Os resultados apontam para a presença de atitudes sexistas em redações em todo o país, que vão desde a distribuição de pautas com base em estereótipos de gênero até o assédio sexual perpetrado por colegas e superiores, sem uma resposta adequada das empresas para estes problemas”, demonstra o relatório da GN.
Na pesquisa, 70,4% das respondentes disseram já ter sido alvo de abordagens de homens durante o exercício da profissão que as deixaram desconfortáveis. Janaina Garcia, uma das 30 profissionais que formam o coletivo “Mulheres jornalistas contra o assédio”, disse a Gênero e Número que o grupo recebe com frequência relatos e pedidos de ajuda de mulheres alvo de assédio sexual por parte de homens que são suas fontes ou seus colegas de redação. “O que a gente sempre orienta nestes casos é que isso seja levado ao conhecimento de alguma entidade sindical ou, dependendo da situação, que seja feito um registro policial. Mas é muito delicado, porque o emprego da pessoa está em jogo, não dá para simplesmente dizer ‘joga no ventilador’”, afirma.
Para Maiá Menezes, diretora da Abraji, “o dado mais preocupante é o que diz respeito ao assédio das fontes no exercício do trabalho da jornalista, e o quanto isso pode dificultar a apuração de uma reportagem e constranger ou mesmo condicionar o acesso à informação”, afirmou a Gênero e Número.
No exercício do trabalho, 83,6% das participantes da pesquisa relataram já ter sofrido alguma situação de violência psicológica que elas relacionaram ao fato de serem mulheres. Entre as situações citadas estão insultos presenciais ou pela internet, humilhação em público, abuso de poder ou autoridade, intimidação verbal, escrita ou física e ameaças pela internet – vindo de superiores, colegas, fontes e do público.
Além do assédio sexual por parte de fontes e colegas e da violência psicológica, as jornalistas com frequência também têm que enfrentar a discriminação sexista dentro da redação em relação a seu trabalho, como relataram 86,4% das participantes da pesquisa. Para Garcia, este tipo de discriminação não pode ser dissociado de uma cultura de assédio moral nas redações. “As empresas ainda não entenderam que o sujeito que está exposto a isso não é a pessoa jurídica [da empresa], é a pessoa física”, afirma. “O assédio afeta psicologicamente a pessoa [que é alvo], é uma questão de saúde também, não apenas um debate sobre gênero e condições de trabalho.”
Para ler a pesquisa completa com todos os indicadores, clique .
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Na pesquisa, 70,4% das respondentes disseram já ter sido alvo de abordagens de homens durante o exercício da profissão que as deixaram desconfortáveis. Janaina Garcia, uma das 30 profissionais que formam o coletivo “Mulheres jornalistas contra o assédio”, disse a Gênero e Número que o grupo recebe com frequência relatos e pedidos de ajuda de mulheres alvo de assédio sexual por parte de homens que são suas fontes ou seus colegas de redação. “O que a gente sempre orienta nestes casos é que isso seja levado ao conhecimento de alguma entidade sindical ou, dependendo da situação, que seja feito um registro policial. Mas é muito delicado, porque o emprego da pessoa está em jogo, não dá para simplesmente dizer ‘joga no ventilador’”, afirma.
Para Maiá Menezes, diretora da Abraji, “o dado mais preocupante é o que diz respeito ao assédio das fontes no exercício do trabalho da jornalista, e o quanto isso pode dificultar a apuração de uma reportagem e constranger ou mesmo condicionar o acesso à informação”, afirmou a Gênero e Número.
No exercício do trabalho, 83,6% das participantes da pesquisa relataram já ter sofrido alguma situação de violência psicológica que elas relacionaram ao fato de serem mulheres. Entre as situações citadas estão insultos presenciais ou pela internet, humilhação em público, abuso de poder ou autoridade, intimidação verbal, escrita ou física e ameaças pela internet – vindo de superiores, colegas, fontes e do público.
Além do assédio sexual por parte de fontes e colegas e da violência psicológica, as jornalistas com frequência também têm que enfrentar a discriminação sexista dentro da redação em relação a seu trabalho, como relataram 86,4% das participantes da pesquisa. Para Garcia, este tipo de discriminação não pode ser dissociado de uma cultura de assédio moral nas redações. “As empresas ainda não entenderam que o sujeito que está exposto a isso não é a pessoa jurídica [da empresa], é a pessoa física”, afirma. “O assédio afeta psicologicamente a pessoa [que é alvo], é uma questão de saúde também, não apenas um debate sobre gênero e condições de trabalho.”
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