Pesquisa da Unifesp revisita colaboração da Folha de S. Paulo com ditadura militar brasileira

Reportagem de Vasconcelo Quadros publicada ontem pela Agência Pública revelou documentos e testemunhos que corroboram a colaboração da Folhade S.

Atualizado em 05/07/2023 às 17:07, por Redação Portal IMPRENSA.


O material foi obtido pelo Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf), ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e confirmaria indícios de que o Grupo Folha tinha agentes da repressão como seguranças e emprestava carros de distribuição de jornais que eram usados para disfarçar operações da ditadura.
Um dos episódios teria ocorrido em setembro de 1971, na rua João Moura, zona oeste da capital paulista, quando três guerrilheiros da Ação Libertadora Nacional (ALN) foram surpreendidos por policiais que estariam dentro de veículos da Folha. Crédito: Reprodução Ag?ncia Pública Em resposta a colaboração da Folha com agentes da repressão, veículo do jornal foi incendiado por membros da ALN Um dos testemunhos foi dado ao Caaf por Marival Chaves do Canto, ex-agente de informação do Exército, que atuou no DOI-CODI (Destacamento de Operações e Informações e Centro de Operações de Defesa Interna).
Repórteres e redatores

A pesquisa também afirma que agentes da repressão eram contratados como repórteres e redatores da Folha. Entre eles estariam delegados do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), incluindo o temido Sérgio Fleury, acusado de torturar e matar oponentes políticos.
Ainda de acordo com o trabalho acadêmico, a relação com a ditadura era de conhecimento dos principais dirigentes da Folha.
Em resposta à colaboração com agentes da repressão, veículos da Folha sofreram emboscadas e foram incendiados por guerrilheiros que lutavam contra a ditadura e eram denominados como terroristas pelo jornal. Em duas ações distintas, uma em setembro de 1971 e a outra no mês seguinte, a ALN incendiou três veículos do jornal. A Folha condenou os ataques em um editorial. Publicado na primeira página, o texto foi escrito e assinado de forma inédita pelo próprio Octávio Frias de Oliveira, dono do veículo, e argumentava que o país tinha “um governo sério, responsável e com indiscutível apoio popular”.
Ante novas ameaças da ALN, Frias mudou-se com toda a família para o prédio da Folha, situado na alameda Barão de Limeira, no centro da capital paulista, e a partir dali teria passado a contar com um aparato de segurançaa do próprio DOPS.