Pedro Cardoso segue com polêmica sobre nudez e critica a revista Playboy

Pedro Cardoso segue com polêmica sobre nudez e critica a revista Playboy

Atualizado em 25/11/2008 às 16:11, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

Pedro Cardoso segue com polêmica sobre nudez e critica a revista Playboy

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Após chamar a atenção por fazer um "manifesto anti-nudez" - em que criticou a presença da pornografia disfarçada de arte ou entretenimento no meios de comunicação de massa e o efeito que isso tem sobre o trabalho dos atores - o ator Pedro Cardoso, o Agostinho do programa global "A Grande Família", continua a gerar polêmica com o assunto, desta vez, envolvendo a revista Playboy , da Editora Abril.

Em seu , Cardoso publicou uma troca de e-mails entre ele, uma jornalista e um editor da revista, cujo conteúdo começa com um pedido de entrevista da Playboy sobre o manifesto - lido no dia 08 de outubro, durante o lançamento do filme "Todo Mundo Tem Problemas Sexuais", no Rio de Janeiro (RJ) -, passa por entrevista da jornalista para o ator, e termina com um posicionamento colérico de Cardoso contra a revista.

Reprodução
Pedro Cardoso
Publicado no dia 15 de novembro, o primeiro post do blog explica como tudo começou: "Poucos dias depois do lançamento do filme, eles me procuraram pedindo uma entrevista. Eu não acho que uma revista como a Playboy tenha nenhum interesse verdadeiro em saber o que eu penso, e considerei o convite apenas uma jogada oportunista. O modo como eles iriam conduzir a entrevista e como a iriam apresentar (depois de editada e comentada) teria a intenção de desacreditar as minhas idéias".

No entanto, o ator considerou a proposta "interessante", e resolveu pedir para entrevistar a jornalista. Ele explica que não cita o nome dela nem o de seu editor porque seu assunto "é com o investidor que o emprega. Ele é apenas o capataz do interesse econômico de alguém; é apenas um profissional capacitado a reproduzir no Brasil o modelo estrangeiro de uma revista que é igual no mundo inteiro".

Inversão de papéis

Segundo Cardoso, foram feitas 35 perguntas - que seriam publicadas na Playboy - num texto em que ele tentaria "demonstrar que quem trabalha num ambiente onde a pornografia busca se disfarçar de entretenimento inocente precisa desenvolver uma enorme confusão conceitual a respeito do que seja uma coisa e outra. Esta confusão é fundamental para que a pessoa suporte conviver com a agressão da pornografia à sua própria sensibilidade; é preciso convencer-se de que ela é qualquer outra coisa, erotismo, libido, sensualidade, para poder tratá-la como algo socialmente aceitável e todos poderem continuar frequentando os salões de fina e educada".

Após questionar a jornalista sobre seu cargo, as formas de pagamento da Playboy , os entrevistados e as mulheres que posam para a capa, entre outros assunto, ele perguntou sobre a presença da pornografia disfarçada de obra de arte ou entretenimento inocente nos meios de comunicação em massa. De acordo com Pedro Cardoso, a jornalistas respondeu que está "é uma discussão fora de contexto".

"Os grandes sucessos de cinema do ano passado, os grandes sucessos de bilheteria, foram filmes em que não há nudez, como 'Tropa de Elite', 'A Grande Família', e que na época da pornochanchada havia muito mais excesso de nudez e também considero aquilo que eu falei para você, que pornografia é um ponto de vista. E que, talvez, no seu ponto de vista, já que você escreveu a respeito, a pornografia esteja de fato em todos os lugares. Do meu ponto de vista, não", teria dito a repórter.

Discordância dos termos

No texto original de cinco mil toques enviado à revista, ele escreveu que "todo jornalista sempre tem uma tese sobre o entrevistado que ele tenta provar através das perguntas que faz. Ele acredita que fazendo as perguntas certas obterá as respostas que supõe, e elas irão delinear a tese na qual ele acredita". O ator também disse que tentou provar a tese que "uma pessoa de uma revista que combina pornografia e matérias intelectualizadas habita exatamente o lugar onde a pornografia tenta se disfarçar de arte (tanto que ali o nu é chamado de artístico) e que para executar esta tarefa ela tem que convencer-se de conceitos muito vagos e imprecisos a respeito do que seja pornografia e arte".

Após o envio da entrevista, Cardoso afirma que foi comunicado que esta seria publicada na íntegra no site da Playboy , para que pudesse "ter mais audiência". "Dessa forma eles obteriam o que sempre quiseram. Aproveitar-se-iam do momento em que manifesto idéias contrárias ao interesse deles, ofereceriam um espaço para mim (mas espaço esse que eles controlam) e, sob o disfarce da generosidade, diriam sobre o que eu disse o que eles quisessem dizer, e teriam a mim como uma atração a mais na revista deles para ajudá-los, ainda que modestamente, a vendê-la. Interesse jornalístico honesto, nenhum", afirmou.

Ele não aceitou a publicação no site, e obteve a resposta do chefe da jornalista de que a entrevista não havia ficado no "padrão de qualidade" da revista, e que, portanto, não seria publicada. O editor teria afirmado que Cardoso "optou por não desenvolver uma tese no seu texto, apenas transcrever uma entrevista que nada acrescenta ao leitor da revista ou mesmo ao seu manifesto anti-pornografia".

Polêmica com o editor

O editor acabou respondendo às mesmas perguntas feitas para a repórter, para serem publicadas no blog do ator. Na questão sobre a presença da pornografia disfarçada de obra de arte ou entretenimento inocente nos meios de comunicação em massa, ele afirmou que "todo mundo já "pensou" demais sobre o manifesto. E completou: "Se você me permite, eu prefiro não pensar nada. Mas você conseguiu agitar os cadernos de cultura. Isso foi divertido".

Na última pergunta do ator ("Alguma coisa do que você me respondeu fez você pensar algo que você não havia pensando antes?"), ele afirma que o editor da Playboy respondeu que só faltava uma coisa: "se eu convidar a (e ele citou uma pessoa, supostamente, de minhas relações pessoais) para posar para a Playboy você vai ficar muito bravo?".

Cardoso escreveu em seu blog que não o havia autorizado a falar de terceiros na conversa, que não era uma pessoa a quem se diga gracinhas, que não trabalhou seriamente 30 anos para ouvi-las de um proxeneta, e que ele era um idiota. "Disse também que ele não era ninguém, que ele editava uma revista que seria igualzinha se outro a editasse, que quando ele morresse (o que seria o melhor momento da vida dele) o mundo não notaria a diferença. Disse que ele estava chateadinho porque não havia conseguido me atrair para a revista dele como queria e que a raiva que ele sentia o fez me ofender na última pergunta".

Pedro Cardoso termina dizendo que "a Playboy não publica nada que possa levar o leitor a pensar em algo que possa fazer com que ele perca a vontade de comprá-la no mês seguinte. Ele foi bem rápido em lembrar que eu já havia concedido uma entrevista a Playboy , mas esqueceu de dizer que eles não publicaram aquela minha resposta. Isso ele não mencionou para não evidenciar a falta de liberdade em que ele trabalha".

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