Pecados capitais em entrevistas de emprego
Pecados capitais em entrevistas de emprego
Atualizado em 27/08/2010 às 11:08, por
Lucia Faria.
Jovem jornalista, com apenas 23 anos, faz entrevista de emprego em minha agência. Bem vestida, conversa com a timidez normal em qualquer conversa desse tipo. Entregamos o teste para ser feito em casa, uma forma que nos pareceu indicada para dar tempo ao candidato de pesquisar melhor o tema e o perfil do cliente. Embora fosse um planejamento estratégico para determinada empresa, deixamos claro que não esperávamos um resultado tão aprofundado, mas ideias e alternativas criativas. Nada que alguém acostumado a atuar na área de comunicação corporativa não consiga fazer.
O retorno ficou além da média, realmente surpreendente para uma profissional tão jovem. Mas algumas situações começaram a incomodar. Era como se o nosso cliente tivesse sido "encaixado" num PowerPoint já existente. Havia certas forçadas de barra, porcas e parafusos que espanavam um pouco. A martelada final aconteceu quando nos deparamos com o nome do porta-voz da empresa: não era ninguém relacionado ao nosso briefing. Ou seja, além de copiar o planejamento de outro cliente, provavelmente da empresa onde ela trabalha atualmente, ainda é distraída o suficiente para não perceber o furo.
Mesmo assim, insisti e a chamei para um segundo teste. Desta vez para fazer um release, só que agora em nossa sede. Simples. O resultado comprovou o que eu já desconfiava. Sem condições.
Com tudo isso, queria deixar aqui alguns conselhos para quem busca emprego:
Não finja. Seja você mesmo e assuma suas incompetências também. Afinal, você será desmascarado muito em breve. De que adianta dizer que sabe inglês se não tem condições de ir além do básico? Com frequência me disponho a ensinar quem não sabe, mas não suporto ter de ensinar a quem "dizia" que sabia.
Copiar tem limites. Se a moça acima tivesse se inspirado num planejamento já existente e o adaptasse com pertinência para o meu cliente eu não veria problema algum. O complicado é não ter discernimento do que funciona ou não para cada empresa. E achar que vale tudo para todos.
Falar mal, nem de sua família. Costumo olhar nos olhos dos candidatos. E já me dei mal algumas vezes por não seguir minha intuição. Em uma dessas vezes, foi com um rapaz que falou mal da empresa anterior. Foi rápido perceber que o problema poderia não ser do ex-chefe.
Ouça. Essa é uma tecla que costumo repetir. As pessoas estão muito ansiosas para falar... e se esquecem de ouvir. Pergunte mais sobre a empresa que pretende lhe contratar. Praticamente ninguém me questiona sobre os rumos da minha agência daqui 5 anos, por exemplo. Ou você não está preocupado em saber o que irá lhe acontecer no futuro?
Agora que terminei de escrever este artigo, com dicas bastante sucintas, sigo correndo para uma reunião com um prospect. Isso significa que também serei sabatinada. Ele me olhará dos pés à cabeça, fará perguntas intrigantes, esperará respostas inteligentes e pedirá um planejamento criativo. E eu torcerei para fecharmos o contrato. Tudo igual a uma entrevista de emprego. Lá vou eu.

O retorno ficou além da média, realmente surpreendente para uma profissional tão jovem. Mas algumas situações começaram a incomodar. Era como se o nosso cliente tivesse sido "encaixado" num PowerPoint já existente. Havia certas forçadas de barra, porcas e parafusos que espanavam um pouco. A martelada final aconteceu quando nos deparamos com o nome do porta-voz da empresa: não era ninguém relacionado ao nosso briefing. Ou seja, além de copiar o planejamento de outro cliente, provavelmente da empresa onde ela trabalha atualmente, ainda é distraída o suficiente para não perceber o furo.
Mesmo assim, insisti e a chamei para um segundo teste. Desta vez para fazer um release, só que agora em nossa sede. Simples. O resultado comprovou o que eu já desconfiava. Sem condições.
Com tudo isso, queria deixar aqui alguns conselhos para quem busca emprego:
Não finja. Seja você mesmo e assuma suas incompetências também. Afinal, você será desmascarado muito em breve. De que adianta dizer que sabe inglês se não tem condições de ir além do básico? Com frequência me disponho a ensinar quem não sabe, mas não suporto ter de ensinar a quem "dizia" que sabia.
Copiar tem limites. Se a moça acima tivesse se inspirado num planejamento já existente e o adaptasse com pertinência para o meu cliente eu não veria problema algum. O complicado é não ter discernimento do que funciona ou não para cada empresa. E achar que vale tudo para todos.
Falar mal, nem de sua família. Costumo olhar nos olhos dos candidatos. E já me dei mal algumas vezes por não seguir minha intuição. Em uma dessas vezes, foi com um rapaz que falou mal da empresa anterior. Foi rápido perceber que o problema poderia não ser do ex-chefe.
Ouça. Essa é uma tecla que costumo repetir. As pessoas estão muito ansiosas para falar... e se esquecem de ouvir. Pergunte mais sobre a empresa que pretende lhe contratar. Praticamente ninguém me questiona sobre os rumos da minha agência daqui 5 anos, por exemplo. Ou você não está preocupado em saber o que irá lhe acontecer no futuro?
Agora que terminei de escrever este artigo, com dicas bastante sucintas, sigo correndo para uma reunião com um prospect. Isso significa que também serei sabatinada. Ele me olhará dos pés à cabeça, fará perguntas intrigantes, esperará respostas inteligentes e pedirá um planejamento criativo. E eu torcerei para fecharmos o contrato. Tudo igual a uma entrevista de emprego. Lá vou eu.






