Patrões, jornalistas e sindicato estão entre os culpados por crise na mídia francesa, diz ex-diretor da AFP

Patrões, jornalistas e sindicato estão entre os culpados por crise na mídia francesa, diz ex-diretor da AFP

Atualizado em 05/02/2009 às 16:02, por Cristina Palmeira,  colaboração ao Portal IMPRENSA e  de Paris.

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Os patrões, o sindicato do livro, os jornalistas e a história são responsáveis pela crise na imprensa francesa, segundo o Jean Miot, ex-diretor da Agência France-Presse e do jornal Le Figaro . Ele argumenta que nos anos 80, período de vacas gordas, os barões da imprensa, embalados forte afluxo de anunciantes, favoreceram a publicidade e deixaram de lado os leitores.

Divulgação
Jean Miot
Os jornalistas também têm a sua parcela de culpa, pois, na opinião de Miot, os coleginhas franceses privilegiaram suas próprias idéias sobre os anseios dos leitores e não se preocuparam com o púbico gostaria de ler.

Os sindicalistas não escapam de Miot. Ele alerta que o custo de produção de um jornal francês é cerca de 40% superior aos congêneres anglo-saxões. A França apresenta ainda uma outra particularidade, vinda do período da Segunda Guerra Mundial: em 1944, a imprensa foi nacionalizada, e uma publicação só podia ser criada com o aval do Governo. "O pecado original da imprensa francesa é justamente esta ausência de fundos, uma sub-capitalização", comenta Miot.

Para fazer frente às dificuldades da imprensa, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, convocou os "Estados Gerais da Imprensa", um instrumento singular, algo como uma câmara setorial através do qual o Governo se reúne com os principais atores deste segmento para discutir e encontrar novos caminhos. O resultado de tais encontros foram medidas como a redução dos impostos para os difusores de títulos. Na França, existem cerca de 30 mil pontos de venda - número bem inferior a paises como Alemanha. Nas bancas, é possível encontrar, aproximadamente, 1,8 mil títulos diferentes.

Sarkozy anunciou ainda que duplicará as campanhas publicitárias na imprensa e, para conquistar novos leitores, jovens franceses, ao completarem 18 anos, terão uma assinatura gratuita de um jornal diário a sua escolha. "Agora, a bola está no campo da imprensa e dos editores", conclui Miot.

Na França, a imprensa francesa emprega cerca de 100 mil profissionais e como dizia Albert Camus "a imprensa é a consciência de uma Nação".

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