Parlamento Europeu vota moção de censura a anúncios com estereótipos sexuais

Parlamento Europeu vota moção de censura a anúncios com estereótipos sexuais

Atualizado em 10/09/2008 às 17:09, por Redação Portal IMPRENSA.

Membros do Parlamento Europeu votaram, na semana passada, uma moção de censura aos anunciantes do continente por abuso de "estereótipos sexuais". Entre os alvos da proibição, estava o anúncio de mídia impressa para a Dolce & Gabbana que mostrava uma mulher usando sapatos salto-agulha, com o corpo preso ao chão e cercada por homens suados em jeans apertados. Outro caso foi o do personagem "Mr. Clean", que representa um produto de limpeza dos anos 50, sob a alegação de que a publicidade do produto dava a entender que só um homem seria forte o bastante para enfrentar a sujeira.

Com 504 votos a 110, o Parlamento vai acatar um relatório de aplicação não compulsória sobre os estereótipos sexuais na publicidade, como forma de estimular o setor a debater esse tipo de prática. O debate pode terminar em adoção de normas legais compulsórias, de acordo com Mary Honeyball, legisladora britânica e membro do Comitê de Direitos da Mulher e Igualdade de Sexos do Parlamento, que preparou o relatório. "O que eu acredito que o relatório possa causar é encorajar o setor de publicidade, nos países membros da União Européia, a adotar práticas melhores".

Segundo matéria do jornal britânico Herald Tribune , com essa votação, a instituição parlamentar está suscitando alarme, porém, quanto a imagens e fotografias provocantes que muitos consumidores poderiam considerar benignas. A preocupação, de acordo com o relatório do comitê, é que os estereótipos vistos na publicidade possam restringir "a liberdade de mulheres, homens, meninas e meninos, ao limitar os indivíduos a papéis artificiais e predeterminados que são muitas vezes degradantes, humilhantes e estúpidos para ambos os sexos".

Na França, os legisladores do Senado estão debatendo uma proposta, que já foi aprovada pela Assembléia Nacional, de impor multas de 45 mil euros, ou US$ 64 mil, por propaganda que promova ou incite a anorexia. O Parlamento Europeu colocou em pauta a questão, ao conclamar os anunciantes a "considerar cuidadosamente seu uso de mulheres extremamente magras na publicidade de seus produtos".

No ano passado, o governo espanhol também decidiu agir quanto a isso, exigindo que a Dolce & Gabbana retirasse de circulação seu anúncio de "fantasia de estupro". Os estilistas da empresa de moda, sediada em Milão, terminaram por ceder, mas não antes de observar, na imprensa italiana, que a Espanha "estava um pouco atrasada", e que os suntuosos anúncios tinham natureza artística. Quando legisladores italianos começaram a protestar sobre o mesmo anúncio, ele foi igualmente retirado na Itália.

Outros estereótipos sexuais e imagens degradantes, considerados vilões por Honeywell em seu relatório, inclui um anúncio da LG que mostra um homem musculoso nu, de costas, diante de uma máquina de lavar roupa. Em contrapartida, um rapaz de terno cinzento, em um anúncio da Lufthansa, e uma mulher com um pegador de panelas nas mãos, observando um bolo que está assando em um forno, da Miele, também estão na lista de "maus exemplos".

Malte Lohan, porta-voz da Federação Mundial de Anunciantes, organização que congrega 55 associações nacionais de anunciantes em cinco continentes, disse que a associação estava cautelosa quanto à "retomada constante do debate sobre o papel da publicidade na discriminação sexual". "A preocupação essencial que temos é que a da mistura de duas coisas distintas: estereótipos sexuais, por um lado, e discriminação e imagens degradantes, por outro", disse.

Eva-Britt Svensson, represente da Suécia no Parlamento Europeu e uma das autoras do relatório sobre imagens publicitárias, disse que, a essa altura, os legisladores estão pressionando, simplesmente, pela adoção de um código de auto-regulamentação da parte dos anunciantes. Mas ela sugeriu que os consumidores ajam por conta própria. "Se eles tiverem mais informação e estiverem mais conscientizados sobre o impacto dos estereótipos sexuais, poderiam começar a boicotar produtos", afirmou.