Para ONU, invasão de celular de Bezos foi tentativa de silenciar cobertura do Washington Post sobre Arábia Saudita
Em um furo dado nesta quarta (22) pelo jornal britânico The Guardian, os consultores do Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organizaçãodas Nações Unidas (ONU), Agnes Callamard e David Kaye, afirmaram que o hackeamento do telefone do dono do jornal americano Washington Post e fundador da Amazon, Jeff Bezos, foi uma tentativa de silenciar a cobertura do jornal sobre a Arábia Saudita.
Atualizado em 22/01/2020 às 18:01, por
Redação Portal IMPRENSA.
O Guardian teve acesso em primeira mão aos resultados de investigação aberta após um tabloide publicar nos EUA uma reportagem com conversas e fotos íntimas de Bezos com sua companheira, a jornalista Lauren Sánchez. Segundo o relatório da ONU, o vazamento ao tabloide pode ter sido obra da Arábia Saudita. Príncipe saudita teria enviado arquivo de vídeo por WhatsApp para Jeff Bezos em 2018 Os dois especialistas defendem a necessidade de "investigação imediata" pelos EUA do caso, e classificaram a invasão como “um esforço para influenciar, se não silenciar, a cobertura do Washington Post sobre a Arábia Saudita”.
A invasão teria ocorrido em 2018, após Bezos ter recebido um arquivo de vídeo de uma conta de WhatsApp usada pelo príncipe saudita Mohammed bin Salman. Os dois haviam trocado telefones em um jantar na Califórnia um mês antes.
Após o recebimento do vídeo, o volume de dados sendo transferidos do celular de Bezos aumentou em 300%. Para a ONU, o príncipe herdeiro decidiu vigiar o empresário para impedir a publicação de reportagens do Washington Post sobre a Arábia Saudita e o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, ocorrido também em maio de 2018, no consulado saudita da Turquia.
Crítico do governo saudita, Khashoggi era colunista do Whashington Post e foi assassinado por agentes do regime saudita. A Arábia Saudita classifica as acusações de absurdas e pediu uma investigação independente





