Para Juliana Brum, assessorias de imprensa ainda estão defasadas em termos de tecnologia
Para Juliana Brum, assessorias de imprensa ainda estão defasadas em termos de tecnologia
Entre a redação de um jornal e o escritório de assessoria de imprensa parece haver, para alguns, um grande abismo de interesses. No entanto, a escassez de vagas nas redações tem feito com que muitos profissionais desistam da carreira na redação para se dedicarem às empresas de assessoria de comunicação. Trabalhando com o que gosta e tocando seu próprio negócio, a assessora de imprensa Juliana Brum não está entre esses casos.
Logo no início de sua faculdade, em 2000, ela optou por começar os estágios acadêmicos em veículos de comunicação, que incluem o jornal O Estado de S.Paulo , revistas O Bairro - que já não existe -, Cidade e Vero (de Alphavile) e Agência Estado. Com a experiência, Juliana notou que não era o tipo de trabalho que gostaria de exercer e decidiu arriscar a chance em redações de televisão. Conhecou, então, os bastidores da TV Cultura e Band (nesta última, produziu os programas "Jornal da Band" e "Brasil Urgente"). "Me apaixonei por isso e achei que iria ficar para sempre lá". Mas, por motivos financeiros, teve de deixar os estágios.
Foi então que, durante uma viagem, uma amiga a convidou para trabalhar na agência InPress Porter Novelli. Na época em que começou a atuar na empresa, Juliana enfrentou a crise que paralizou toda a equipe. Ivandel Godinho, o proprietário, fora sequestrado e assassinado. Lá, a então recém-formada jornalista, aprendeu a exercer o papel de assessora e ficou por três anos. Dentro desse período, atendeu a primeira conta de sua carreira, a do shopping Anália Franco.
Convidada para assessorar o Auditório Ibirapuera por um mês, na área musical, acabou ficando por mais tempo - um ano -, até conseguir concluir o sonho de ter o próprio negócio. Atualmente com 27 anos, a paulista comanda a empresa Preto no Branco Assessoria, há seis meses no mercado, onde atende artistas e eventos. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Juliana contou sobre suas atuações como assessora indepentende e contratada.
IMPRENSA - Você sofreu alguma crítica por ter trocado as redações pela assessoria?
Juliana Brum - Eu ouvi poucas críticas e mais apoio. Todos acharam que era meu caminho, que era meu sonho e que era para eu correr atrás. Mesmo porque eu não saí de nenhum lugar com portas fechadas. Todos me falaram que se eu quisesse voltar, eu poderia. E não duvido que eu possa voltar.
IMPRENSA - Como vê a relação entre jornalistas e assessores atualmente?
Juliana - Hoje, já não há muito preconceito entre profissionais de assessoria e jornalismo. Os assessores dependem dos jornalistas para publicarem notas, releases, e os jornalistas dependem dos assessores para confirmar e checar informações.
IMPRENSA - Você acha que as assessorias estão profissionalizadas?
Juliana - É complicado, mas todas são grandes escolas. Há assessores que não escrevem tão bem, mas que são ótimos vendedores de pauta. As assessorias têm revisores que checam esses textos. Mas acho que algumas são defasadas em termos de tecnologia, por exemplo a internet, que nem todas têm serviços de blogs e sites para os clientes.
IMPRENSA - Qual o papel, então, da Internet na vida dos assessores?
Juliana - Ela será a grande aliada, daqui para frente, dos artistas, para divulgarem seus suas obras, o que facilita bastante o trabalhos da assessoria. É uma ferramenta altamente rápida de disseminar informações. Por exemplo, quando eu assessorava o Auditório Ibirapuera, uma pessoa ligou perguntando se a Yoko Ono ia fazer um show lá. Eu, sem a menor idéia, perguntei para o produtor artístico se era verdade e ele explicou que houvera um almoço com o produtor Apollo 9 e os representantes da Yoko sobre a possibilidade de um show. Apollo comentou o fato com o amigo J. B. Medeiros, jornalista do Estadão, e ele, por sua vez, publicou em seu blog. Logo em seguida, até a Globo estava telefonando lá para saber se era verdade.
IMPRENSA - Trabalhando com artistas e eventos, já passou por alguma situação constrangedora?
Juliana - Estava assessorando o TIM Festival. O músico Edgar Scandurra chegou atrasado para assistir ao show e um jornalista, que estava com o ingresso dele, deixou o bilhete para entregar a ele. Outros profissionais que estavam cobrindo o evento acharam que isso não era certo, porque pensaram que o jornalista queria ajudar uma pessoa a entregar sem ter ingresso. Se irritaram e uma jornalista do site EGO [do G1] tirou uma foto minha e colocou em destaque no site, me acusando de ter ajudado o Edgar a entrar só porque ele era famoso. Ela escreveu algo do tipo "Assessora, com seu charme, coloca Edgar para dentro", escrevendo coisas que não eram verdades. No final, ela foi obrigada a tirar do ar, pouco tempo depois de publicar, porque eu, claro, recorri.
IMPRENSA - E em termos de situação de crise? Já passou por alguma complicada?
Juliana - A maior que já enfrentei foi quando eu assessorava pela primeira vez sozinha, isso foi durante minha estada na InPress, e meu cliente, no caso, era o shopping Anália Franco. Nessa época, aconteceram aqueles ataques do PCC na cidade, quando tudo parou, e recebei um telefonema do shopping falando que havia uma suspeita de bomba no edifício. Tive que atravessar a cidade até o shopping, à tarde, e estava um caos lá. Todas as lojas fechadas e tive que controlar a situação para que a informação não caísse na imprensa. E no final, era um alarme falso. Eu tinha 25 anos, 2 de formada, e atendia meu primeiro cliente de verdade. E fiquei com muito medo!






