Para Judith Miller, ex-NYT, divulgar informações sigilosas pode ser saudável

Para Judith Miller, ex-NYT, divulgar informações sigilosas pode ser saudável

Atualizado em 16/07/2008 às 14:07, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

Para Judith Miller, ex- NYT , divulgar informações sigilosas pode ser saudável

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Presa por mais de 80 dias em 2005 por se recusar a revelar uma fonte, a jornalista norte-americana Judith Miller discursou na última terça-feira (15) à noite, no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, realizado na cidade de São Paulo (SP), nos dias 14, 15 e 16 de julho.

Judith ficou mundialmente conhecida em 2005, quando era repórter do jornal The New York Times . Na época, ela não quis revelar qual membro do governo George W. Bush revelou a identidade da agente da CIA Valerie Plame. A jornalista só concordou em dizer algo quando Valerie lhe mandou uma autorização por escrito na cadeia liberando-a de seu sigilo.

Ela afirmou que a liberdade de imprensa global declinou em 2007, e que os ambientes para o jornalismo estão mais hostis. "A maioria dos países do mundo impõe severas restrições à atuação dos jornalistas. Nos últimos sete anos, houve um aumento de dez vezes no número de jornalistas intimados a depor em processos judiciais, mostrando a fragilidade das relações entre imprensa e governo", disse.

Para tentar explicar porque as relações entre imprensa e governo têm sido tão tensas nos Estados Unidos, a jornalista citou os ataques terroristas de 11 de setembro, em 2001, e a morte de cinco americanos contaminados por antrax.

"O fato é que nossas vidas mudaram drasticamente após 11 de setembro. Passamos a ser monitorados 24 horas por dia, passamos a ser vistos como um agente cobrador da segurança pública", explicou Judith.

Segundo Judith, "ao longo dos anos, mais danos foram causados pelo sigilo governamental do que pela publicação de informações sigilosas pelos jornalistas. A segurança nacional não foi abalada pela divulgação; vazar informações às vezes pode ser saudável".

A jornalista acredita que uma forma de driblar esse cerceamento à liberdade de imprensa é o surgimento das mídias sociais, como blogs, sites segmentados e publicações gratuitas online. "O surgimento das novas mídias é uma verdadeira revolução, comparável à revolução proporcionada pela imprensa de Gutenberg."

Entretanto, não acredita em uma solução única. Mas considera que sua obrigação é "lutar pela aprovação de uma lei especial para manter em sigilo a identidade de nossas fontes".

Foto: Divulgação

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