Para diretora da BBC Brasil, distância permite enxergar o país com mais clareza
Veículo aposta em pautas mais aprofundadas e cria novas linguagens para atrair público nas redes sociais
Atualizado em 03/04/2018 às 17:04, por
Denilson Oliveira.
Recentemente, a BBC Brasil completou 80 anos de atividade em nosso país. Mesmo pertencendo a um dos grupos de mídia mais tradicionais de todo o mundo, o veículo vem se adaptando às transformações digitais e mantendo um público fiel.
Crédito:Divulgaçã/BBC Brasil Para entender como é esse desafio de fazer um jornalismo cada vez mais dinâmico, utilizando vários canais para alcançar seu leitor, o Portal IMPRENSA conversou por telefone com Silvia Salek, diretora de redação da BBC Brasil, que comanda desde Londres uma equipe de cerca de 40 jornalistas, divididos entre Inglaterra , São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
À frente da BBC Brasil desde 2014, Salek conta que a principal vantagem de se escrever para o Brasil mesmo estando longe do país é a maneira diferente como se enxerga a notícia aqui e lá fora. “A distância faz com que abordemos alguns temas sem nos influenciarmos pelas paixões locais. É um outro olhar. Ao mesmo tempo que é mais claro e cirúrgico, também é mais didático, porque também temos o leitor de outros países”, diz.
E a responsabilidade de levar um conteúdo de qualidade para seus leitores é grande: entre os 39 serviços em língua estrangeira da BBC (excluindo o que é feito em inglês) o brasileiro é o segundo mais acessado do mundo, somente atrás da BBC Mundo – que produz conteúdo para toda a América Latina. Enquanto a página em espanhol tem cerca de 25 milhões de page views, a brasileira tem 20 milhões. Além disso, os textos da BBC Brasil também são publicados em grandes portais, como Folha.com, Uol, G1 e R7.
“Antes produzíamos cerca de 40 textos diários. Mas de uns tempos para cá reduzimos apenas para 12. Dessa forma, conseguimos nos dedicar mais às reportagens e entrar mais a fundo no assunto”, explica. Segundo ela, fugir um pouco de temas que dominem o noticiário nacional também chama atenção do leitor. “Também procuramos publicar pautas sobre o Brasil que sejam de interesse não só para o leitor interno, mas para o de outros países também”.
Entre os assuntos nacionais que mais despertam a curiosidade do internauta lá de fora estão: Amazônia, Lula e Pelé. “Esses temas sempre dão audiência. Mas, recentemente, o assassinato da vereadora Marielle Franco também teve bastante destaque. Até o serviço coreano se interessou pela cobertura”, conta. Atualmente, cerca de 40% do que é publicado no portal são reportagens originais feitas pela equipe da BBC Brasil, o restante são textos vindos da Inglaterra ou outros países.
Redes sociais
Nas redes sociais a BBC Brasil vem ganhando bastante destaque. Com cerca de 3 milhões de seguidores no Facebook, o veículo aposta em linguagens inovadoras para cativar seu público. A mais recente é o que Salek chama de notícia visual.
“Sempre nos perguntamos o que temos que fazer para convencer as pessoas a compartilharem nosso conteúdo. Foi então que resolvemos pegar as reportagens que tiveram bastante audiência no site e transforma-las em um infográfico para o Facebook. Isso aumento a viralização de nossas matérias. Fizemos um sobre o que são direitos humanos que teve mais de mil compartilhamentos. Também publicamos um infográfico sobre o bate-boca entre os ministros do STF que ultrapassou a marca de 6 mil compartilhamentos”, conta.
De olho nesse público das mídias digitais, Salek adianta que em breve a fan page da BBC Brasil no Facebook lançará outros formatos de conteúdo. “Um deles será um programa de estúdio contando como nossas reportagens são feitas”. Outro projeto em pauta é um sobre a diversidade regional do Brasil. “Queremos mostrar histórias de personagens de partes pouco conhecidas de nosso país”, diz.
80 anos no Brasil
A BBC Brasil está completando oito décadas de atividades no país. O serviço de broadcast britânico desembarcou no final de década de 1930, como uma emissora de rádio em ondas médias.
“O senhor Hitler entrou hoje à noite em Viena”.Com essas palavras, dois dias após a anexação da Áustria pela Alemanha, o locutor Manuel Braune, conhecido como "Aymberê", marcava a primeira transmissão em rádio da BBC em português para o Brasil há 80 anos.A transmissão ocorreu na noite de 14 de março de 1938 nos estúdios de Broadcasting House, perto da estação de Oxford Circus, no centro de Londres, em noite de gala com música de orquestra e a presença de convidados como o embaixador brasileiro no Reino Unido, Raul Régis de Oliveira.
No Brasil, o interesse pela cobertura da Segunda Guerra aumentou ainda mais com o envio dos pracinhas à Itália, em julho de 1944. E o noticiário que vinha em português de Londres, toda noite, em horário nobre, passou a ser o único no país a trazer as vozes dos soldados brasileiros na frente de batalha.
Entre os correspondentes de guerra brasileiros cobrindo as atividades da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, o anglo-gaúcho Francis Hallawell, o "Chico da BBC", era o único equipado com um aparelho portátil pioneiro que permitia a gravação de áudios em disco.
Nos anos 1950, a BBC fechou vários serviços dirigidos a países europeus - como Portugal, Noruega, Dinamarca e Holanda. Mais tarde, com a democratização dos antigos países comunistas após a queda do Muro de Berlim, já não se via mais razões para manter serviços como, por exemplo, o croata, o romeno, o búlgaro e o polonês.
A Seção Brasileira escapou de várias ameaças de cortes, ou por ter sua relevância reiterada por acontecimentos políticos no país ou, mais tarde, por se reinventar e conquistar um espaço próprio no concorrido mercado nacional de jornalismo.
Durante o regime militar, em meio à censura e ao AI-5, a BBC Brasil era uma das poucas emissoras a divulgar relatórios denunciando tortura e morte de presos políticos e a abrir seus microfones a críticos da ditadura.
A transmissão via rádio da BBC Brasil foi encerrada em 2000, quando a empresa decidiu focar sua cobertura jornalística em sua página da internet.
mídia.JOR 4.0 Na próxima sexta-feira, dia 6, Dmitry Shishkin, responsável pelo desenvolvimento digital e inovação para os sites da empresa em 40 idiomas, incluindo a BBC Brasil, participará do mídia.JOR 4.0, evento organizado pelo Portal IMPRENSA, que será realizado em São Paulo e discutirá a indústria 4.0 e as novas tecnologias para o futuro do jornalismo. Sua participação será online e com moderação de Renato Cruz, curador do evento. As inscrições para o mídia.jor 4.0 estão abertas e podem ser feitas pelo site do evento (clique ).
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Crédito:Divulgaçã/BBC Brasil Para entender como é esse desafio de fazer um jornalismo cada vez mais dinâmico, utilizando vários canais para alcançar seu leitor, o Portal IMPRENSA conversou por telefone com Silvia Salek, diretora de redação da BBC Brasil, que comanda desde Londres uma equipe de cerca de 40 jornalistas, divididos entre Inglaterra , São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
À frente da BBC Brasil desde 2014, Salek conta que a principal vantagem de se escrever para o Brasil mesmo estando longe do país é a maneira diferente como se enxerga a notícia aqui e lá fora. “A distância faz com que abordemos alguns temas sem nos influenciarmos pelas paixões locais. É um outro olhar. Ao mesmo tempo que é mais claro e cirúrgico, também é mais didático, porque também temos o leitor de outros países”, diz.
E a responsabilidade de levar um conteúdo de qualidade para seus leitores é grande: entre os 39 serviços em língua estrangeira da BBC (excluindo o que é feito em inglês) o brasileiro é o segundo mais acessado do mundo, somente atrás da BBC Mundo – que produz conteúdo para toda a América Latina. Enquanto a página em espanhol tem cerca de 25 milhões de page views, a brasileira tem 20 milhões. Além disso, os textos da BBC Brasil também são publicados em grandes portais, como Folha.com, Uol, G1 e R7.
“Antes produzíamos cerca de 40 textos diários. Mas de uns tempos para cá reduzimos apenas para 12. Dessa forma, conseguimos nos dedicar mais às reportagens e entrar mais a fundo no assunto”, explica. Segundo ela, fugir um pouco de temas que dominem o noticiário nacional também chama atenção do leitor. “Também procuramos publicar pautas sobre o Brasil que sejam de interesse não só para o leitor interno, mas para o de outros países também”.
Entre os assuntos nacionais que mais despertam a curiosidade do internauta lá de fora estão: Amazônia, Lula e Pelé. “Esses temas sempre dão audiência. Mas, recentemente, o assassinato da vereadora Marielle Franco também teve bastante destaque. Até o serviço coreano se interessou pela cobertura”, conta. Atualmente, cerca de 40% do que é publicado no portal são reportagens originais feitas pela equipe da BBC Brasil, o restante são textos vindos da Inglaterra ou outros países.
Redes sociais
Nas redes sociais a BBC Brasil vem ganhando bastante destaque. Com cerca de 3 milhões de seguidores no Facebook, o veículo aposta em linguagens inovadoras para cativar seu público. A mais recente é o que Salek chama de notícia visual.
“Sempre nos perguntamos o que temos que fazer para convencer as pessoas a compartilharem nosso conteúdo. Foi então que resolvemos pegar as reportagens que tiveram bastante audiência no site e transforma-las em um infográfico para o Facebook. Isso aumento a viralização de nossas matérias. Fizemos um sobre o que são direitos humanos que teve mais de mil compartilhamentos. Também publicamos um infográfico sobre o bate-boca entre os ministros do STF que ultrapassou a marca de 6 mil compartilhamentos”, conta.
De olho nesse público das mídias digitais, Salek adianta que em breve a fan page da BBC Brasil no Facebook lançará outros formatos de conteúdo. “Um deles será um programa de estúdio contando como nossas reportagens são feitas”. Outro projeto em pauta é um sobre a diversidade regional do Brasil. “Queremos mostrar histórias de personagens de partes pouco conhecidas de nosso país”, diz.
80 anos no Brasil
A BBC Brasil está completando oito décadas de atividades no país. O serviço de broadcast britânico desembarcou no final de década de 1930, como uma emissora de rádio em ondas médias.
“O senhor Hitler entrou hoje à noite em Viena”.Com essas palavras, dois dias após a anexação da Áustria pela Alemanha, o locutor Manuel Braune, conhecido como "Aymberê", marcava a primeira transmissão em rádio da BBC em português para o Brasil há 80 anos.A transmissão ocorreu na noite de 14 de março de 1938 nos estúdios de Broadcasting House, perto da estação de Oxford Circus, no centro de Londres, em noite de gala com música de orquestra e a presença de convidados como o embaixador brasileiro no Reino Unido, Raul Régis de Oliveira.
No Brasil, o interesse pela cobertura da Segunda Guerra aumentou ainda mais com o envio dos pracinhas à Itália, em julho de 1944. E o noticiário que vinha em português de Londres, toda noite, em horário nobre, passou a ser o único no país a trazer as vozes dos soldados brasileiros na frente de batalha.
Entre os correspondentes de guerra brasileiros cobrindo as atividades da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, o anglo-gaúcho Francis Hallawell, o "Chico da BBC", era o único equipado com um aparelho portátil pioneiro que permitia a gravação de áudios em disco.
Nos anos 1950, a BBC fechou vários serviços dirigidos a países europeus - como Portugal, Noruega, Dinamarca e Holanda. Mais tarde, com a democratização dos antigos países comunistas após a queda do Muro de Berlim, já não se via mais razões para manter serviços como, por exemplo, o croata, o romeno, o búlgaro e o polonês.
A Seção Brasileira escapou de várias ameaças de cortes, ou por ter sua relevância reiterada por acontecimentos políticos no país ou, mais tarde, por se reinventar e conquistar um espaço próprio no concorrido mercado nacional de jornalismo.
Durante o regime militar, em meio à censura e ao AI-5, a BBC Brasil era uma das poucas emissoras a divulgar relatórios denunciando tortura e morte de presos políticos e a abrir seus microfones a críticos da ditadura.
A transmissão via rádio da BBC Brasil foi encerrada em 2000, quando a empresa decidiu focar sua cobertura jornalística em sua página da internet.
mídia.JOR 4.0 Na próxima sexta-feira, dia 6, Dmitry Shishkin, responsável pelo desenvolvimento digital e inovação para os sites da empresa em 40 idiomas, incluindo a BBC Brasil, participará do mídia.JOR 4.0, evento organizado pelo Portal IMPRENSA, que será realizado em São Paulo e discutirá a indústria 4.0 e as novas tecnologias para o futuro do jornalismo. Sua participação será online e com moderação de Renato Cruz, curador do evento. As inscrições para o mídia.jor 4.0 estão abertas e podem ser feitas pelo site do evento (clique ).
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