Palavra do Presidente - Alberto Júnior / UEMA Bacabal
Palavra do Presidente - Alberto Júnior / UEMA Bacabal
O IBGE divulgou no início do mês de Dezembro uma pesquisa onde aponta a obesidade como fator de maior preocupação do que a fome no Brasil. Até aí tudo bem, nenhum político influente, nem jornalista renomado, muito menos entidades não governamentais nacionais ou estrangeiras se manifestaram.
Quem deu seu parecer como sobrevivente e vencedor dos problemas sociais brasileiros, em especial a fome e a miséria do nordeste, foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Torna-se importante e necessário lembrar que para vivermos a plenitude democrática, precisamos dar voz e vez a qualquer cidadão e respeitar suas opiniões e idéias.
Pois bem, o presidente numa solenidade fez questão de lembrar, de modo bastante simples e sano, não com a autoridade de um chefe de Estado, mas como ex-retirante nordestino, que no Brasil quem passa fome tem vergonha de dizer isso às pessoas. Principalmente em se tratando de desconhecidos. Tudo sem contestar a seriedade do trabalho ou pôr em dúvida a competência dos profissionais daquele instituto.
Dois pesquisadores, porem, se sentiram ofendidos e proferiram frases que só se explicam mesmo no estado de pico emocional. A imprensa brasileira tratou de confrontar as declarações do presidente e dos funcionários públicos, com o intuito de causar um mal estar entre sociedade e poder executivo. Para frustração geral, não conseguiu!
Assim como alguns políticos do próprio partido dos trabalhadores, o PT, ainda não entenderam que para se ter governabilidade é preciso fazer alianças (Ou seja, fingir de morto para traçar o do coveiro), muitos jornalistas continuam se comportando como verdadeiros defensores de uma cartilha que prega um conceito, ou melhor, um preconceito a quem estiver no poder.
O que mais temos visto na imprensa brasileira é o cerceamento do direito à liberdade de expressão, garantido no Art. 5º da Constituição Federal. O Lula aprendeu com os erros e acertos do dia-a-dia. Portanto, não poderia ele jamais falar a seu povo como se já não fizesse mais arte dele, se expressando como qualquer almofadinha preocupado com a repercussão do discurso nos veículos de comunicação no dia seguinte.
Colegas jornalistas, o presidente é um homem do povo e governa para estes. Como então deveria se dirigir às massas? Com o discurso voltado aos trabalhadores camuflando as ações endividatórias do governo populista inaugurado com Vargas e findado por Goulart, em razão do golpe de 1964, sem esquecer os 50 anos em 5 de Kubtschek? Como os próprios militares, um ditador? Com o academicismo de Sarney? Um demagogo como Collor?
Por falar nisso, teve até um gringo correspondente do New York Times que confundiu o Brasil com a Casa da Dinda ou da Mãe Joana, achando que aqui poderia achincalhar a autoridade máxima da nação e ficar por isso mesmo. Deveria ter sido expulso, se fosse em seu país qualquer um de nós o seria por muito menos. Democracia não é baderna e liberdade jamais deve ser confundida com libertinagem.
Gostariam que Lula se igualasse a Fernando Henrique e seus neologismos, além do surpreendente clima de realeza pairando no ar? Pelo amor de deus, quando temos à frente da nação alguém que consegue falar a língua do povo, por ter vindo dele, os jornalistas esquecem os quatro anos na faculdade e todo aquele esforço para fugir do politiquês, economês, gramatiquês, etc e tal. Esquecem, ainda, todas as teorias pregando a linguagem coloquial, cotidiana, o mais clara possível, a lingüística. Parece até que o Lula estudou e aprendeu direitinho.
Não se esqueçam do histórico dia 13 de maio de 1979, no Estádio de Vila Euclides em São Bernardo do campo, ABC paulista, quando 50 mil metalúrgicos estiveram concentrados sob o comando de ninguém menos que Luiz Inácio, em plena ditadura militar. E caso estejam com amnésia, relembrem ou busquem em livros de história as fotos da concentração popular no dia 16 de abril de 1984 no vale do Anhangabaú, SP, que reuniu 1 milhão de pessoas pedindo diretas já. Naquela época já havia faixas sugerindo um certo metalúrgico para presidente.
Lula é da Silva não por acaso. Nosso primeiro presidente representante da classe trabalhadora tem o sobrenome que vem de Silvícola. Palavra que significa originário da selva, nativo. Os Silva são maioria no Brasil porque descende dos nativos equivocadamente chamados de índios por Américo Vespúlcio e sacramentado por Pero Vaz de Caminha. Os portugueses acreditavam ter chegado à Índia, as piadas de português até que realmente fazem sentido!
Diferente de hoje, os nativos eram donos desta imensa terra que outros deram o nome de Vera Cruz. Lula é o Brasil e o Brasil é da Silva. O que incontestavelmente legitima a ascensão de um trabalhador ao poder pelo voto popular.
São apenas 2 anos de governo, contra 5 século de ilusões. Não devemos esquecer das palavras finais no discurso da Avenida Paulista, quando foi divulgado o resultado oficial das eleições presidenciais, já na madrugada de 04 de Outubro de 2002. Visivelmente emocionado e quase aos prantos o agora ex-metalúrgico declara: "ninguém mais irá duvidar da classe trabalhadora nesse país". Palavras do presidente.






