Padrão japonês pode coibir investimentos estrangeiros na TV digital brasileira
Padrão japonês pode coibir investimentos estrangeiros na TV digital brasileira
Na última sexta-feira (22), durante o 5º Fórum Internacional de TV Digital, no Rio de Janeiro, o tema que esteve em foco dos participantes foi o padrão de sinal digital japonês adotado pelo Brasil, o ISDB-T. Mario Baumgarten, diretor de relações institucionais da Nokia Siemens Networks, declarou que o uso desse sistema pode representar uma barreira a investimentos estrangeiros no país, principalmente em telefonia móvel, já que tem apenas 4,8% do mercado mundial, sendo 2% no Japão e 2,8% no Brasil, contra 85% do sistema DVB-H + 3GSM - que é usado pela Nokia.
"O Brasil não segue os passos daquilo que se faz no mundo. O passo número 1 é a massificação e o modelo brasileiro não está levando a isso.", disse. Para se conseguir essa massificação, segundo o diretor, seria necessário atingir pelo menos 15% do mercado mundial, e assim, o modelo pago juntaria operadoras de televisão a cabo e operadoras de celular e teria um custo baixo para o consumidor.
Baumgarten apresentou números que indicam 335 milhões de usuários de celular com televisão em 2012, em um mercado que deve chegar a 11 bilhões de euros em 2010. Porém, segundo ele, pesquisas realizadas na Suécia mostraram que os usuários estariam inclinados a pagar no máximo 7 euros por mês para ter TV paga no celular.
Por outro lado, o gerente de desenvolvimento de terminais da Vivo, Átila Xavier, acredita que ainda é cedo para dizer se o Brasil escolheu o sistema digital errado. "É preciso aguardar para ver se foi a melhor decisão ou não. O tempo vai dizer isso. É precoce dizer que está fadado ao fracasso porque tem uma participação de mercado pequena. Outras tecnologias e soluções começaram pequenas e depois se mostraram grandes e boas."
De acordo com publicação da Agência Brasil, entre as diferenças dos dois sistemas, está o fato de que o modelo japonês é gratuito e o DVB-H associado ao 3GSM é pago. Com relação a isso, o vice-presidente de novos negócios da Samsung, Benjamin Sicsú, acredita que a gratuidade é um dos fatores que vão influenciar o mercado. "Esse é um produto que o cidadão vai comprar bastante, pois ele não paga nada [para assistir TV].". Por ora, o único celular vendido no país que recebe televisão digital é da marca Samsung.
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