Sindjornal: Justiça manda Tribuna de Alagoas reintegrar diretor do Sindicato
Sindjornal: Justiça manda Tribuna de Alagoas reintegrar diretor do Sindicato
Sindjornal: Justiça manda Tribuna de Alagoas reintegrar diretor do Sindicato Menos de 24 horas após a demissão arbitrária do vice-tesoureiro do Sindicato dos Jornalistas, a Justiça do Trabalho determinou ontem à tarde (25/12) que a Tribuna de Alagoas reintegre o profissional. A decisão foi tomada após ação cautelar impetrada pelo Sindjornal, que apresentou pedido de tutela antecipada. O mandado de reintegração será entregue aos diretores e à editoria do jornal nesta sexta-feira, por um oficial de justiça.
A decisão em tempo recorde demonstra o quanto foi ilegal a demissão do jornalista, que goza de imunidade sindical. Além de uma perseguição política ao profissional, o objetivo da empresa era atingir o sindicato e a organização dos jornalistas, por terem cobrado o pagamento de salários atrasados e o cumprimento de direitos trabalhistas. Junto com o tesoureiro do Sindicato, os diretores e o editor geral da Tribuna demitiram outros seis repórteres e redatores, sendo mais da metade por perseguição política.
"Se eles pensavam que iam ganhar essa causa na Justiça ou prejudicar o diretor do sindicato com um desfecho demorado no Judiciário, enganaram-se redondamente", disse o presidente do Sindjornal, Carlos Roberto Pereira. Segundo ele, apesar da demissão ocorrer intencionalmente às vésperas do Natal e no início do recesso da Justiça, o juiz plantonista Luiz Jackson Miranda Júnior, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), atuou de forma bastante ágil, evitando danos ao jornalista. Em seu despacho, cuja íntegra o sindicato divulgará ainda hoje, o magistrado estabelece uma multa de R$ 1.000,00 por dia, caso a Tribuna não cumpra a liminar de reintegração.
Novo processo
O Sindjornal vai reunir os sete jornalistas demitidos arbitrariamente pela Tribuna para dar início à outra ação judicial, desta vez por danos morais. A ação vai se basear no fato de que os profissionais, assim como toda a redação do jornal, sofreram assédio moral semanas antes da demissão. Na oportunidade, quando os trabalhadores cobravam o salário atrasado de outubro e aprovavam um indicativo de greve - direito previsto na Constituição - o editor geral, Manoel Miranda, chamou um a um para a sua sala, ameaçando demitir quem aderisse à paralisação. E foram justamente os jornalistas que não recuaram que foram demitidos nesta véspera de Natal.
Além da ameaça de demissão concretizada pela empresa, a editoria também humilhou e causou constrangimentos aos trabalhadores pela forma como os demitiu e por questionar publicamente a competência dos mesmos. Profissionais com até doze anos de serviços prestados e que nunca tiveram a atuação contestada, de repente passaram a não prestar para a empresa, e foram expostos ao ridículo na redação. Isto também caracteriza assédio e será usado contra a empresa na ação.
Manifestação
Ontem à tarde o Sindjornal realizou manifestação em frente à sede da Tribuna para protestar contra as demissões arbitrárias e denunciar o caso à sociedade. O ato contou com a participação e a solidariedade do movimento sindical, que repudiou o autoritarismo da diretoria, do editor e dos proprietários do jornal, entre eles o ex-governador Ronaldo Lessa. Estiveram presentes, além da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AL), algumas das principais entidades classistas de Alagoas, como o Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Urbanitários, Sindicato dos Previdenciários, Sindicato dos Trabalhadores da Educação e Sindicato dos Trabalhadores da Ufal.
A solidariedade aos demitidos e contra a perseguição política da diretoria também partiu dos demais jornalistas da empresa, que paralisaram a redação por algum tempo para participar da manifestação. "Isto demonstra não só coleguismo, espírito de justiça e consciência de classe, mas também uma forma de expor a indignação", disse o presidente do Sindicato. De acordo com Carlos Roberto, apesar das demissões arbitrárias e do assédio moral terem abalado a redação, não significa que os jornalistas vão baixar a cabeça e passar a aceitar irregularidades trabalhistas, principalmente o atraso de salários. "É bom lembrar que a empresa não pagou o 13º salário para ninguém e sequer quitou o vencimento de novembro para o pessoal da administração".
A diretoria do Sindjornal se reúne na próxima terça-feira para discutir e definir novas atividades de mobilização, tanto em relação às demissões quanto aos salários atrasados. "Esperamos que a empresa resolva essas pendências até lá, porque o sindicato e os trabalhadores não vão esperar indefinidamente", avisou Pereira. 





