Justiça seja feita: Lançamento de livro pretende reavivar caso dos ataques do PCC em São Paulo 

Justiça seja feita: Lançamento de livro pretende reavivar caso dos ataques do PCC em São Paulo 

Atualizado em 02/02/2007 às 16:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Justiça seja feita: Lançamento de livro pretende reavivar caso dos ataques do PCC em São Paulo Hoje (02/02), às 19hs, ocorrerá o lançamento do livro "Crimes de Maio", na Recanto Cultural Lua Nova, no bairro do Bixiga - centro da capital paulistana.

Publicado pela Imprensa Oficial de São Paulo, o livro apresenta o resultado do trabalho realizado por entidades de direitos humanos na Comissão Independente que acompanhou a investigação dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) e das mortes ocorridas em São Paulo.

No primeiro semestre do ano passado, a cidade viveu momentos de pavor com a onda de ataques promovida pelo PCC e com a reação violenta da Polícia Militar. Na semana de 12 a 20 de maio, 493 pessoas morreram em todo o estado vítimas de arma de fogo, sendo que a grande maioria dos casos estava relacionada a este episódio. Passados quase nove meses, ninguém ainda foi responsabilizado pelos crimes.

Entre os grupos que compõem a Comissão, estão a Ouvidoria de Polícia, o Conselho Regional de Medicina, a OAB, o Ministério Público Federal, Defensoria Pública do Estado de SP, além de nove entidades de defesa dos dieitos humanos. As comissões acompanham o trabalho de investigação das mortes principalmente a fim de saber se houve ou não excesso por parte da polícia, na resposta aos ataques.

A obra "Crimes de Maio" retrata o crescimento do crime organizado; a falência do Sistema Prisional paulista; a violência policial; a atuação dos grupos de extermínio e a falta de empenho no esclarecimento dos assassinatos de agentes do estado e principalmente civis. Ele é promovido pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) do Governo do Estado de São Paulo.

À época, algumas semanas após os ataques do PCC, relatórios da Comissão Independente foram entregues ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Neles, haviam análises de boletins de ocorrência e de laudos necroscópicos disponibilizados pelo Instituto Médico Legal (IML) - cujas necropsias associaram a causa mortis de diversos envolvidos como decorrente de ferimentos por armas de fogo. O levantamento mostra que os homicídios se concentraram nos dias 14, 15 e 16 de maio, que a maioria das vítimas tinha idade entre 21 e 31 anos, eram do sexo masculino e foram atingidas por balas na cabeça, pescoço e tórax.

A Ouvidoria da Polícia priorizou o acompanhamento dos casos de homicídios registrados como de "autoria desconhecida", com indícios de execução. São 82 ao todo, concentrados na fronteira entre Guarulhos e São Paulo e na zona sul da cidade. Em relação a estes casos, a preocupação é que a autoria desconhecida leve ao arquivamento dos processos.

"A intenção do lançamento do livro é resgatar uma notícia que foi esquecida tanto pelas pessoas quanto pela imprensa. Ocorreu a maior matança dos últimos tempos na cidade de São Paulo no ano passado e as pessoas parece que se esqueceram disso", relata Rose Nogueira, presidente do Condepe.

SERVIÇO:

Quando: Hoje (02/02), às 19hs.

Local: Recanto Cultural Lua Nova (Rua 13 de Maio esquina com rua Conselheiro Carrão) Bixiga, Centro - São Paulo - SP.