Artigo: Pressa para informar, por Fábio Pereira

Artigo: Pressa para informar, por Fábio Pereira

Atualizado em 21/02/2007 às 17:02, por Redação Portal IMPRENSA.

Artigo : Pressa para informar, por Fábio Pereira O tão esperado século XXI, quando para muitos os carros seriam voadores e para outros tantos acabaria o mundo, mostra-se como o século do vai-e-vem frenético de informações de toda espécie. Embora isso ocorra desde o século passado, pode-se dizer que neste limiar do novo tempo a consolidação dessa super velocidade em informar alcançou um grau de evidência muito maior.

Vide a enxurrada de mensagens que inunda as caixas postais eletrônicas, que nasceram armazenando humildes bytes, evoluíram timidamente para megas e hoje suportam gigas de informação. Vê-se tudo isso com naturalidade, mas se fosse nos anos áuricos dos vovôs e vovós, que dependiam do Corrreio, seria inusitada a necessidade de pendurar, de tempos em tempos, uma caixa de correspondências maior no portão de casa.

Chegamos a nos perguntar se há tanto mesmo para informar. Será que não se tornou uma banalidade relatar algo? Blogs e mais blogs surgem apenas para que alguém diga que brigou com o amor da sua vida, que gosta de certas músicas ou que simplesmente odeia o garoto-propaganda das Casas Bahia. No orkut, o que manda é a quantidade. Tanto a de amigos quanto a de recados. Então, o que mais existem são mensagens dizendo "só passei para dar um oi...", com a devida (e imprescindível) ressalva: "deixe um recado para mim também...".

É momento de se pensar até que ponto essa forma simplista de trocar informações está contaminando os grandes meios de comunicação. Estes, naturais espelhos refletindo as nuances das atitudes humanas em seu tempo, não devem fugir da responsabilidade. O que mais se vê no jornalismo, em todos os meios, são lemas do tipo "2 minutos pelo mundo", "notas rapidinhas", "notícias em 30 segundos e nada mais". O que era para ser uma ferramenta da dinâmica jornalística está se tornando um vício. É preciso difundir conteúdos que importem e façam diferença, e deixar de coroar a superficialidade com o título de rainha, tratando como plebe o aprofundamento das pautas.