Na noite do próximo domingo (27), acontece no Kodak Theatre, em Hollywood, o Oscar, evento mais concorrido da imprensa americana. O Portal IMPRENSA entrevistou o crítico e comentarista de cinema da Rádio CBN, Marcos Petrucelli, que participou da cobertura da premiação por quatro vezes, em 1999, 2000, 2001 e 2003. Marcos falou sobre os bastidores, a organização do evento e a influência da critica sobre a decisão da academia.
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Portal IMPRENSA - Nas vezes em que você cobriu o Oscar, como foi?
Marcos Petrucelli - Quando pensamos em qualquer coisa em relação aos Estados Unidos, o que vem a mente é a organização. Eu confesso que o tratamento dado aos jornalistas é de primeira. Você é bem recebido independente do país e do veículo da qual faz parte. Além disso, a estrutura e a disponibilização de equipamentos são ótimas. Das vezes que fui, chegava aos Estados Unidos uma semana antes para preparar a cobertura e ficar de olho no que estava acontecendo. Fora que, na semana que antecede a premiação, a academia realiza diversas atividades e coletivas com a imprensa.
Portal IMPRENSA - Como fica a distinção entre jornalistas estrangeiros e nacionais?
Marcos Petrucelli - Existe uma questão de prioridade e contatos. É claro que veículos maiores e nacionais possuem um privilégio, digamos, compreensível. Não por parte da assessoria, mas pelas próprias fontes que o jornalista já cultivou. Existem dois tipos de credenciais. Uma dá acesso à área de imprensa durante a premiação, neste caso os americanos são privilegiados, ou estrangeiros que cobrem o evento há muito tempo. Algo comum que acontece em toda premiação, Cannes também é assim. A outra credencial te dá o direito de ficar no local do evento somente até o meio dia, depois disso você vai para um prédio ao lado do local do evento.
Portal IMPRENSA - É difícil o processo de credenciamento?
Marcos Petrucelli - Nem tanto. Se você é jornalista, estiver passando por Los Angeles, e comprovar que trabalha em um veículo, eles te dão a credencial. Claro, aquela que não é VIP. É muito comum ver jornalistas com as duas credenciais. Eu mesmo já peguei os dois tipos.
Portal IMPRENSA - O que o Oscar representa para a imprensa daquele país?
Marcos Petrucelli - Eles levam muito a sério. De todas as vezes que fui cobrir, não observei nenhum jornalista fazendo chacota, ou zombando da premiação. Mas fazendo criticas contundentes. É até uma questão de orgulho para a imprensa séria. Já aqui no Brasil, muitas vezes temos uma cultura de sempre criticar. Então tudo o que a gente faz ou é muito ruim, ou está relacionado à mania de criticar. De fato, quando vemos premiações brasileiras de cinema elas são muito ruins, desorganizadas, os discursos não são controlados.
Portal IMPRENSA - O que você diria para o jornalista que está cobrindo o evento?
Marcos Petrucelli - Primeiro que ele não pode ser arrogante. Tem que ter muito respeito e estar disposto a aprender, e entender que são centenas de jornalistas e veículos que estão ali com o mesmo interesse. Muitas vezes, você vai disputar com um jornalista que já é amigo do ator ou diretor, mas o negócio é não desistir. Chegando lá o jornalista vai ver que cobrir o Oscar é uma experiência única.
Portal IMPRENSA - Qual festa brasileira chega mais próxima da organização do Oscar?
Marcos Petrucelli - Sem dúvida, o Festival de Gramado. É a melhor produção do país. Tem horário rígido, lugar muito bom para a imprensa. Os discursos são controlados. Claro, às vezes o premiado exagera, mas ai é com ele. Tem também um forte concorrente que é o Festival de Paulínia, ainda está evoluindo, mas a produção é bem feita.
Portal IMPRENSA - E o peso da critica? Qual a influência dela sobre a decisão da academia?
Marcos Petrucelli - Isso e fácil de responder. A premiação anterior ao Oscar, que é o Globo de Ouro, é feita por jurados jornalistas. Quem ganha no Globo de Ouro tem uma grande chance de também levar o Oscar. Além disso, a academia leva muito a sério a opinião da crítica, que é vista como o maior termômetro para a premiação.
Portal IMPRENSA - E no Brasil, qual o papel da critica?
Marcos Petrucelli - É muito complexo. É importante observar os tipos de crítica. A primeira é a mais reflexiva, que acompanha o cinema de arte e o cinema independente. Ela tenta não só ver os pontos de vista estéticos, mas também técnicas de filmagem e, sobretudo o conteúdo intelectual. Outra critica é mais de mercado, aquela que vai pontuar um filme para que o público médio possa acompanhar. E tem também a critica na internet, aquela em que a colaboração é bem grande e acaba refletindo um ponto de vista diversificado.
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