Os sonhos não envelhecem?/ Por Graziane Madureira - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Os sonhos não envelhecem?/ Por Graziane Madureira - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Há quase uma semana o trecho de uma música me inquieta. Escutei um dia desses, pela Rádio Educadora da Bahia, a música Clube de Esquina nº 2. A canção foi escrita no começo dos anos 70, pelos jovens irmãos Marcio e Lô Borges e Milton Nascimento. Apesar de já tê-la escutado várias vezes, e de achar-la muito boa, desta me chamou atenção: "Porque se chamavam homens/ também se chamavam sonhos/ e os sonhos não envelhecem". Os sonhos não envelhecem! Os sonhos não envelhecem?
Essa pergunta ficou martelando em minha cabeça por um bom tempo. Será mesmo que os sonhos não envelhecem? Comecei a pensar. No ano em que essa música foi escrita o Brasil e o mundo viviam em um período peculiar. Guerra Fria, Guerra do Vietnã, corrida espacial, Ditadura Militar, repressão, censura, tortura. São temas políticos e econômicos ainda frescos em nossa memória.
Mas, em paralelo, ocorria uma verdadeira revolução na cultura, nos costumes e, principalmente, na cabeça dos jovens. A revolução sexual, com a chegada da pílula anticoncepcional; a era de aquários; a paz e amor dos hippys e o reencontro com a natureza; roque; drogas; música popular brasileira; discoteca, dentre tantos outros elementos que influenciaram uma geração, os anos 60/70.
O que chama atenção nos jovens daquela geração, é que um elemento os unia: o sonho da revolução; da pregada paz e liberdade; da luta por uma sociedade mais justa, com menos desigualdades, tiranias e corrupção; o sonho de um dia todos os homens poderem conviver como irmãos. Os métodos poderiam ser diferentes - uns queriam brigar com armas, outros com flores - mas, os objetivos se comungavam "caminhando e cantando e seguindo a canção", afinal eram "todos iguais braços dados ou não".
Você pode dizer, "um minuto, esses anseios os jovens do hoje também os têm". E eu lhe digo: concordo, essas questões são pregadas por pessoas de qualquer idade, mas, a diferença, e que antes os jovens não esperavam, iam embora, porque esperar não é saber e "quem sabe faz a hora não espera acontecer".
Depois de muito refleti, minha inquietação se transformou em angustia. È claro nos cerca de quarenta anos que se passou houve muitos avanços tecnológicos, científicos, econômicos etc, um ponto positivo; mas, também, agravaram-se os problemas sociais e as disparidades econômicas. A inércia que se encontra nos jovens de hoje é preocupante. A geração coca-cola, internet, pokemón, videogame buscam outras coisas. É o reflexo de uma sociedade altamente consumista e individualizada. Perdeu-se a preocupação com a coletividade. A cultura se vê estampa na vitrine. Os sonhos envelheceram e "nossos ídolos ainda continuam os mesmos".






