"Os jornalistas precisam ser flexíveis", afirma diretor de jornalismo multimídia da BBC
"Os jornalistas precisam ser flexíveis", afirma diretor de jornalismo multimídia da BBC
Não há mais dúvidas de que o jornalismo contemporâneo incorporou a era das novidades online. Uma imprensa multimídia, na qual os internautas contribuem e participam cada vez mais com os noticiários, é o principal tema das discussões que conectam os usuários e os produtores dos meios de comunicação. E isso não é um trocadilho.
Com o objetivo de explicar as ações que a BBC realiza para se adaptar a essa nova realidade, Pete Clifton, diretor de jornalismo multimídia da emissora em Londres, discursou sobre as novidades no último debate em comemoração aos 70 anos da BBC no Brasil, na última quinta-feira (14), em São Paulo.
"Desde 2001, a audiência da BBC TV caiu 6% e o rádio se manteve praticamente constante. Quem cresceu foi a internet e as novas mídias online, o que mostra que a BBC é uma empresa que pode representar também essas novas mídias".
Clifton afirma que, atualmente, muitos jornais e revistas vêm passando suas edições para a web, publicando vídeos e notícias online. "Assim como a BBC está fazendo. Há muita concorrência. Estamos embutindo vídeos em nossa página já na próxima semana, e não somos os primeiros", declara. Outra modificação compreenderá o tamanho do site. "Estamos para trás no design, vamos ampliar a página e, mais para frente, ela ficará personalizável", anuncia.
Outra importante mudança na estrutura da emissora, apontada por Clifton, envolve a sala de redação. "Falta conexão entre as equipes de televisão, rádio e internet. A proposta é integrar as equipes em um único ambiente".
Em entrevista exclusiva ao Portal IMPRENSA, Pete Clifton afirmou que para ser um bom profissional multimídia, o jornalista precisa ser flexível. "Esse é um mundo que te consome muito, as coisas mudam rapidamente e cada vez mais depressa, pressionando você. Por isso, precisamos trabalhar duro. Os jovens jornalistas precisam possuir diferentes habilidades e freqüentar todos os lugares que puder, aprender todas as coisas que conseguir e estudar o quanto for possível".
"Os dias em que você acorda querendo escrever para um jornal por anos e anos não existirão mais", anuncia o diretor. Questionado sobre a preparação dos profissionais de mídia para enfrentar essa nova realidade, Clifton afirmou que existem faculdades que oferecem bons cursos de multimídia, "mas acredito que ainda existem aquelas muito tradicionais".
Já a adaptação do espectador, que se tornou tão ativo com o jornalismo da Web 2.0, fez com que Clifton lembrasse de sua mãe. "Pessoas como ela, assistem ao jornal da manhã e ao da noite e não acompanham mais nada além disso. Não podemos esquecer desse tipo de telespectador, geralmente os mais velhos, que a cabeça não muda. Devemos continuar a fazer bem esse tipo de programa. No entanto, temos que ver também o outro lado - quem nunca irá assistir a um telejornal, mas que estará sempre envolvido com a notícia, no lugar em que se sente mais confortável, ou seja, na internet".
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