Organizações criam iniciativas para defender jornalistas da Colômbia e do México durante as eleições

As eleições na Colômbia e no México estão mobilizando organizações que defendem a liberdade de imprensa, a criarem iniciativas para responsabilizar candidatos que desrespeitam a imprensa.

Atualizado em 24/05/2018 às 15:05, por Redação Portal IMPRENSA.

As informações são do Centro Knight.


Crédito:Pixabay


Jornalistas dos dois países estão enfrentando candidatos e membros do público hostis à profissão. Alguns, inclusive, são alvo de ataques físicos e verbas e de interferência no exercício da sua profissão.


Na Colômbia, onde as eleições presidenciais e legislativas ocorrerão no dia 27 de maio, os candidatos endureceram seus discursos e campanhas contra a imprensa, desde o início do ano, segundo a Fundação pela Liberdade de Imprensa (FLIP) da Colômbia.


Sebastián Salamanca, advogado e coordenador da área de atenção e defesa dos jornalistas da FLIP, relatou que os candidatos. "iniciaram uma série de comentários ou lançaram declarações que poderiam passar facilmente de críticas válidas a violações do dever de funcionários públicos de manter um discurso favorável à liberdade de expressão. Então pensamos que precisávamos responder a isso em diferentes níveis", explicou.


A FLIP, então, lançou sua campanha #VotoInformado nas redes sociais, principalmente Twitter, com o objetivo de promover um discurso articulado e respeitoso por parte de candidatos, jornalistas e cidadãos em defesa da liberdade de expressão no contexto das eleições.


Segundo Salamanca, a entidade percebeu que alguns candidatos do Congresso começaram a atacar os veículos que os criticavam como uma estratégia de campanha. “Assumimos o trabalho de documentar cada uma dessas declarações feitas por políticos ou candidatos disputando o voto popular", disse.


A FLIP passou, então, a enviar cartas aos candidatos que fizeram declarações falsas ou incitaram a violência contra qualquer meio de comunicação ou jornalista em particular, para explicar por que o que eles disseram violava os padrões internacionais de liberdade de expressão e como era importante retificar ou esclarecer publicamente o que foi dito.


Desde de fevereiro até o início de maio, a fundação documentou 18 ataques de candidatos presidenciais contra a imprensa. A maioria deles foi protagonizada pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Também por meio de sua campanha, a FLIP pediu uma retificação pública no Twitter ao candidato de direita Alejandro Ordóñez, que acusou o jornalista Ramiro Bejarano de ser membro das FARC depois que ele publicou uma coluna crítica sobre o candidato.


A intenção da campanha é aumentar o custo político dos comentários de candidatos que buscam atacar a imprensa recorrendo à desinformação.

No México, cujas eleições presidenciais serão em 1º de julho deste ano,

a Artigo 19, organização internacional pela liberdade de expressão, está participando de dois projetos que buscam promover um ambiente de maior transparência entre os candidatos e a opinião pública durante a campanha eleitoral.


Um é a plataforma de monitoramento de mensagens postadas no Twitter pelos candidatos, #MéxicoSinMiedo2018, realizada em conjunto com a Anistia Internacional. Ela fiscaliza as postagens deles sobre quatro temas

de direitos humanos: violência contra a imprensa, violência de gênero, desaparecimento forçado e detenções arbitrárias.


Além disso, a plataforma também quer fazer a interação entre candidatos e usuários do Twitter em um diálogo que os comprometa publicamente a apresentar propostas concretas que ajudem a resolver os problemas do país.


Por ser considerado o país mais perigoso do hemisfério ocidental para jornalistas, a campanha ainda pede propostas de candidatos para que esses profissionais possam “trabalhar sem medo”.


O outro projeto promovido pela organização é o “Rompe el Miedo” (“Acabe com o medo”), realizado em coordenação com as organizações R3D e Data Cívica.


Seu objetivo é documentar, monitorar e acompanhar os casos de ataques ou ameaças registrados durante as eleições presidenciais e relatá-los às autoridades.


O site de notícias Animal Político também lançou um projeto de verificação de fatos, chamado Verificado 2018, em colaboração com mais de 80 meios de comunicação, universidades e organizações da sociedade civil. A ferramenta vai analisar os discursos em torno da próxima eleição e também treinar jornalistas em novas metodologias e técnicas investigativas para a cobertura eleitoral.


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