Opinião:"Uma imagem não vale nenhuma palavra", por Leandro Ilheu
Recentemente, em uma de minhas aulas de fotojornalismo esportivo válida pela pós-graduação na área esportiva na Anhembi Morumbi (por favor,
Atualizado em 29/08/2017 às 16:08, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Acervo pessoal
não entenda isso como um jabá), aprendi a deixar completamente de lado aquele velho e já ultrapassado conceito de que “uma imagem vale mais do que mil palavras”.
Essa expressão criada pelo filósofo chinês Confúcio, em minha opinião, ao ser aplicada nos tempos atuais e, sobretudo, no ramo da comunicação, está fora de foco, uma vez que soube que uma fotografia pode tanto revelar mais do que uma história, como também pode não mostrar nada de tão interessante para ser contado – daí vem a explicação para o título deste artigo.
Crédito:Neil Leifer Boxeador Muhammad Ali derrota Sonny Liston
o jornalismo esportivo, quando os fotojornalistas estão apostos, prontos para disparar vários cliques por segundo com suas teleobjetivas, normalmente estão preocupados em compor, na foto, um cenário, um episódio que tenha sido marcante no jogo ou alguma situação que se resumiu a partida. Logo, a intenção deles é esclarecer ao público o que pretendia passar com a fotografia.
Contudo, nem sempre o leitor terá a mesma percepção que o outro, uma vez que isso é uma questão de interpretação pessoal. Ou seja, o que eu acho de determinado lance registrado por uma câmera não necessariamente retratará a mesma ideia que o outro tem. Neste sentido, é muito comum haver debates entre os colegas do curso de jornalismo e profissionais da área sobre o que remetia tal imagem e qual teria sido a verdadeira intenção do fotojornalista ao capturar aquele momento. Mas convenhamos: em muitos casos, não existe aquela verdade absoluta.
Crédito:Associated Press Jesse Owens contra Adolf Hitler Exemplo: uma das minhas fotos preferidas e também considerada uma das mais emblemáticas da história do jornalismo esportivo é o momento em que o boxeador Muhammad Ali derrota Sonny Liston. Naquele dia 25 de maio de 1965, em Lewiston, Maine, Estados Unidos, a luta valia pela revanche pelo título mundial dos pesos pesados e, na ocasião, Ali precisou de alguns segundos para nocautear Liston com um gancho, que mais tarde ganhou o apelido de "soco fantasma".
A fotografia de Neil Leifer, quando registra o momento em que o vencedor acabara de jogar seu oponente à lona, pode descrever tanto uma sensação de alívio quanto de desabafo ou até de intimidação, como se ninguém pudesse com Muhammad. Ao meu ver, na minha percepção, o campeão estava mostrando sua autoridade, já que na época era considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos e, sem dúvida, continua sendo.
Outro exemplo que podemos citar é o de Jesse Owens contra Adolf Hitler. Nas Olimpíadas de Berlim em 1936, o atleta norte-americano negro ganhou quatro medalhas de ouro, o que teria contrariado o desejo do ditador nazista de mostrar a supremacia branca alemã.
A imagem, vista como uma das mais marcantes da história dos jogos olímpicos, pode nos remeter ao sentimento de Owens de que estaria com receio ou quem sabe, tenso ao ter subido no pódio para receber seu prêmio enquanto acenava para o Führer, que conforme informações de peritos no assunto, devolvera os cumprimentos mostrando assim uma certa reciprocidade para com o atleta negro.
Resumindo: a fotografia jornalística é muito abrangente e o que vale, ao certo, não é a "palavra", e sim, sua interpretação. Todos nós podemos ter opiniões diferentes e que nem sempre serão as mesmas que o próprio fotojornalista expressou ao capturar determinada imagem. A interpretação é sempre válida, contudo, a real intenção parte apenas do autor da foto, que em alguns momentos, pode se dar o prazer de se questionar sobre o que realmente estava tentando mostrar através de seu registro fotográfico.
*Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.
não entenda isso como um jabá), aprendi a deixar completamente de lado aquele velho e já ultrapassado conceito de que “uma imagem vale mais do que mil palavras”.
Essa expressão criada pelo filósofo chinês Confúcio, em minha opinião, ao ser aplicada nos tempos atuais e, sobretudo, no ramo da comunicação, está fora de foco, uma vez que soube que uma fotografia pode tanto revelar mais do que uma história, como também pode não mostrar nada de tão interessante para ser contado – daí vem a explicação para o título deste artigo.
Crédito:Neil Leifer Boxeador Muhammad Ali derrota Sonny Liston
o jornalismo esportivo, quando os fotojornalistas estão apostos, prontos para disparar vários cliques por segundo com suas teleobjetivas, normalmente estão preocupados em compor, na foto, um cenário, um episódio que tenha sido marcante no jogo ou alguma situação que se resumiu a partida. Logo, a intenção deles é esclarecer ao público o que pretendia passar com a fotografia.
Contudo, nem sempre o leitor terá a mesma percepção que o outro, uma vez que isso é uma questão de interpretação pessoal. Ou seja, o que eu acho de determinado lance registrado por uma câmera não necessariamente retratará a mesma ideia que o outro tem. Neste sentido, é muito comum haver debates entre os colegas do curso de jornalismo e profissionais da área sobre o que remetia tal imagem e qual teria sido a verdadeira intenção do fotojornalista ao capturar aquele momento. Mas convenhamos: em muitos casos, não existe aquela verdade absoluta.
Crédito:Associated Press Jesse Owens contra Adolf Hitler Exemplo: uma das minhas fotos preferidas e também considerada uma das mais emblemáticas da história do jornalismo esportivo é o momento em que o boxeador Muhammad Ali derrota Sonny Liston. Naquele dia 25 de maio de 1965, em Lewiston, Maine, Estados Unidos, a luta valia pela revanche pelo título mundial dos pesos pesados e, na ocasião, Ali precisou de alguns segundos para nocautear Liston com um gancho, que mais tarde ganhou o apelido de "soco fantasma".
A fotografia de Neil Leifer, quando registra o momento em que o vencedor acabara de jogar seu oponente à lona, pode descrever tanto uma sensação de alívio quanto de desabafo ou até de intimidação, como se ninguém pudesse com Muhammad. Ao meu ver, na minha percepção, o campeão estava mostrando sua autoridade, já que na época era considerado um dos maiores pugilistas de todos os tempos e, sem dúvida, continua sendo.
Outro exemplo que podemos citar é o de Jesse Owens contra Adolf Hitler. Nas Olimpíadas de Berlim em 1936, o atleta norte-americano negro ganhou quatro medalhas de ouro, o que teria contrariado o desejo do ditador nazista de mostrar a supremacia branca alemã.
A imagem, vista como uma das mais marcantes da história dos jogos olímpicos, pode nos remeter ao sentimento de Owens de que estaria com receio ou quem sabe, tenso ao ter subido no pódio para receber seu prêmio enquanto acenava para o Führer, que conforme informações de peritos no assunto, devolvera os cumprimentos mostrando assim uma certa reciprocidade para com o atleta negro.
Resumindo: a fotografia jornalística é muito abrangente e o que vale, ao certo, não é a "palavra", e sim, sua interpretação. Todos nós podemos ter opiniões diferentes e que nem sempre serão as mesmas que o próprio fotojornalista expressou ao capturar determinada imagem. A interpretação é sempre válida, contudo, a real intenção parte apenas do autor da foto, que em alguns momentos, pode se dar o prazer de se questionar sobre o que realmente estava tentando mostrar através de seu registro fotográfico.
*Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.






