Opinião: Conciliar interesses públicos e privados é o principal objetivo de uma estratégia de comunicação em assuntos públicos

As ações governamentais e políticas influenciam de maneira expressiva as atividades das empresas, seja no âmbito dos negócios ou institucion

Atualizado em 07/06/2011 às 15:06, por Pedro Corrêa.

Assuntos públicos - e políticos

al. Acompanhá-las, analisá-las e estabelecer uma estratégia de relacionamento que favoreça a posição corporativa, incluindo a valorização da imagem da empresa, é cada vez mais importante para a tomada de decisões.
Atenção ao que ocorre na esfera pública, em todos os níveis de governo, ganha dimensão ainda maior num país como o Brasil, onde, por exemplo, os aspectos regulatórios - frente decisiva para os objetivos de negócio de qualquer empresa - têm sido pautados por critérios políticos em detrimento dos critérios profissionais. É notório o embate de interesses entre o público e o privado travado nos últimos anos em setores como os de telecomunicações (PL 116, sobre entrada das teles nos serviços de TV paga, e plano nacional de banda larga), aviação civil (modernização e ampliação de aeroportos),energia elétrica (política de tarifas e concessões),saúde (planos de seguro), vigilância sanitária (política de medicamentos), para ficarmos apenas em algumas das situações.
Conciliar interesses públicos e privados é o principal objetivo de uma estratégia de comunicação em assuntos públicos, um serviço que cresce em importância entre as agências de relações públicas no Brasil. Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, entidades de classe e organizações não gonvernamentais (ONGs) se incluem entre os interlocutores a serem trabalhados, em grau relativo de importância, conforme o foco da estratégia de relacionamento.
Quatro pontos são fundamentais para o sucesso das relações com governos, garantindo a abertura de canais perenes de relacionamento nas diversas esferas da administração pública. O primeiro deles é o conteúdo, ou seja, a posição da empresa precisa ser defendida com base em argumentos e propostas convincentes, capazes de mostrar benefícios e/ou gerar discussão para que decisões sejam tomadas de maneira equilibrada e em prol de interesses legítimos.
O segundo é o posicionamento, pois envolve autoridade (baseada em conhecimento, especialização, experiência) e legitimidade (fundamentada em razões palpáveis e justificadas) da causa que se quer defender.
O terceiro é o acesso preciso aos canais oficiais adequados, por meio da identificação e o contato com interlocutores com poder de decisão. O quarto é a capacidade de interagir e obter apoio dos stakeholders, incluindo aliados em outros campos do poder e da sociedade.
Esses pilares da estratégia de comunicação voltada para assuntos públicos, só se sustentam se forem costurados com o fio da ética e da transparência. Desses ingredientes depende a manutenção da reputação da companhia, que pode ser facilmente balada diante da volatilidade e inconstância que marcam as relações políticas.

Jornalista e consultor em comunicação corporativa, é executivo sênior e estrategista da Burson-Marsteller no Brasil (pedro.correa@bm.com)