Opinião: "A lição do The Guardian", por Daniela Barbará

É necessário mudar nosso olhar diariamente. Dar realmente apoio a uma mulher nas suas batalhas diárias na vida pessoal e profissional.

Atualizado em 23/05/2018 às 07:05, por Daniela Barbará.

Crédito:Reprodução / The Guardian A advogada de diretos humanos internacional chegou usando um vestido amarelo claro da estilista Stella McCartney. E seu marido estava lá com ela.
Dessa forma, o jornal The Guardian deu uma imensa lição mundial sobre o verdadeiro empoderamento feminino ao comentar a foto de Amal Clooney no casamento real no dia 19 de maio. Ela também é conhecida como esposa do ator norte-americano George Clooney. Viram como é simples? Não precisa de nenhum esforço hercúleo para fazer direito o tão esperado “poder à mulher”.
Vamos falar sobre isso? Dados da Pesquisa de Cargos e Salários realizada pelo Grupo de Trabalho de Recursos Humanos (GTRH) da Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom) revela um universo de 68% de participação feminina nas agências de comunicação. Ou seja, esse é predominantemente um mercado de trabalho feito por mulheres. Mas será que estamos olhando para essa causa em meio ao caos de nossas vidas?
É difícil falar do tema sem pensar que nos bastidores da causa feminina ou então sobre o que realmente significa dar poder à uma mulher; o que claramente incomoda muitas pessoas: vejam caso do assassinato da Marielle Franco. Não estou falando apenas de mulheres em cargos de chefias e tampouco sobre diferenças de salários entre os gêneros. Mas sim de como podemos fazer cotidianamente isso.
Proponho criar regras, para que se se tornem hábitos, que busquem esse olhar atento, como por exemplo, parar de interromper uma mulher quando ela estiver falando; lembrar que o dia dela começou muito antes de estar fisicamente presente: muitas vezes ela tem as tarefas de todos os seus ambientes. Campanhas publicitárias que tratam mulheres como objeto já não tem apelo mais. Criar rótulos e tentar encaixar as mulheres dentro deles só trazem mais pré-conceitos e zero resultado efetivo.
Como prova de que a questão não é apenas local, mas sim global, a ONU Mulheres e o Pacto Global criaram em 2011 os Princípios de Empoderamento das Mulheres, que são um conjunto de considerações que ajudam a comunidade empresarial a incorporar em seus negócios valores e práticas que visem à equidade de gênero e ao empoderamento de mulheres. São eles:
1. Estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível.
2. Tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não-discriminação.
3. Garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa.
4. Promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres.
5. Apoiar empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing.
6. Promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade e ao ativismo social.
7. Medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.
De acordo com a ONU, “empoderar mulheres e promover a equidade de gênero em todas as atividades sociais e da economia são garantias para o efetivo fortalecimento das economias, o impulsionamento dos negócios, a melhoria da qualidade de vida de mulheres, homens e crianças, e para o desenvolvimento sustentável”.
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Crédito:Arquivo pessoal * trabalha há vinte anos com comunicação corporativa. É formada em jornalismo pela FIAM com pós-graduação em Relações Internacionais pela FAAP. Em redações, passou pela Gazeta Mercantil, agência Dinheiro Vivo e outros veículos com maior ênfase em cobertura econômica. Durante três anos trabalhou com comunicação em aviação civil no Brasil e na América do Sul com a GOL, Varig e TAM. Atuou na equipe de gestão de crise da queda do vôo 1907 da Gol. Nos últimos oito anos é diretora de Operações da EVCOM, coordena voluntariamente o grupo de trabalho de RH da Abracom há quatro anos e é professora convidada para aulas sobre comunicação corporativa e gerenciamento de crise para cursos de graduação e pós-graduação.