Em publicado no último domingo (19/10), a ombudsman da Folha de S.Paulo , Vera Guimarães Martins, comentou o pedido de demissão do colunista Xico Sá e destacou o posicionamento do jornal sobre liberdade de opinião e o proselitismo partidário. "A Folha tropeçou ruidosamente na questão", afirma.
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Para ombudsman, jornal "tropeçou" ao barrar coluna de Xico Sá sobre eleições e liberar de outros colaboradores No dia 10 deste mês, Xico escreveu uma coluna na qual declarava voto a Dilma Rousseff (PT). A Secretaria de Redação vetou ao argumentar que o espaço – caderno de Esportes – não poderia ser utilizado para apoiar candidatos e propôs que ele alterasse o texto ou o publicasse na seção "Tendências/Debates", na página A3. O colunista negou a proposta e anunciou seu desligamento nas redes sociais, acusando a "imprensa burguesa" de contar mentiras e investigar apenas um lado.
"Qualquer leitor atento é capaz de identificar as preferências dos colunistas, escancaradas nas defesas que fazem de um determinado candidato ou nos ataques ao seu adversário. Para a direção do jornal, porém, isso não se enquadra no conceito de proselitismo", explica Vera.
A ombudsman menciona que, para a Secretaria de Redação do jornal, fazer propaganda de uma agremiação e declaração de voto configura em proselitismo partidário, o que não inclui a crítica e o elogio a programas de governo, candidatos e partidos, bem como a expressão das inclinações político-ideológicas do colunista.
Vera reconhece a dificuldade em separar uma coisa da outra e aproveita para comentar a do humorista Gregório Duvivier, publicada na mesma segunda-feira (13/10) em que se espalhou a notícia da demissão de Xico. No caderno "Eleições", Duvivier também declarou seu voto no PT.
Falha de controle
"Alguns podem e outros não?", menciona a ombudsman sobre os questionamentos de alguns leitores. "Nesse caso houve falha de controle, admitiu o jornal", diz ela. "Toda coluna é desembargada pelo editor ou por um secretário, a de Duvivier escapou do filtro. O lapso é sintoma de que a sutileza do critério não foi bem compreendida nem internamente", acrescenta.
Segundo a jornalista, a Secretaria de Redação argumenta que a regra foi determinada para evitar que as colunas regulares do jornal virem "palanques" nas eleições, além de tentar estimular um diálogo com os leitores de qualquer viés ideológico e partidário. "A norma caducou diante da multiplicação de colunistas e do acirramento da polarização partidária", pondera.
Crítica
A ombudsman relata ainda que procurou Xico Sá para ouvir seu lado e pedir autorização para publicar no site a coluna suspensa, mas não obteve resposta. Vera diz que o jornalista é "uma pessoa querida", mas que não pode deixar de citar as atitudes que a incomodaram com sua saída.
Para ela, as publicações de Xico nas redes sociais "embolou na mesma vala de suspeição e descrédito todos os jornalistas e retratou os colegas como pusilânimes que se sujeitam a contar mentiras para produzir um 'jornalismo safado'", diz.
Outra atitude criticada foi quanto à afirmação de que ele mentiu muito quando era repórter da Folha e Veja e que um dia vai contar "tudo o que sabe" sobre temas que grandes jornais não deixam publicar. "Conte mesmo, Xico. Insinuações vagas não melhoram o jornalismo, pioram a política e mancham sua biografia", conclui.


