"O papel do jornalismo de investigar o poder público continua fundamental", diz Joshua Benton
"O papel do jornalismo de investigar o poder público continua fundamental", diz Joshua Benton
Na última terça-feira (27), durante o "3º Seminário Internacional de Jornalismo Media On", realizado em São Paulo (SP), Joshua Benton, membro da Fundação Nieman, da Universidade Harvard, salientou a importância do papel investigativo do Jornalismo, ainda que haja, atualmente, a capilaridade de informações proporcionada pela popularização das redes sociais. "É preocupante a falta de atenção em relação ao jornalismo que tem um olhar crítico para o governo. Nos Estados Unidos, as pessoas se preocupam muito com isso, e acho que é algo que merece cuidado", alerta. Ele ressalta que, por mais que as mídias sociais tenham capilaridade, jamais conseguirão substituir o papel do jornalismo investigativo.
Após apresentar diversos números sobre a queda de vendas dos jornais nos Estados Unidos e uma baixa nos empregos de jornalistas - de 60 mil em 1992 para 40 mil em 2009 - Joshua afirmou que depois de uma era de monopólio e de muito lucro, os jornais agora vivem um momento de transição. "Acredito que os jornais não vão desaparecer repentinamente, mas o conteúdo cada vez mais será produzido de formas distintas, muitas pessoas farão o trabalho jornalístico de graça ou porque gostam".
Joshua destaca que por muito tempo as grandes empresas menosprezaram as pequenas e agora estão vendo o preço deste erro. "O velho modelo dos diários já não recebe tanta atenção, todos podem ter acessos ao conteúdo on-line". O especialista ressalta que os jornalistas deverão se posicionar de forma menos arrogante, sem se colocarem como donos da verdade. "Os jornalistas devem ser menos arrogantes e mais humanos". E completa dizendo que os velhos modelos de empresas jornalísticas já não funcionam. "Não existe sistema econômico que suporte mais de 600 pessoas em uma redação".
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