O outro lado do jornal impresso
O outro lado do jornal impresso
Você já parou para pensar, em algum momento, em como funciona a logística de entrega de um jornal impresso que tem circulação diária? Desde meus tempos de estudante sempre fui habituado à leitura e nunca tinha parado para pensar em como era feito esse tipo de trabalho. Talvez uma idéia básica tirada dos meus remotos encontros com o entregador pela madrugada. Como jornalista, conheci muitas redações e, como também não podia deixar de ser, visitei inúmeras gráficas para acompanhar a impressão. Talvez muitos de vocês nunca tenham parado para pensar nesse assunto ou não acreditaram que a entrega do jornal poderia render uma pauta "diferente".
No artigo dessa semana vou descrever uma experiência que tive como entregador de jornal durante alguns dias aqui no Canadá. Um desafio diferente para um jornalista que sempre esteve habituado a transmitir notícias. Diferente do Brasil, aqui no Canadá a entrega do jornal é feita por uma única pessoa, que em alguns casos pode trabalhar com um ajudante.
Em meu primeiro dia como entregador, confesso que fiquei realmente atrapalhado e também assustado. Atrapalhado pelo fato de ter que entregar três jornais diferentes em 200 casas e assustado por saber que, na rota que iria percorrer, era comum encontrar o famoso urso da cor preta. Um tanto exótico para um brasileiro acostumado com a cidade grande. Além desses desafios, o entregador aqui trabalha sete dias por semana e raros são os momentos de folga. Se pensarmos nos U$ 0,23 pagos por cada jornal entregue, um entregador aqui chega a receber mais de U$ 1.500,00 por mês. Isso varia muito de acordo com a quantidade de casas e o tipo de rota.
Nessa minha experiência, pude notar que o leitor canadense é muito exigente e descreve exatamente o lugar que deseja receber o produto. Se é na frente da porta, dentro da caixa de correio, embaixo do tapete ou até, em alguns casos, no lado direito do carro. Se qualquer uma dessas exigências não for seguida à risca e o cliente reclamar no dia seguinte, o entregador deixa de receber o valor daquele jornal. O mesmo é válido para reclamações de jornal molhado ou destruído, já que em Vancouver o tempo não é dos mais amigáveis e é comum temperaturas abaixo de zero, neve e muita chuva.
Para finalizar esse artigo posso dizer somente uma coisa: meus encontros com os ursos não foram nada amigáveis. Frente à frente eles não são tão meigos como parecem e não foram poucas as vezes em que tive que correr para escapar de um longo abraço.






