Quatro anos se passaram e a seção “Diário da Dilma” (Companhia das Letras), da revista Piauí , virou livro. A pedido do então editor da publicação Mario Sergio Conti, o jornalista Renato Terra foi o responsável por dar vida à versão descontraída, informal e bem-humorada de Dilma Rousseff. A obra compila desde o primeiro diário, já citado acima, até maio de 2014.
“Ao longo do tempo fui criando essa personalidade com pegada de adolescente, talvez para contrastar a imagem sisuda e séria que a presidente tem. A ideia sempre foi criar uma figura que pudesse contrapor sua imagem pública. Com o tempo foi ficando mais natural, mais solto”, diz Terra.
O público fiel de “Diário da Dilma” vem de todos os lados, muitos deles da própria esfera política. O ministro Edison Lobão, por exemplo, é fã assumido da seção; o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, confidenciou a uma repórter da Piauí , durante entrevista, que não perde uma publicação e até a presidente da Petrobras, Graça Foster, pediu para que seu nome aparecesse mais vezes no diário.
“Pessoas de diferentes linhas políticas acompanham. O Augusto Nunes, por exemplo, que é de outra linha, colocava no blog dele. Era esse o nosso objetivo: fugir da polarização. Fazemos críticas, mas é ‘carinhosa’, não raivosa. Possibilita uma leitura de quem é simpático a Dilma e vê uma figura mais humana, bem como quem não gosta e enxerga ali as críticas. As pessoas vão lendo de acordo com a visão de mundo delas”, afirma o jornalista.
Crédito:Reprodução Obra compila textos publicados na "Piauí"A exatos dez dias para o segundo turno da eleição que definirá o(a) próximo(a) presidente da República, Terra afirma que ainda não há um futuro definido para “Diário da Dilma”. “Essa será uma decisão do Fernando de Barros e Silva, editor da Piauí . Ainda não sentamos para conversar”, completa.
Questionado se caso Aécio Neves (PSDB) seja o futuro presidente do Brasil, haverá algo semelhante, Terra diz que também é algo a se pensar. “Não sei se repetiríamos o formato diário, é meio que pegar a piada com o bonde andando. O Aécio tem uma personalidade bastante peculiar, não é tão sisudo. Mas, caso aconteça, tem que ser algo diferente”, finaliza.
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