O mundo nebuloso dos jornalistas, por José Marques de Melo
Carente de estudos sistemáticos que desvendem suas peculiaridades e tendências, o mundo dos jornalistas ainda permanece nebuloso em nosso pa
Atualizado em 01/04/2014 às 14:04, por
José Marques de Melo.
Crédito:Leo Garbin ís. Duas obras conquistaram relevância na bibliografia brasileira pela sua originalidade.
Lima Barreto escreveu “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” (1907), retratando com perspicácia, ironia e sarcasmo, o cotidiano da redação do Correio da Manhã, jornal-empresa do começo do século XX.
Samuel Wainer deu conta das transformações vividas pelo Última Hora, jornal-indústria que marcou época, em meados do século passado, com edições simultâneas no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife. Como narrador principal, ele conta a sua “Razão de Viver” a Augusto Nunes, que a transforma em documento póstumo (1988).
Completa esse universo o relato etnográfico feito por Isabel Travancas, radiografando o “ambiente de trabalho” no Jornal do Brasil, dentro e fora da redação, pouco antes do seu desaparecimento (1993).
Desde que fundou o Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Roseli Figaro se tornou legatária desse segmento do estudo jornalístico brasileiro. Seu novo livro, “As Mudanças no Mundo do Trabalho do Jornalista” (São Paulo, Atlas, 2013), reúne evidências do mundo do trabalho dos jornalistas de São Paulo no desabrochar do século XXI, apreendendo basicamente as “mudanças” que determinam sua inserção na vida cotidiana.
Ela conduziu uma exaustiva pesquisa empírica, combinando métodos quantitativos e procedimentos qualitativos, para oferecer uma visão panorâmica das relações ocupacionais nos espaços em que atuam os jornalistas de hoje.
A organizadora da coletânea achou por bem incluir o estudo embrionário do jornalista que atuava no batente, há quarenta anos, sugerindo o contraste notório entre o profissional sindicalizado em 1972 e em 2010. Trata-se do relatório com que o Departamento de Jornalismo da ECA-USP, representado pelo Prof. Jair Borin, compareceu ao 14º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado na cidade de São Paulo, em outubro de 1972.
Apesar de sintético, aquele estudo permite vislumbrar o contraste entre o mundo dos jornalistas no nascedouro da Escola de Comunicações e Artes da USP e o universo do presente. Trata-se de exercício intelectual que desafia as lideranças da categoria, reunidas em Maceió no 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, do dia 3 a 6 de abril, tendo como pano de fundo a conjuntura posterior à sentença do STF que elimina a obrigatoriedade do diploma para o ingresso na profissão.

Lima Barreto escreveu “Recordações do Escrivão Isaías Caminha” (1907), retratando com perspicácia, ironia e sarcasmo, o cotidiano da redação do Correio da Manhã, jornal-empresa do começo do século XX.
Samuel Wainer deu conta das transformações vividas pelo Última Hora, jornal-indústria que marcou época, em meados do século passado, com edições simultâneas no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Recife. Como narrador principal, ele conta a sua “Razão de Viver” a Augusto Nunes, que a transforma em documento póstumo (1988).
Completa esse universo o relato etnográfico feito por Isabel Travancas, radiografando o “ambiente de trabalho” no Jornal do Brasil, dentro e fora da redação, pouco antes do seu desaparecimento (1993).
Desde que fundou o Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Roseli Figaro se tornou legatária desse segmento do estudo jornalístico brasileiro. Seu novo livro, “As Mudanças no Mundo do Trabalho do Jornalista” (São Paulo, Atlas, 2013), reúne evidências do mundo do trabalho dos jornalistas de São Paulo no desabrochar do século XXI, apreendendo basicamente as “mudanças” que determinam sua inserção na vida cotidiana.
Ela conduziu uma exaustiva pesquisa empírica, combinando métodos quantitativos e procedimentos qualitativos, para oferecer uma visão panorâmica das relações ocupacionais nos espaços em que atuam os jornalistas de hoje.
A organizadora da coletânea achou por bem incluir o estudo embrionário do jornalista que atuava no batente, há quarenta anos, sugerindo o contraste notório entre o profissional sindicalizado em 1972 e em 2010. Trata-se do relatório com que o Departamento de Jornalismo da ECA-USP, representado pelo Prof. Jair Borin, compareceu ao 14º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado na cidade de São Paulo, em outubro de 1972.
Apesar de sintético, aquele estudo permite vislumbrar o contraste entre o mundo dos jornalistas no nascedouro da Escola de Comunicações e Artes da USP e o universo do presente. Trata-se de exercício intelectual que desafia as lideranças da categoria, reunidas em Maceió no 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, do dia 3 a 6 de abril, tendo como pano de fundo a conjuntura posterior à sentença do STF que elimina a obrigatoriedade do diploma para o ingresso na profissão.






