“O móvel é parte do futuro do jornalismo”, diz especialista Fernando Firmino
Da “obsoleta” máquina de escrever ao recém-lançado Apple Watch, o primeiro relógio inteligente da marca, pode-se seguramente afirmar que mui
Atualizado em 02/02/2015 às 09:02, por
Gabriela Ferigato.
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ta coisa mudou no universo tecnológico. Lado a lado a essas mudanças está o jornalista, que, além de cobrir e reportar as novidades, as utiliza como ferramentas de trabalho.
O jornalismo móvel é parte desse novo cenário. Segundo Crédito:Divulgação
Fernando Firmino é coordenador do Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Mobilidade (Mobjor) , o móvel é parte do futuro da profissão.
“O consumo de notícias nesses dispositivos é crescente no Brasil e no mundo. Os meios de comunicação dependem cada vez mais dessas plataformas para produzir, circular e distribuir conteúdos. Não temos como prever com exatidão os desdobramentos da mobilidade no jornalismo, mas o mercado de comunicação precisa inovar a partir destas ferramentas em termos de narrativas e modelos de negócios”, destaca Firmino.
De acordo com o especialista, o próprio jornalismo impresso pode se beneficiar com essa convergência tecnológica. “Recursos como QR Code, Aurasma, realidade aumentada, entre outras aplicações, podem reconquistar os jovens para a leitura dos impressos, já que estes estão migrando para as plataformas móveis”, completa.
IMPRENSA - Quais são as tendências do chamado “jornalismo móvel”? Fernando Firmino - A noção de jornalismo móvel se desdobra por duas perspectivas centrais: produção e consumo. Em relação ao primeiro tópico, vemos cada vez mais recursos disponíveis para repórteres, como o uso de smartphones e tablets aliados às conexões de quarta geração (4G), aplicativos de captura, edição, distribuição de conteúdos e transmissão ao vivo. Além de inúmeros acessórios como microfones unidirecionais, lentes intercambiáveis, além do uso no jornalismo de tecnologias vestíveis (wearable), como o Google Glass, relógios inteligentes e drones. Este conjunto de equipamentos e conexões permite a formatação de uma "redação móvel".
E em relação ao consumo? A tendência é o desenvolvimento de aplicativos originais para tablets e multiplataformas, como é o caso dos que chamamos de “autóctones”. Temos alguns exemplos como O Globo a Mais, Estadão Noite, Diário do Nordeste Plus (no Brasil) e La Repubblica Sera (Itália), El Mundo de la Tarde (Espanha), entre outros com características vespertinas e a construção de novos modelos de negócios e a exploração maior dos potenciais dos dispositivos touch screen.
Qual deve ser a estratégia nessas plataformas? As estratégias estão em primeiro lugar no conhecer o que se pode fazer com e para as plataformas móveis. Estamos diante de ferramentas que ganharam sentido há menos de dez anos para o jornalismo (no caso dos tablets a partir de 2010 com o lançamento do iPad). As estratégias ainda estão em fase de experimentações. Estamos falando de um novo modelo de negócio que está emergindo para as empresas de comunicação, porque o público de leitor e de outras mídias está cada vez mais propenso ao consumo de revistas, jornais e livros em dispositivos móveis.
Quais experiências foram bem sucedidas no Brasil? No Brasil, o Jornal Extra do Rio de Janeiro é o caso mais exemplar em termos de experiência e de inovação com o jornalismo móvel. Em 2009, criou o projeto Repórter 3G em que os profissionais munidos de smartphones e notebooks produziam e publicavam da rua e, no ano passado, foi pioneiro no uso do aplicativo WhatsApp. O NE10, do Sistema Jornal do Commercio do Recife, e o jornal Zero Hora e RBS de Porto Alegre são outros bons exemplos.
O jornalismo móvel demanda um novo perfil aos jornalistas? Sim. Ele requer novas habilidades para o repórter que está em campo e precisa utilizar seu smartphone para captura de imagens, vídeos, áudios e editar diretamente no aparelho. O jornalismo móvel estabelece uma nova rotina, porque o repórter passa a ser multitarefa e produzir para multiplataformas, principalmente em redações integradas ou que passam por processos de convergência. A produção de conteúdos também passa por mudanças, porque estabelece uma nova gramática, uma nova linguagem e, neste caso, as narrativas incorporam recursos que não vinham sendo utilizados em outras plataformas.
Qual é o desafio encontrado nesse processo? Cada vez mais esses jornalistas precisam trabalhar em equipes interdisciplinares como designers de interfaces móveis e programadores para poder transformar a construção de narrativas que incorporem características próprias das interfaces de tablets e smartphones. O desafio das empresas de comunicação é exatamente o de formar uma equipe capaz de inovar dentro desse contexto.
Você acredita que as universidades deveriam investir mais no ensino sobre essas novas mídias? O investimento sobre novas mídias já está contemplado parcialmente na grade curricular dos cursos por meio de disciplinas como jornalismo digital, cibercultura e mídias digitais. Entretanto, é necessário investir mais em equipamentos que lidem com as novas linguagens e na preparação dos estudantes para se enquadrar nesse perfil do ponto de vista técnico, mas também teórico, de compreensão das consequências e vantagens.
Estamos vivenciando um processo de convergência jornalística e de mobilidade, mas poucos cursos discutem efetivamente essas mudanças de modo a identificar as consequências para os profissionais, para o produto gerado e para o fluxo de trabalho ou mesmo as vantagens que esses processos podem trazer para a qualidade das narrativas.
Acesse mais matérias sobre o impacto da tecnologia na vida do jornalista, visitando o especial " ".
ta coisa mudou no universo tecnológico. Lado a lado a essas mudanças está o jornalista, que, além de cobrir e reportar as novidades, as utiliza como ferramentas de trabalho.
O jornalismo móvel é parte desse novo cenário. Segundo Crédito:Divulgação
Fernando Firmino é coordenador do Grupo de Pesquisa em Jornalismo e Mobilidade (Mobjor) , o móvel é parte do futuro da profissão. “O consumo de notícias nesses dispositivos é crescente no Brasil e no mundo. Os meios de comunicação dependem cada vez mais dessas plataformas para produzir, circular e distribuir conteúdos. Não temos como prever com exatidão os desdobramentos da mobilidade no jornalismo, mas o mercado de comunicação precisa inovar a partir destas ferramentas em termos de narrativas e modelos de negócios”, destaca Firmino.
De acordo com o especialista, o próprio jornalismo impresso pode se beneficiar com essa convergência tecnológica. “Recursos como QR Code, Aurasma, realidade aumentada, entre outras aplicações, podem reconquistar os jovens para a leitura dos impressos, já que estes estão migrando para as plataformas móveis”, completa.
IMPRENSA - Quais são as tendências do chamado “jornalismo móvel”? Fernando Firmino - A noção de jornalismo móvel se desdobra por duas perspectivas centrais: produção e consumo. Em relação ao primeiro tópico, vemos cada vez mais recursos disponíveis para repórteres, como o uso de smartphones e tablets aliados às conexões de quarta geração (4G), aplicativos de captura, edição, distribuição de conteúdos e transmissão ao vivo. Além de inúmeros acessórios como microfones unidirecionais, lentes intercambiáveis, além do uso no jornalismo de tecnologias vestíveis (wearable), como o Google Glass, relógios inteligentes e drones. Este conjunto de equipamentos e conexões permite a formatação de uma "redação móvel".
E em relação ao consumo? A tendência é o desenvolvimento de aplicativos originais para tablets e multiplataformas, como é o caso dos que chamamos de “autóctones”. Temos alguns exemplos como O Globo a Mais, Estadão Noite, Diário do Nordeste Plus (no Brasil) e La Repubblica Sera (Itália), El Mundo de la Tarde (Espanha), entre outros com características vespertinas e a construção de novos modelos de negócios e a exploração maior dos potenciais dos dispositivos touch screen.
Qual deve ser a estratégia nessas plataformas? As estratégias estão em primeiro lugar no conhecer o que se pode fazer com e para as plataformas móveis. Estamos diante de ferramentas que ganharam sentido há menos de dez anos para o jornalismo (no caso dos tablets a partir de 2010 com o lançamento do iPad). As estratégias ainda estão em fase de experimentações. Estamos falando de um novo modelo de negócio que está emergindo para as empresas de comunicação, porque o público de leitor e de outras mídias está cada vez mais propenso ao consumo de revistas, jornais e livros em dispositivos móveis.
Quais experiências foram bem sucedidas no Brasil? No Brasil, o Jornal Extra do Rio de Janeiro é o caso mais exemplar em termos de experiência e de inovação com o jornalismo móvel. Em 2009, criou o projeto Repórter 3G em que os profissionais munidos de smartphones e notebooks produziam e publicavam da rua e, no ano passado, foi pioneiro no uso do aplicativo WhatsApp. O NE10, do Sistema Jornal do Commercio do Recife, e o jornal Zero Hora e RBS de Porto Alegre são outros bons exemplos.
O jornalismo móvel demanda um novo perfil aos jornalistas? Sim. Ele requer novas habilidades para o repórter que está em campo e precisa utilizar seu smartphone para captura de imagens, vídeos, áudios e editar diretamente no aparelho. O jornalismo móvel estabelece uma nova rotina, porque o repórter passa a ser multitarefa e produzir para multiplataformas, principalmente em redações integradas ou que passam por processos de convergência. A produção de conteúdos também passa por mudanças, porque estabelece uma nova gramática, uma nova linguagem e, neste caso, as narrativas incorporam recursos que não vinham sendo utilizados em outras plataformas.
Qual é o desafio encontrado nesse processo? Cada vez mais esses jornalistas precisam trabalhar em equipes interdisciplinares como designers de interfaces móveis e programadores para poder transformar a construção de narrativas que incorporem características próprias das interfaces de tablets e smartphones. O desafio das empresas de comunicação é exatamente o de formar uma equipe capaz de inovar dentro desse contexto.
Você acredita que as universidades deveriam investir mais no ensino sobre essas novas mídias? O investimento sobre novas mídias já está contemplado parcialmente na grade curricular dos cursos por meio de disciplinas como jornalismo digital, cibercultura e mídias digitais. Entretanto, é necessário investir mais em equipamentos que lidem com as novas linguagens e na preparação dos estudantes para se enquadrar nesse perfil do ponto de vista técnico, mas também teórico, de compreensão das consequências e vantagens.
Estamos vivenciando um processo de convergência jornalística e de mobilidade, mas poucos cursos discutem efetivamente essas mudanças de modo a identificar as consequências para os profissionais, para o produto gerado e para o fluxo de trabalho ou mesmo as vantagens que esses processos podem trazer para a qualidade das narrativas.
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