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Nesta publicação Marcos Pinto escrevia e fotografava para pautas ligadas ao mergulho, náutica e turismo. Com essa experiência, o gosto pela fotografia, despertado quando ganhou uma máquina dos pais, foi avassalador. Como ele mesmo diz, "foi amor à primeira vista".
Ainda na faculdade ele tinha grande interesse pelo fotojornalismo. "Eu acompanhava as fotografias dos principais jornais e fotógrafos. Costumava recortar e guardar essas fotos", revela. Indo ao encontro de sua paixão, Marcos Pinto começou a buscar um caminho para trabalhar no jornal O Globo , principal publicação carioca. E consegui.
Crédito:Marcos Pinto"Trabalhei 11 anos em O Globo , de 1987 a 1999", diz. Mas o caminho não foi fácil. Marcos começou no Jornal de Base , que na época era uma espécie de escolhinha para repórteres e fotógrafos, que depois assumium cargos no veículo principal. Nessa trajetória ocupou diversos cargos, como fotógrafo, fotógrafo especial, coordenador de fotografia e, por fim, editor adjunto de fotografia.
Marcos Pinto conta que o dia a dia do fotojornalismo não permite que o profissional disponha de tempo para se especializar. Desta forma, o amadurecimento ocorre no cotidiano. "Quando começamos a trabalhar em jornal isso consome tanto tempo que você aprende na prática e acaba não conseguindo mais tempo para se aperfeiçoar e evoluir", comenta.
Na opinião do fotógrafo, o profissional aprende muito trabalhando em jornal diário. Afinal, "você sempre tem muito pouco tempo e situações adversas que fazem com que tenha que se virar e fazer o melhor com o pouco que tem. É uma grande escola de fotografia".
Crédito:Marcos PintoAlém disso, Marcos Pinto contou com a experiência do editor de fotografia de O Globo Aníbal Philot - já falecido - que lhe deu uma importante lição. "O Philot era um grande formador de fotografos e dizia uma coisa muito curiosa: 'quando vou fotografar, antes de apertar o botão, fotografo com a cabeça'. Ou seja, ele parava para pensar sobre todas as possibilidades e ângulos e isso me ajudou muito", assume.
Embora tenha trabalho muito com hard news, Marcos Pinto se especializou em fazer retratos. "Quando eu saí de O Globo o retrato saiu comigo". Trabalhando como freelancer desde 1999, o profissional aproveitou oportunidades para retratar imagens das Olimpíadas de Sidney e dos Jogos Panamericanos de Winnipeg. "Foi muito legal, gosto muito muito de fazer esporte, gastronomia, mas o que gosto mesmo é de fazer retratos".
Crédito:Marcos PintoSegundo o fotógrafo, o trabalho como freelancer possibilita que tenha mais tempo para desenvolver projetos pessoais. "Uma das boas vantagens de trabalhar como freelancer é você ter tempo para fotografar para você. Hoje eu tenho esse espaço", garante. Atualmente, Marcos faz imagens para revistas, empresas e para sua outra grande paixão: os livros.
"Fiz alguns livros durante esse período e isso foi uma conquista bacana desse meu momento freelancer. O legal é que, além de ter tempo, você fica disponível para receber convites", afirma. Na sua opinião, essa é uma ótima forma de as pessoas conhecerem melhor o trabalho de um profissional de fotografia. E reafirma que "isso dificilmente aconteceria quando se está preso a um veículo".
Crédito:DivulgaçãoUm dos projetos importantes de Marcos Pinto é o livro “Veredas no Sertao Roseano” que traz dez ensaios sobre a obra "Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. "Fui ao sertão baiano e mineiro, naquela região onde a história do livro se passa para fazer o ensaio. Foi uma experiência muito legal", diz Pinto.
Além deste, o fotógrafo é co-autor de outras outras, entre elas o “Guia Carioca de Gastronomia de Rua”, lançado em 2010. É um livro sobre personagens e comidas vendidas nas ruas do Rio de Janeiro. O sucesso foi tamanho que ele e os outros responsáveis estão produzindo um segundo volume. No entanto, o projeto que mais encanta Marcos Pinto no momento é a versão do "Guia de Gastronomia de Favelas", como ele explica: "o Rio de Janeiro passou por mudanças importantes com as UPPs e isso abriu espaços que o carioca não conhecia. Existe uma cultura uma cultura gastronômica e social e vamos tentar descobrir para mostrar às pessoas", garante.
Crédito:Marcos PintoO fotógrafo também falou sobre o desafio de ser um profissional de imagem neste mundo digital de hoje. Na sua opinião, "o maior desafio de um fotógrafo é conseguir trabalhar como fotógrafo, porque a digitalização da imagem proporcionou uma multiplicação de fotógrafos. Hoje todo mundo é meio fotógrafo". Diante disso, o mercado conta com um universo maior de "profissionais", tornando a competição maior por um lugar ao sol.

