O fim da era analógica nas TVs dos Estados Unidos
O fim da era analógica nas TVs dos Estados Unidos
No próximo dia 12/06, às 10 horas da manhã, todas as emissoras de televisão dos Estados Unidos deixarão de utilizar sinal analógico e operarão transmitindo somente sinais digitais. Originalmente, a data seria dia 17 de fevereiro, mas o Congresso aprovou uma extensão. Dessa forma, vence na próxima sexta o prazo final dado pelo Federal Communications Commission ( FCC ) para que seja finalizado o processo de transição tecnológico, que começou no final dos anos 90.
Sinais digitais melhoram absurdamente a qualidade de som e imagem, além de permitirem que as emissoras transmitam múltiplos canais de programação simultaneamente, aumentando o leque de opções para os telespectadores e as possibilidades de marketing e lucros para seus proprietários.
Luxemburgo foi o primeiro país do mundo, em 2006, a fazer a transição de TV analógica para digital em todo seu território de uma única vez. Holanda, Finlândia, Andorra, Suécia, Suíça, Bélgica e Alemanha foram os seguintes. Nos Estados Unidos, 1.624 de um total de 1.762 emissoras de televisão vêm transmitindo nos dois sistemas desde 2008 e a população tem sido bombardeada com anúncios em todos os meios de comunicação para se preparar para a mudança. O que, evidentemente, nem todo mundo fez. Não pense você que o brasileiro é o único povo do mundo a deixar coisas importantes para o último minuto.
Os telespectadores têm três opções para continuar recebendo sinais das emissoras de TV no país: fazer uma assinatura num provedor de TV a cabo ou por satélite; comprar um aparelho de televisão moderno que já tenha embutido um receptor digital ou comprar um conversor e o acoplar à televisão analógica existente.
O Governo Federal lançou, em janeiro de 2008, um amplo programa de assistência financeira para a compra dos conversores de sinal. A Administração Nacional de Telecomunicações e Informação ( National Telecommunications and Information Administration - NTIA), órgão do Ministério do Comércio, forneceu à população, gratuitamente, dois cupons por residência, no valor de 40 dólares cada, que deveriam ser usados na compra de conversores.
No comércio varejista, atualmente, encontram-se conversores cujo o preço varia entre US$ 50 e 70. Ou seja, cada cupom cobre, no máximo, 80% do preço.
A NTIA não permite o uso combinado dos dois cupons para a compra de um único conversor. A crise econômica, a queda da bolsa de valores, as incertezas quanto à solidez do sistema financeiro, a desvalorização do mercado imobiliário, a falência ou concordata de companhias gigantes como a General Motors (GM) e o fantasma do desemprego têm obrigado os americanos a repensar suas prioridades.
Nesse cenário, qualquer dólar representa dinheiro. O que significa que muitos cidadãos não compraram os conversores, apesar do subsídio do governo, e continuam despreparados para a data fatal.
Dados da Associação Nacional de Emissoras de Televisão ( National Association of Broadcasters ) indicam que 19,6 milhões de residências no país recebem, exclusivamente, sinais analógicos de televisão. Outras quase 15 milhões possuem um aparelho secundário desse tipo instalado em quartos ou cozinhas. No total, quase 70 milhões de aparelhos de televisão em todo o país podem deixar de funcionar depois de amanhã, o que preocupa - e muito - as autoridades e entidades de Defesa Civil, já que em áreas remotas ou sujeitas a tornados, incêndios florestais, inundações e outros desastres naturais, a população é tradicionalmente avisada e orientada basicamente pela televisão.
E, de junho a novembro, estados do sul americano, especialmente aqueles nas costas do Atlântico e do Golfo do México, vivem sob a ameaça contínua de furacões e tormentas tropicais. Como eles falariam por aqui: "God , have mercy ".






