O dia em que Morse inventou o Twitter
O dia em que Morse inventou o Twitter
Atualizado em 23/08/2010 às 13:08, por
Nelson Varón Cadena.
O inventor do Twitter não é o JacK Dorsey. Aproveito este espaço para denunciar o americano que quer usufruir a patente de um outro americano, o Samuel Morse, este efetivamente o inventor da comunicação codificada, nos anos trinta do século XIX. Morse entendeu cento e oitenta anos antes de Dorsey que era possível se comunicar, através de longas distâncias, com um mínimo de palavras. E que essas palavras não precisavam ser escritas na sua grafia original, mas podiam ser abreviadas sem comprometer o seu entendimento, desde que estabelecidos códigos para a linguagem que, naquele tempo, se convencionou de telegráfica, numa alusão à infra-estrutura que permitia decodificar e distribuir a mensagem.
Morse era um artista e pensava "pequeno" no sentido de valorizar a síntese. Por isso fez fama pintando retratos em miniatura, até hoje considerados obras primas. Um dia criou o telégrafo elétrico e desenvolveu a comunicação codificada. Que durante anos seria o alicerce da imprensa. A noticia só ganhou a perspectiva de tempo real a partir das descobertas de Morse, ainda que esse tempo real fosse apenas uma medida de espaço para o jornalista que o retransmitia ao público, no seu veículo, apenas no dia seguinte. Em todo caso representava um grande avanço, naquele tempo, onde os acontecimentos demoravam semanas, às vezes meses, a serem divulgados. Na total dependência do transporte marítimo e, a partir da segunda metade do século XIX, do transporte ferroviário.
Nova logística
Morse com a sua comunicação codificada de poucos caracteres criou uma nova logística para o fluxo da notícia. Que antes era distribuída pelo mesmo canal que distribuía o produto final. O mesmo trem que distribuía o jornal, distribuía a noticia, em formato de correspondência endereçada ao editor. Para ser publicada na edição da semana seguinte, na melhor das hipóteses. Com o código Morse e mais tarde a ampliação da infra-estrutura de cabos submarinos o telégrafo passou a ser o mais importante instrumento dentro de uma redação, evoluiu para o telex, sem perder a sua eficiência, muito pelo contrário. A noticia passou a ter um valor agregado que era a rapidez, o imediatismo, o tempo real dela em relação aos fatos. A noticia passou a valer não mais pela veracidade de seu conteúdo, mas pelo momento em que esse conteúdo era divulgado para o público.
Dersey como Morse também era apaixonado pela síntese. Admirava nos anos 80 os códigos de comunicação dos sistemas de taxi de Nova Iorque. E foi nessa busca incessante pela comunicação no menor tempo real e com menos elementos que criou o twitter, primeiro para uso interno na sua empresa, mas tarde para compartilhá-lo com outras pessoas. E deu no que deu. Os jornalistas do século XIX amaldiçoavam Morse cada vez que o telégrafo trazia uma novidade sobre a guerra civil americana que desmentia as noticias publicadas no mesmo dia, de outras fontes, os chamados correspondentes de guerra, lotados em repartições do próprio exercito americano.
Os jornalistas deste século, por sua vez, xingam Dersey quando um tiroteio na favela da Rosinha, em frente a um hotel de luxo, chega ao conhecimento do público pelo twitter, meia hora antes da grande mídia interromper a sua programação para noticiar o fato. A fonte oficial e mesmo a fonte de campo passam a ter uma importância relativa. O repórter deverá buscar, lá na origem dos primeiros twitters sobre o assunto, as impressões de testemunhas dos fatos. A versão da população impactada pela noticia da qual ele mesmo é um protagonista. Morse (os seus descendentes) deveria brigar pela patente do Twitter e Dorsey pela patente de Morse. Faz sentido, os dois tem razão.
Morse era um artista e pensava "pequeno" no sentido de valorizar a síntese. Por isso fez fama pintando retratos em miniatura, até hoje considerados obras primas. Um dia criou o telégrafo elétrico e desenvolveu a comunicação codificada. Que durante anos seria o alicerce da imprensa. A noticia só ganhou a perspectiva de tempo real a partir das descobertas de Morse, ainda que esse tempo real fosse apenas uma medida de espaço para o jornalista que o retransmitia ao público, no seu veículo, apenas no dia seguinte. Em todo caso representava um grande avanço, naquele tempo, onde os acontecimentos demoravam semanas, às vezes meses, a serem divulgados. Na total dependência do transporte marítimo e, a partir da segunda metade do século XIX, do transporte ferroviário.
Nova logística
Morse com a sua comunicação codificada de poucos caracteres criou uma nova logística para o fluxo da notícia. Que antes era distribuída pelo mesmo canal que distribuía o produto final. O mesmo trem que distribuía o jornal, distribuía a noticia, em formato de correspondência endereçada ao editor. Para ser publicada na edição da semana seguinte, na melhor das hipóteses. Com o código Morse e mais tarde a ampliação da infra-estrutura de cabos submarinos o telégrafo passou a ser o mais importante instrumento dentro de uma redação, evoluiu para o telex, sem perder a sua eficiência, muito pelo contrário. A noticia passou a ter um valor agregado que era a rapidez, o imediatismo, o tempo real dela em relação aos fatos. A noticia passou a valer não mais pela veracidade de seu conteúdo, mas pelo momento em que esse conteúdo era divulgado para o público.
Dersey como Morse também era apaixonado pela síntese. Admirava nos anos 80 os códigos de comunicação dos sistemas de taxi de Nova Iorque. E foi nessa busca incessante pela comunicação no menor tempo real e com menos elementos que criou o twitter, primeiro para uso interno na sua empresa, mas tarde para compartilhá-lo com outras pessoas. E deu no que deu. Os jornalistas do século XIX amaldiçoavam Morse cada vez que o telégrafo trazia uma novidade sobre a guerra civil americana que desmentia as noticias publicadas no mesmo dia, de outras fontes, os chamados correspondentes de guerra, lotados em repartições do próprio exercito americano.
Os jornalistas deste século, por sua vez, xingam Dersey quando um tiroteio na favela da Rosinha, em frente a um hotel de luxo, chega ao conhecimento do público pelo twitter, meia hora antes da grande mídia interromper a sua programação para noticiar o fato. A fonte oficial e mesmo a fonte de campo passam a ter uma importância relativa. O repórter deverá buscar, lá na origem dos primeiros twitters sobre o assunto, as impressões de testemunhas dos fatos. A versão da população impactada pela noticia da qual ele mesmo é um protagonista. Morse (os seus descendentes) deveria brigar pela patente do Twitter e Dorsey pela patente de Morse. Faz sentido, os dois tem razão.






