Nos 110 anos de Ary Barroso, jornalistas comentam seu legado para o rádio no Brasil

Nesta quinta-feira (7/11), Ary Barroso, um dos maiores compositores da música popular brasileira e autor da memorável “Aquarela do Brasil”,

Atualizado em 07/11/2013 às 18:11, por Gabriela Ferigato e Vanessa Gonçalves.

Nesta quinta-feira (7/11), Ary Barroso, um dos maiores compositores da música popular brasileira e autor da memorável obra “Aquarela do Brasil”, completaria 110 anos. Foi na década de 30 que ele se esbarrou com o rádio, mas se consagrou apenas na década seguinte. Ele comandou o programa “A Hora do calouro”, na Rádio Cruzeiro do Sul e atuou como narrador esportivo. Torcedor fanático do Flamengo, a imparcialidade praticamente não existia. Nessa época, tornou a gaita uma marca registrada e a tocava a cada gol marcado. Para homenagear essa data, o Doodle de hoje conta com uma ilustração de um pianista e um casal dançando samba que formam a palavra Google.

Crédito:divulgação Ary Barroso completaria 110 anos nesta quinta-feira (7/11)
Para o jornalista Celso Unzelte, comentarista da ESPN Brasil, Barroso foi um dos precursores da transmissão com sonoplastia. “Ele deixou um incrível legado em todas as áreas em que atuou. Foi um grande compositor, locutor, apresentador de programa de auditório, cronista esportivo e conseguiu imprimir um estilo em todas essas áreas. Acho que o Osmar Santos [ex-radialista] se espelhou muito nele ao usar uma linguagem mais despojada, mas o Ary já fazia isso nos anos 40”, afirma Unzelte.

Segundo o jornalista, o artista seria alguém que poderia ter tido facilmente um destaque internacional, mas isso só não aconteceu pois, quando foi convidado para ir aos Estados Unidos, negou com a justificativa de que lá não havia Flamengo. “Se fosse para sintetizar o legado dele em uma palavra essa seria criatividade”, pontua.
Crédito:Divulgação Ary Barroso e a famosa gaita
André Ribeiro, jornalista e autor da obra “Os Donos do Espetáculo - Histórias da Imprensa Esportiva do Brasil”, lembra que Ary Barroso foi o pioneiro a fazer as primeiras narrações, inclusive em cima de telhados. “Como existia o racha político no mundo do futebol, havia o monopólio de algumas rádios, como vemos hoje a Rede Globo na questão da televisão. Então, existia proibição para que algumas emissoras tivessem acesso aos estádios. E ele foi o primeiro a peitar isso e narrar de lugares inusitados”, conta.

Exemplo que justifica o “inusitado” foi quando, proibido de entrar no Estádio Vasco da Gama, mais conhecido como São Januário, transmitiu a partida de cima de um galinheiro da vizinhança. Nessa época foi criada uma vinheta que dizia “Cada gol que eu transmito a galinha bota um ovo”.

“Como ele não tinha uma boa voz para narrar, inventou subterfúgios com as vinhetas. Narrava no meio da torcida, sendo ameaçado muitas vezes por assumir o clube”, completa Ribeiro.
Washington Rodrigues, mais conhecido como “Apolinho”, apresentador do programa “Show do Apolinho” e comentarista titular da equipe de esportes da Rádio Tupi, no Rio de Janeiro (RJ), afirma que Barroso foi o primeiro jornalista esportivo a assumir a paixão pelo clube, o seu querido “rubro negro” e fazia questão de demonstrar isso, bem como sua insatisfação durante as transmissões.
Crédito:Reprodução Google homenageou o radialista com doodle especial “Eu o acompanhava desde menino. Lembro-me das narrações na Tupi e do programa “Mesa de Botequim”, que eu nunca perdia. Criou-se a história que o jornalista esportivo não deveria ter clube, mas se o cara gosta de futebol é claro que ele tem. Eu sou Flamengo e digo isso há 50 anos de profissão. Se eu disser que não tenho clube, tudo que eu falar depois pode soar mentira. Isso eu aprendi com ele. Eu o admiro muito por tudo o que ele representou”, finaliza Rodrigues.