No "Dia da Imprensa", personalidades revelam como vêem a imprensa brasileira
No "Dia da Imprensa", personalidades revelam como vêem a imprensa brasileira
Neste dia 10 de setembro, faz 199 anos que começou a circular o primeiro jornal editado no Brasil. Trata-se da Gazeta do Rio de Janeiro , que teve seu primeiro exemplar levado a público em 1808. Por conta disso, todo o dia 10 de setembro é lembrado como o "Dia da Imprensa".
Outro jornal, o Correio Brasiliense , foi publicado meses antes no Brasil, em junho de 1808. No entanto, como era editado na Inglaterra, a fundação da Gazeta marcou o nascimento da imprensa nacional.
Para lembrar a data, além de comemorar seus 20 anos em bancas, a revista IMPRENSA ouviu 20 personalidades, das mais diversas áreas de atuação, para saber o que elas pensam da imprensa brasileira. Foram ouvidos Alcides Nogueira (autor de novelas), Alice Carta (promoter), Augusto Boal (dramaturgo), Aziz Ab'Saber (professor emérito da USP), Marcelo Sommer (estilista), Arthur Poener (escritor e jornalista), Alex Atala (chef), Daniel Filho (diretor de cinema e TV), Betty Milan (psicanalista), Falcão (cantor), Roberto Romano (professor da Unicamp), Manuela D'Ávila (deputada federal), Cláudio Abramo (diretor executivo do Transparência Brasil), Jacira Vieira de Melo (diretora do Instituto Patrícia Galvão), Antônio Carlos Pannunzio (deputado), Silvio de Abreu (autor de novelas), Monja Coen (religiosa), Paulo Betti (ator), Serginho Grosiman (apresentador e jornalista) e Paulo Skaf (presidente da Fiesp).
Acompanhe, abaixo, alguns dos depoimentos :
Silvio de Abreu
Autor de Novelas
Silvio de Abreu
"A imprensa está em completa metamorfose diante do excesso de informação disparada pela internet. Há também um trabalho imenso de reestruturação para fazer valer dois princípios básicos do jornalismo: credibilidade e responsabilidade por aquilo que se emite. Nestes últimos 20 anos, a imprensa refletiu os altos e baixos de um Brasil tumultuado e perplexo. Algumas vezes, cedendo à soberba e condenando apressadamente, noutras, revelando a sua função: discutir no espaço público as delícias e dores da nossa sociedade".
| Divulgação | |
| Monja Coen |
Religiosa
"Jornalismo informa para formar opinião. O papel principal é o papel jornal: simples, descartável, capaz de embrulhar bananas e cadáveres, esquentar os corpos dos carentes, limpar gorduras, recolher cocô de cachorro das ruas, embrulhar flores, contar histórias, mostrar o que está acontecendo dentro e fora, promover emprego, saúde pública e privada, santidade, justiça, igualdade, filtrar mentiras, abusar da verdade, soletrar poemas, contar palavras, medir espaços, abrir fotos, trazer para perto o que está longe, levar para longe o que está pertinho, prestar serviço, lembrar momentos, prever tormentos e alegrias. Comunicar, testemunhar".
Paulo Betti
Ator
Divulgação/TV Globo Paulo Betti
"No geral, a imprensa brasileira é muito palpitante.Temos de observar os interesses que estão por trás das notícias. Isso é muito difícil. A palavra escrita ou aquilo que aparece na mídia, jornal, televisão, rádio, tende a sacralizar-se como verdade. É natural que os meios de comunicação defendam posições e interesses, mas seria melhor que esses interesses fossem expressos claramente, por exemplo, com declaração de voto de órgãos de imprensa em período eleitoral. O problema é que os votos não são declarados e os veículos ficam em uma posição de suposta imparcialidade que nem sempre é verdadeira".
Serginho Groisman
Apresentador
Divulgação/TV Globo Serginho Groisman
"Depois do período da ditadura, a imprensa que estava amordaçada, pôde enfim desempenhar seu papel: o da denúncia, da investigação e da crítica. É também verdade que a grande imprensa continua nas mãos de proprietários privados, que sempre, de algum jeito, estão vinculados ao poder. O jornalismo se ampliou. E nessa abertura, ele melhorou e piorou. Nasceram as publicações de celebridades, por exemplo, que exercitam a futilidade. Mas como ainda a TV é muito importante na nossa cultura, existe espaço grande para elas. Sinto falta de publicações investigativas, como a revista Realidade. Mas é graças à imprensa que os recentes escândalos apareceram para a população. E isso continua sendo uma das características positivas".
Paulo Skaf
Presidente da Fiesp
Divulgação Paulo Skaf
"A imprensa brasileira tem, nestas últimas duas décadas, se aprimorado tanto no aspecto tecnológico quanto no editorial. Foram 20 anos de inestimáveis contribuições à conquista e consolidação da democracia, bem como, ao aprimoramento de uma consciência cidadã. Povo bem informado é povo que avança na liberdade, na cultura e no desenvolvimento. A imprensa brasileira está, lado a lado com a sociedade, construindo um novo Brasil, melhor e mais justo".
Saiba mais sobre o conteúdo da edição de setembro da revista IMPRENSA, .






