"Não existe receita única para se ter sucesso em redes sociais", diz a jornalista Vany Laubé
"Não existe receita única para se ter sucesso em redes sociais", diz a jornalista Vany Laubé
Atualizado em 22/10/2010 às 17:10, por
Thaís Naldoni/Editora-executiva do Portal IMPRENSA.
Por Não só no Brasil como em todo o mundo, as redes sociais são consideradas como um fenômeno da comunicação. Além de aproximar - ainda que virtualmente - as pessoas, elas se "profissionalizaram", sendo fonte de informações e pautas para muitos jornalistas e uma ferramenta eficiente de disseminação de notícias.
No entanto, a popularização do uso dos blogs, Twitter, Facebook e Orkut (ainda o mais popular o Brasil) trouxe algumas questões, principalmente, no que concerne à liberdade de expressão e postura de um profissional de comunicação na rede.
Estes e outros assuntos que envolvem as redes sociais serão abordados pela jornalista Vany Laubé, durante a "Oficina de Jornalismo em Internet e Redes Sociais" - organizada por IMPRENSA Editorial, que publica a revista e o Portal IMPRENSA - dentro do projeto "Oficinas IMPRENSA". O curso terá duração de oito horas e será realizado no próximo sábado (23), a partir das 9h, em São Paulo (SP).
Sobre o tema de sua oficina, Vany conversou com a reportagem.
Portal IMPRENSA - Qual você considera ter sido o grande "boom" das redes sociais? Foi com o Orkut, blogs, Facebook, Twitter... Vany Laubé - Meu ponto de vista, que pode ser diferente de outras pessoas, é o de que as redes sociais realmente bombaram aqui no Brasil a partir de 2009. Quando falo em bombar, digo isso em termos de negócios, de elas se tornarem a ordem do dia de empresários de todos os tipos e portes, de jornalistas e PRs, de pessoas comuns, que realmente entraram a fundo em Twitter, FB e outras redes. Porque, na verdade, Orkut já estava acontecendo antes disso. Eu mesma, já tinha perfil no Plaxo e no Linked In, desde 2007. Mas foi no final de 2008, quando houve a crise da bolsa de Nova Iorque, quando os jornais no Brasil começaram a pôr na mesa a questão da internet estar mexendo com as suas estruturas de negócios - quando as agências de Comunicação já lançavam suas plataformas de gerenciamento e monitoramento das mídias sociais para lidar com a crise que os "prosumers" estavam causando na Internet, que a coisa começou a esquentar.
IMPRENSA - Quais são os pontos positivos e negativos da mídia social, no que diz respeito aos profissionais de comunicação e veículos? Vany - São vários em cada lado e vou citar apenas o que computo como o mais importante de cada lado, para não tomar espaço demais:
Entre os positivos, destaco que por meio delas, se chega a Barsa, o Conhecer, o Delta Larousse, o MIT, o Google (de onde baixei vídeo-aulas ótimas), o Sylicon Valley, a Microsoft, IBM, Apple, e tantas outras empresas, Volvo, Hyundai, The Economist, o NYT, a BBC, todos os veículos de comunicação e filmes e lugares, museus, cidades inteiras, acesso a um infindável mundo de informações nunca antes navegado. Isso para quem é jornalista investigador, que fuça, que ama pesquisar, #nãotempreço. Ainda que a Internet 1.0 pudesse dar acesso a várias delas, foi com o advento das mídias sociais que a interação com tudo isso foi possível, realmente. Você pode trocar, literalmente, informações e discutir de igual para igual com Timothy O' Reily, com Evan Willians, com escritores de fora e do Brasil, jornalistas que, antes, pareciam estar a anos-luz de distância e hoje estão a uma arroba de toque, e esta ação ser de uma riqueza e possibilidade que talvez nunca ocorresse no mundo real.
Entre os negativos, inegavelmente, como mãe, eu cito a proximidade com a violência e o assédio sexual que as redes permitiram. Eu até bloqueei isso ao ser entrevistada por ti ao vivo na Alltv, mas as redes propiciam, sim, o assédio de pedófilos e de violência como o bullying e este é um dos lados negros das redes - aliás de qualquer rede de relacionamento.
IMPRENSA - É possível existir no meio da comunicação, sem fazer parte de alguma mídia social? Vany - Hoje? Difícil. Talvez um pequeno jornal do interior, onde ainda não haja nem saneamento básico ou luz, quiçá internet - mas acho que se nem isso tem, muito menos jornal! E, ainda assim, esta semana ouvi um professor de Mídias Sociais dizendo que índios do Brasil em aldeias onde há muito pouco, têm acesso a Internet... é mais fácil o contrário.
IMPRENSA - No caso do Twitter, em que fragmentos de informação são postados o tempo todo, já houve jornalistas que perderam seus empregos por comentários que não agradavam suas empresas. Quais cuidados um jornalista deve tomar para fazer uso das redes, sem que isso afete seu trabalho? Vany - Ou separar sua vida real da vida virtual, literalmente, escondendo-se atrás de um avatar (figura escolhida para representá-lo) com apelido para não ser descoberto ou deixar de emitir opiniões. O jornalista tem que passar por Media Training, porque o conselho é o mesmo. Uma vez representante daquela empresa, sempre será lembrado como tal. É quase como personagem de novela confundido na rua pelas pessoas no dia a dia. Raramente ele é chamado pelo seu nome real, mas pelo da personagem. Se um jornalista quer emitir opiniões, ele tem que usar outra identidade para tal, porque a mistura entre sua figura como representante do veículo para o qual trabalha e sua pessoa é inevitável. Por fim, a internet é para sempre. Especialmente o Twitter; uma vez postada, a opinião ficará guardada numa biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos... acredite!
IMPRENSA - As redes sociais são meios de informação confiáveis? O jornalista pode se pautar por informações que circulam pela rede? Vany - Sim, desde que ele as tome como ponto de partida e corra atrás da confirmação. A minha timeline do Twitter, por exemplo, é superpauteira, mas por que? Porque entre as mais de 1800 pessoas que eu sigo, existem aquelas jornalistas e os veículos de comunicação, além de instituições geradores de pautas. E, obviamente, se um assunto me interessa, eu crio uma coluna com a tag referente a ele e fico seguindo-o e pesquisando-o para chegar onde quero... mais ou menos como numa frequência de rádio, como as Gerais de jornais fazem... IMPRENSA - Existe uma "receita de sucesso" para a popularidade nas redes? Vany - Não acho que exista uma receita única, como também não existe uma única receita para um mesmo pudim de leite. Mas receita disso... cada uma tem a sua.
Para saber sobre as Oficinas IMPRENSA, .

| Divulgação | |
| Vany Laubé |
Estes e outros assuntos que envolvem as redes sociais serão abordados pela jornalista Vany Laubé, durante a "Oficina de Jornalismo em Internet e Redes Sociais" - organizada por IMPRENSA Editorial, que publica a revista e o Portal IMPRENSA - dentro do projeto "Oficinas IMPRENSA". O curso terá duração de oito horas e será realizado no próximo sábado (23), a partir das 9h, em São Paulo (SP).
Sobre o tema de sua oficina, Vany conversou com a reportagem.
Portal IMPRENSA - Qual você considera ter sido o grande "boom" das redes sociais? Foi com o Orkut, blogs, Facebook, Twitter... Vany Laubé - Meu ponto de vista, que pode ser diferente de outras pessoas, é o de que as redes sociais realmente bombaram aqui no Brasil a partir de 2009. Quando falo em bombar, digo isso em termos de negócios, de elas se tornarem a ordem do dia de empresários de todos os tipos e portes, de jornalistas e PRs, de pessoas comuns, que realmente entraram a fundo em Twitter, FB e outras redes. Porque, na verdade, Orkut já estava acontecendo antes disso. Eu mesma, já tinha perfil no Plaxo e no Linked In, desde 2007. Mas foi no final de 2008, quando houve a crise da bolsa de Nova Iorque, quando os jornais no Brasil começaram a pôr na mesa a questão da internet estar mexendo com as suas estruturas de negócios - quando as agências de Comunicação já lançavam suas plataformas de gerenciamento e monitoramento das mídias sociais para lidar com a crise que os "prosumers" estavam causando na Internet, que a coisa começou a esquentar.
IMPRENSA - Quais são os pontos positivos e negativos da mídia social, no que diz respeito aos profissionais de comunicação e veículos? Vany - São vários em cada lado e vou citar apenas o que computo como o mais importante de cada lado, para não tomar espaço demais:
Entre os positivos, destaco que por meio delas, se chega a Barsa, o Conhecer, o Delta Larousse, o MIT, o Google (de onde baixei vídeo-aulas ótimas), o Sylicon Valley, a Microsoft, IBM, Apple, e tantas outras empresas, Volvo, Hyundai, The Economist, o NYT, a BBC, todos os veículos de comunicação e filmes e lugares, museus, cidades inteiras, acesso a um infindável mundo de informações nunca antes navegado. Isso para quem é jornalista investigador, que fuça, que ama pesquisar, #nãotempreço. Ainda que a Internet 1.0 pudesse dar acesso a várias delas, foi com o advento das mídias sociais que a interação com tudo isso foi possível, realmente. Você pode trocar, literalmente, informações e discutir de igual para igual com Timothy O' Reily, com Evan Willians, com escritores de fora e do Brasil, jornalistas que, antes, pareciam estar a anos-luz de distância e hoje estão a uma arroba de toque, e esta ação ser de uma riqueza e possibilidade que talvez nunca ocorresse no mundo real.
Entre os negativos, inegavelmente, como mãe, eu cito a proximidade com a violência e o assédio sexual que as redes permitiram. Eu até bloqueei isso ao ser entrevistada por ti ao vivo na Alltv, mas as redes propiciam, sim, o assédio de pedófilos e de violência como o bullying e este é um dos lados negros das redes - aliás de qualquer rede de relacionamento.
IMPRENSA - É possível existir no meio da comunicação, sem fazer parte de alguma mídia social? Vany - Hoje? Difícil. Talvez um pequeno jornal do interior, onde ainda não haja nem saneamento básico ou luz, quiçá internet - mas acho que se nem isso tem, muito menos jornal! E, ainda assim, esta semana ouvi um professor de Mídias Sociais dizendo que índios do Brasil em aldeias onde há muito pouco, têm acesso a Internet... é mais fácil o contrário.
IMPRENSA - No caso do Twitter, em que fragmentos de informação são postados o tempo todo, já houve jornalistas que perderam seus empregos por comentários que não agradavam suas empresas. Quais cuidados um jornalista deve tomar para fazer uso das redes, sem que isso afete seu trabalho? Vany - Ou separar sua vida real da vida virtual, literalmente, escondendo-se atrás de um avatar (figura escolhida para representá-lo) com apelido para não ser descoberto ou deixar de emitir opiniões. O jornalista tem que passar por Media Training, porque o conselho é o mesmo. Uma vez representante daquela empresa, sempre será lembrado como tal. É quase como personagem de novela confundido na rua pelas pessoas no dia a dia. Raramente ele é chamado pelo seu nome real, mas pelo da personagem. Se um jornalista quer emitir opiniões, ele tem que usar outra identidade para tal, porque a mistura entre sua figura como representante do veículo para o qual trabalha e sua pessoa é inevitável. Por fim, a internet é para sempre. Especialmente o Twitter; uma vez postada, a opinião ficará guardada numa biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos... acredite!
IMPRENSA - As redes sociais são meios de informação confiáveis? O jornalista pode se pautar por informações que circulam pela rede? Vany - Sim, desde que ele as tome como ponto de partida e corra atrás da confirmação. A minha timeline do Twitter, por exemplo, é superpauteira, mas por que? Porque entre as mais de 1800 pessoas que eu sigo, existem aquelas jornalistas e os veículos de comunicação, além de instituições geradores de pautas. E, obviamente, se um assunto me interessa, eu crio uma coluna com a tag referente a ele e fico seguindo-o e pesquisando-o para chegar onde quero... mais ou menos como numa frequência de rádio, como as Gerais de jornais fazem... IMPRENSA - Existe uma "receita de sucesso" para a popularidade nas redes? Vany - Não acho que exista uma receita única, como também não existe uma única receita para um mesmo pudim de leite. Mas receita disso... cada uma tem a sua.
Para saber sobre as Oficinas IMPRENSA, .






