"Não é só meu livro que está em jogo, é a liberdade de expressão no país", diz autor da biografia de Roberto Carlos
"Não é só meu livro que está em jogo, é a liberdade de expressão no país", diz autor da biografia de Roberto Carlos
Paulo César de Araújo, autor da polêmica biografia "Roberto Carlos em detalhes" reacendeu o debate sobre a proibição de sua obra. Na última quinta-feira (6), em matéria publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo , sua nova advogada, Deborah Sztajnberg, acusou os defensores do cantor de terem adulterado palavras e trechos do livro na queixa-crime que resultou no recolhimento do livro.
A adulteração, segundo Sztajnberg, teria sido feita para dar a impressão de que o cantor se envolveu com drogas em seu tempo de Jovem Guarda, um dos pontos usados pelos advogados de Roberto Carlos ao pedir o recolhimento da obra.
No trecho mais polêmico, que caracterizaria adulteração intencional, a defesa de Roberto troca a palavra "garotas", na frase do livro que diz que na Jovem Guarda havia "uma combinação de sexo, garotas e playboy", pela palavra "drogas". "Por causa de erros como esse, o juiz (Tércio Pires) considerou as acusações graves e ameaçou duas vezes de fechamento a Editora Planeta", acusa o escritor.
Segundo os advogados de Roberto Carlos, Marco Antônio Campos e Norberto Flach, pode ter havido um equívoco na queixa-crime, mas jamais teria sido por ma fé. "Em uma petição em que são citados 20 ou 30 trechos do livro, não é uma palavra que pode induzir a um tipo de situação", disseram os advogados ao OESP.
Ao Portal IMPRENSA, Araújo defendeu que a troca de palavras é um "fato grave" e que deve ser classificado como "adulteração". "Esse é um fato novo. Minha advogada identificou uma fraude que deve ser considerada. Porque não importa se uma pessoa roubou só 100 reais ou 500 mil, ela é julgada igualmente pelo crime. Assim como não importa se foi só uma palavra mudada, isso é uma adulteração", disse.
Araújo também defendeu a retomada do debate sobre a proibição de seu livro e sua livre circulação. "Meu livro não foi proibido porque continha calúnias e difamações. Os advogados não negam as informações que estão contidas nele, mas insistem que eu falei que ele usava drogas. O Roberto Carlos era super careta e eu digo isso no livro. Sei que essa adulteração está influenciando na decisão do juiz", disse.
De acordo com ele, que tem dado palestras e participado de encontros em vários países para falar da proibição de seu livro, a decisão dos juízes sobre o caso pode abrir precedentes no Brasil para que mais obras sejam censuradas. "Não é só meu livro que está em jogo, é a liberdade de expressão no país. Estou vivenciando o que é a injustiça e luto para reverter a proibição. Além de tudo que vivi, tenho que agüentar mais isso", queixou-se Araújo.
O biógrafo pede na 20ª Vara Cível do Rio que uma liminar permita a volta dos livros às ruas, de onde foram retirados após acordo assinado em abril na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, na qual Roberto processava o autor. Araújo diz que foi constrangido a assinar o acordo e quer revê-lo após vencer na cível.
Foto: Circuito FUMEC de Cultura
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