Na França, CPI investiga concentração da mídia e manipulação das informações

O Senado da França está realizando uma comissão de inquérito sobre a concentração da mídia no país. O principal objetivo é esclarecer como ainformação consumida pelos franceses é afetada pelos grandes conglomerados de comunicação.

Atualizado em 20/01/2022 às 15:01, por Redação Portal Imprensa.


Um dos focos da investigação é o grupo Bolloré, que há seis anos assumiu a rede Canal Plus e vem sendo acusado por parte dos membros da comissão de manipulação de informações. Crédito: Reprodução Cristophe Deloire, da RSF: concentração da mídia compromete credibilidade da informação e autonomia do jornalista Na semana passada os parlamentares franceses entrevistaram o diretor-geral da ONG Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire.
Para ele, após ser adquirido pelo grupo Bolloré, o Canal Plus perdeu independência, pluralismo e honestidade nas informações.
Pluralismo
Deloire também destacou que não se trata de "impedir certas palavras", "de censura". "Estamos falando simplesmente de manter uma forma de pluralismo interno, de considerar que o jornalismo não é uma atividade sob as ordens de um chefe. Os jornalistas devem ter autonomia para serem confiáveis."
Relator da comissão de inquérito francesa, o senador socialista David Assouline disse, durante o depoimento do fundador da Repórteres Sem Fronteiras, que as formas de preservar o pluralismo na mídia da França e sancionar violações a essa pluralidade "são muito vagas".
A lei do audiovisual na França é de 1986 - e para muitos já não garante a liberdade, independência e pluralismo nos meios de comunicação social do país. Nesse sentido, o fundador da Repórteres Sem Fronteiras propôs condicionar a concentração dos meios de comunicação a obrigações pré-estabelecidas com a sociedade, além da criação de um novo delito de tráfico de influência, que poderia ser aplicado a donos de veículos e redes de comunicação.