Murilo César Ramos, coordenador do laboratório de políticas de comunicação da UnB
Murilo César Ramos, coordenador do laboratório de políticas de comunicação da UnB
Noticiário
"É natural uma cidade que é capital da República tenha a política como sua principal fonte de informações. A política no sentido latus, envolvendo a atividade de cotidiano das instituições políticas e também o cotidiano das decisões administrativas. Claro que no caso de Brasília há uma particularidade porque ela vai completar 50 anos e nasceu para ser o centro político e administrativo do país. Já nasceu com essa marca diferentemente da antiga capital, o Rio de Janeiro, que também era uma cidade com uma vida cultual, artística, social. Muito embora, passados 50 anos, Brasília já tenha outras marcas para além da política e da administração. É só lembrar que no campo da cultura, da música popular, o pop rock da Legião Urbana, Capital Inicial, Raimundos, surgiram aqui uma primeira/segunda geração de jovens nascidos ou vindos para cá muito crianças. Mesmo assim as imagens que se conhece de Brasília pela televisão são as da Esplanada dos Ministérios, da Praça dos Três Poderes, e isso ainda caracteriza a cidade."
Relação com o poder
"Isso tem aqui e em qualquer lugar do mundo que seja uma grande capital. E era assim no Rio de Janeiro: um repórter político tinha uma relação muito estreita com os poderes. Pode-se argumentar que é porque Brasília não oferece outras opções. Mas não, a relação informação-poder cria um modo muito estreito de relacionamento. É assim em Brasília, em Berlim, em Washington, em Paris. É um mundo que vive da sua própria relação, muito distanciado do restante da sociedade, às vezes. E isso, existe também na cobertura de cultura, existe nas mais diversas áreas. Eu acho que existe sempre essa tendência de achar que algumas coisas são exclusivas, que há sempre uma promiscuidade entre informação e reportagem. É claro que uma relação da imprensa tem um forte componente de poder, de projeção de poder, de absorção de poder. Este é um grande desafio para a imprensa, inclusive imprensa política, de como preservar o distanciamentos. Mas sim, isso às vezes se confunde mesmo, você passa a ter um repórter que começa a se achar tão ou mais importante que o parlamentar e isso é mais visível no Congresso, onde a relação é cotidiana e muito estreita. No Executivo, pela própria circunstância, é um poder mais isolado."
Influência das agendas dos poderes
"Eu acredito que haja uma circularidade. Tanto a agenda influi na imprensa, como a imprensa influi na agenda. É natural que a fonte tente pautar mais a imprensa, mas também a própria imprensa tem sua agenda. Você tem uma tensão entre os interesses o tempo todo."






