Muitas perguntas e algumas tentativas de respostas

Muitas perguntas e algumas tentativas de respostas

Atualizado em 04/02/2010 às 15:02, por Lucia Faria.

Difícil explicar para alguém que não é do meio jornalístico a cabeça, o comportamento e os interesses dos profissionais da nossa área. São constantes as dúvidas sobre o que é notícia e os critérios de seleção de uma pauta dentro das redações. Recentemente discuti o assunto com um empreendedor que acaba de lançar empresa de consultoria e gestão estratégica em idiomas.
O release elaborado por sua assessoria que alcançou maior leitura no Maxpress, o recorde do dia, apresentava um título negativo. Algo sobre um índice ruim de aproveitamento dos cursos de inglês pelos funcionários das empresas. Segundo ele, sem metas de progresso, o retorno do investimento das empresas em cursos de idiomas fica aquém do esperado. Por esse motivo, propõe o emprego de indicadores de resultados desenvolvidos por sua empresa.
A grande questão, para ele, é entender porque um título negativo chamou tanta atenção. Por que as notícias sobre lançamento da empresa, sobre como as empresas podem maximizar os resultados etc. geraram pouquíssima demanda? (Tempo para eu pensar na resposta)
Para tentar ser "diferente" entre centenas de pautas que chegam diariamente às redações, ele escreveu um texto pouquíssimo usual para releases. Desencorajei-o. Jornalistas não vão gostar, eu disse. Outro questionamento: se todos reclamam dos textos iguais, dizem que os releases têm sempre a mesma cara, por que este totalmente fora dos padrões não chamaria atenção positivamente? Ou eles só querem índices negativos? (Um copo d´água para eu elaborar a resposta)
Quando penso que já enrolei o Paulo com minhas respostas, lá vem outra provocação. Por que as assessorias não dão bola para as pequenas empresas? (Bem, que tal um café, Paulo?)
Sei que devem estar curiosos para saber minhas respostas. Mas, confesso, não foram tão brilhantes. Vamos lá e me digam o que responderiam:
- Notícia ruim realmente chama atenção. Geralmente nos releases fala-se bem das empresas, seus lançamentos, oportunidades, crescimento. Talvez o fato negativo tenha sido justamente o diferencial entre uma avalanche de releases. Não quis entrar no mérito sobre o que é notícia, aquela história típica do homem que mordeu o cachorro.
- Releases com textos diferentes, ou não, chamam pouca atenção. Essa é a verdade. Quem tem tempo de ler tanta coisa que chega das agências hoje? Devemos ter, em média, mil assessorias no país. Imagine quantos releases cada colega recebe diariamente? O que funciona, mesmo, é a conversa com o jornalista e a pauta focada e pensada em cada veículo.
- Por fim, também acho que deveríamos dar mais atenção às pequenas empresas e acho que já falei disso aqui neste espaço. No entanto, é complicado: elas certamente dão mais trabalho, pois exigem mais criatividade e empenho para atingir públicos de interesse. E, ainda por cima, pagam valores minimamente aceitáveis. Querem ser atendidas por profissionais tarimbados, não por iniciantes. Querem comprometimento e cobram resultados. É dor de cabeça na certa. Mas que temos de pensar melhor nisso, temos sim.