MP investiga comentários preconceituosos de jovem contra o Maranhão no Facebook

Jovem gaúcha chamou mulheres de "periguetes" e homens de "malandros"

Atualizado em 03/03/2015 às 11:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Promotores de Justiça instauraram na última segunda-feira (2/3) um Procedimento de Investigação Criminal para investigar as circunstâncias em que ocorreram as afirmações da jovem gaúcha identificada como Isabela Cardoso contra o Estado de Maranhão, os maranhenses e sua cultura.
Crédito:Reprodução/Facebook Autora das ofensas pode ser condenada de dois a cinco anos de reclusão, além de pagamento de multa
No último domingo (1/3), Isabela, que se identifica como sendo de Gramado, no Rio Grande do Sul, divulgou em sua página na rede social afirmações consideradas ofensivas ao povo maranhense.
“Finalmente em casa, depois de 1 ano e 7 meses na Suzano de Imperatriz eu e meu esposo retornamos a nossa cidade. Estado pobre, kkkkkkkkkk. A cultura maranhense é horrível. O carnaval é um lixo. Tal de bumba meu boi, tambor de crioula. A maioria das mulheres são (sic) periguetes e os homens malandros. Mais da metade das pessoas são (sic) semi-analfabetas, #AmoMinhaCidade #Gramado RS”, escreveu ela.
De acordo com O Globo , o promotor Joaquim Ribeiro Júnior alertou que a Constituição Federal "repudia discriminação de qualquer natureza". Segundo ele, o Ministério Público do Estado adotará posições firmes para coibir atitudes semelhantes.
O MP também pediu à Justiça a notificação do responsável pelo setor de Recursos Humanos da empresa Suzano em Imperatriz, empresa citada no comentário da jovem, para prestar esclarecimentos. A assessoria do grupo disse que Isabela "nunca fez parte do quadro de colaboradores, mas que independente disso, repudia tal comportamento".
O art. 20 da Lei 7.716/89, de 5 de janeiro de 1989, define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, estabelece que “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião ou procedência” ferem a norma. Caso haja condenação, a pena varia de dois a cinco anos de reclusão, além de pagamento de multa.
O perfil da jovem foi retirado do ar após a informação sobre um pedido de investigação criminal por parte do Ministério Público do Maranhão. Uma usuária da rede social criou uma página para pedir indenização contra Isabela. Em quatro horas, a petição já possuía 178 apoiadores de diversos estados.